O conflito no Oriente Médio vem impulsionando, de forma ampla, a procura por veículos elétricos e híbridos plug-in. Ainda assim, a retração no maior mercado do planeta - a China - está puxando o resultado mundial para o campo negativo.
Vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in sob pressão
De modo geral, o setor automotivo chinês atravessa uma fase complicada: nos primeiros quatro meses do ano, as vendas totais caíram 19%, para aproximadamente 5,6 milhões de unidades. Dentro desse cenário, os veículos de novas energias (NEV: elétricos e híbridos plug-in) também perderam fôlego, com recuo de 17% e volume de 2,8 milhões de unidades - algo em torno de 50% do mercado.
Segundo dados da Benchmark Minerals, o desempenho fraco na China e também na América do Norte (-25% e 450 mil unidades) vem sendo parcialmente equilibrado pelo avanço da Europa, que cresceu 26% e chegou a 1,6 milhões de unidades, além do salto de 89% no restante do mundo (840 mil unidades). No agregado, o efeito é uma diferença marginal de -0,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando 5,6 milhões de elétricos e híbridos plug-in vendidos globalmente.
NEV chineses com a queda mais acentuada
O recuo das vendas de elétricos e híbridos plug-in na China está ligado ao encerramento de incentivos e, também, à instabilidade do mercado. “Os consumidores ainda estão cautelosos em relação a gastos com itens de valores altos e essa postura de esperar para ver o que vai acontecer ainda não desapareceu totalmente”, avançou a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros.
A partir do começo deste ano, quem compra veículos de novas energias passou a arcar com um imposto de compra de 5% - ainda que represente metade do aplicado aos veículos com motor a combustão interna, é superior aos 0% que valiam anteriormente.
Além disso, o desenho dos incentivos foi alterado: em 2025, os compradores recebiam 15 mil yuan (cerca de 1903 euros à taxa de câmbio atual) em subsídios de troca, sem depender do preço do veículo. Já neste ano, o benefício passou a equivaler a 8% do valor do automóvel, com teto de 15 mil yuan.
Impacto nas maiores marcas chinesas
Essas mudanças já aparecem com força nos números dos principais fabricantes do país. No primeiro trimestre, o lucro líquido da BYD encolheu 55%, para 4,1 mil milhões de yuan (cerca de 520 milhões de euros). Na Geely, a queda foi de 26%, com 4,2 mil milhões de yuan (cerca de 532 milhões de euros).
No caso da Leapmotor, maior startup de elétricos da China em volume de vendas, o prejuízo líquido foi três vezes maior, chegando a 390 milhões de yuan (cerca de 49 milhões), embora as vendas globais da empresa tenham duplicado em 2025.
Consolidação e exportações da China ganham protagonismo
Se o efeito é relevante entre os líderes do setor, as montadoras menores - com estrutura e recursos mais limitados - tendem a sentir ainda mais. Esse quadro pode acelerar a consolidação do mercado chinês, já antecipada, por meio de falências, aquisições e fusões.
Enquanto o ritmo doméstico desacelera, as exportações de veículos elétricos e híbridos plug-in avançam com força. Só em abril, a China embarcou para o exterior mais de 400 mil veículos de novas energias. No acumulado do ano, o total chega a 1,4 milhões de veículos eletrificados, mais do que o dobro do registrado no mesmo período em 2025.
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