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Dacia Jogger Eco-G Bi-Fuel: espaço, versatilidade e custos baixos de uso a um preço imbatível

Carro SUV vermelho modelo ECO-G Jogger em exibição em showroom moderno e iluminado.
Espaço, versatilidade e custos baixos de utilização por um preço imbatível

O Dacia já acostumou o público a fórmulas racionais, então não dá para dizer que é uma surpresa. Ainda assim, o Jogger aparece como uma opção diferente, sem rival direto no mercado e, acima de tudo, com um preço "canhão".

Na prática, ele assume o papel de sucessor do Lodgy e do Logan MCV. O Dacia Jogger é oferecido com cinco ou sete lugares e traz três motorizações: uma a gasolina, outra bi-fuel e uma nova opção híbrida.

Ou seja, existe um Jogger para quase todo tipo de perfil e necessidade. Mas quando o foco é preço, custo de uso e tipo de combustível, a versão que, em teoria, equilibra melhor esse trio é a bi-fuel (GPL+gasolina).

Foi exatamente essa configuração que colocamos à prova: cinco lugares e uma das versões mais completas e bem equipadas da linha, a Comfort.

Quando o assunto é Jogger, "versatilidade" é palavra-chave. Isso já começa no posicionamento do carro: ele não chega a ser um SUV, mas também fica curto chamar de perua. Algo no meio do caminho, como um crossover?

crossover talvez seja mesmo o termo que melhor define o modelo, porque ele mistura conceitos num "pacote" final que veste como uma luva nas famílias - sobretudo naquelas que precisam de espaço. E espaço é algo que não falta no Jogger.

Montado sobre a base do Sandero (que, por sua vez, utiliza a mesma plataforma dos Renault Clio e Captur), o Dacia Jogger mede 4,55 m de comprimento, cerca de 46 cm a mais do que o "irmão" romeno. Ao mesmo tempo, o entre-eixos cresceu e chegou aos 2,90 m.

Seria fácil, portanto, olhar para o Jogger e enxergar um Sandero em tamanho XXL. Só que a proposta da Dacia vai bem além disso.

Da coluna B para trás, toda a seção traseira é exclusiva e, dá para dizer, muito bem resolvida: mesmo com o ganho de comprimento, o Jogger mantém linhas equilibradas e proporções que não parecem fora de lugar.

Vale destacar o desnível positivo de 40 mm adicionado na coluna central. É um detalhe discreto, mas que contribui para uma aparência mais harmoniosa e também para ampliar o espaço na parte traseira (já chegamos lá).

Interior simples, mas que cumpre com (quase) tudo

Na cabine, a simplicidade típica da Dacia está presente. E isso não vai como crítica; pelo contrário: está tudo o que é essencial e "obrigatório" em um carro atual.

Em alguns pontos, inclusive, há mais do que o básico. Nesta versão, o Jogger traz uma tela multimídia central de 8” com integração de smartphone via Android Auto e Apple CarPlay. Além disso, há sensores de estacionamento e câmera traseira - um item quase indispensável no Jogger, principalmente quando há passageiros na segunda fileira.

O desenho interno segue a mesma receita do Sandero. Por isso, nas versões mais completas, este Jogger adota uma faixa de tecido que atravessa toda a largura do painel, com boa aparência e toque agradável.

Fora essas aplicações em tecido, o que chama atenção são os plásticos que "forram" a maior parte do interior: são simples e um pouco rígidos, mas totalmente compatíveis com a faixa de preço do carro.

Vamos falar de espaço?

Agora, sim, dá para entrar no maior trunfo do Dacia Jogger: espaço. Nos bancos da frente, as medidas lembram o que encontramos no Sandero; já na segunda fileira e no porta-malas, a conversa muda de nível.

Atrás, há lugar para até três adultos (e existem carros de segmentos superiores que não conseguem fazer isso). Fiquei especialmente impressionado com o espaço para a cabeça e com o acesso facilitado pelas portas bem amplas. É o tipo de detalhe que agrada - e muito - quem precisa instalar cadeirinhas na parte traseira.

No porta-malas, como a unidade testada é a de cinco lugares, sobra capacidade para quase tudo. A Dacia declara 708 litros de volume, número que pode chegar a 1819 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Para colocar esses números em perspectiva: consegui levar a caixa de transporte da minha cadela (porte médio) no porta-malas e ainda acomodar minha bicicleta (com a roda dianteira removida). Para isso, bastou rebater apenas o banco traseiro individual, mantendo os outros dois lugares prontos para uso. Impressionante.

É uma questão de números

No coração deste Dacia Jogger Eco-G Bi-Fuel está um 1.0 turbo de três cilindros, com 100 cv de potência (10 cv a menos do que o Jogger somente a gasolina) e 170 Nm de torque máximo, sempre com partida a gasolina.

Com câmbio manual de seis marchas, que envia todo o torque para as rodas dianteiras, esse motor só "acorda" de verdade acima das 2000 rpm; abaixo disso, ele não parece muito disposto.

Para amenizar esse comportamento, a primeira e a segunda têm relações mais curtas, enquanto a sexta foi alongada, pensando principalmente em viagens mais longas, como em rodovia. Entre elas, há relações intermediárias bem escalonadas, em que o motor costuma responder com prontidão.

E isso se mantém em qualquer situação, seja rodando com gasolina ou com GPL. Aliás, não senti mudanças de desempenho ao alternar entre os combustíveis (a troca é feita por um botão à esquerda do volante), e tudo acontece de forma suave, quase imperceptível.

Em ruído e vibração, também não notei diferença. Já nas respostas, o motor me pareceu reagir um pouco melhor quando está alimentado por GPL, especialmente em rotações mais baixas.

Mas a grande vantagem do GPL está mesmo no bolso: ele permite um custo de uso muito menor do que em um equivalente apenas a gasolina. E isso nos leva inevitavelmente ao tema consumo.

O segredo está nos consumos

Nos dias em que fiquei com o Dacia Jogger, rodei 613 km, com cerca de metade do percurso em modo GPL. Ao final, o painel indicava média de 7,0 l/100 km de gasolina e 9,1 l/100 km de GPL. E vale abrir um parêntese: o Jogger traz duas páginas separadas no computador de bordo para acompanhar os dois consumos.

Com uma tocada mais cuidadosa e o modo ECO ativado (não desliguei o ar-condicionado em nenhum momento), o melhor que obtive foi 6,1 l/100 km na gasolina e 8,4 l/100 km no GPL.

Hora de fazer as contas. É verdade que o consumo em GPL sempre fica acima do registrado na gasolina - isso é esperado -, mas ao olhar para o custo por quilômetro fica claro que a vantagem costuma ser do GPL.

Considerando as melhores médias que consegui em cada combustível - 6,1 l/100 km para a gasolina e 8,4 l/100 km para o GPL - e usando o preço médio (no dia de hoje) da gasolina 95 simples (1,758 €/l) e do GPL (0,916 €/l), o custo de utilização deste Jogger seria de 10,72 €/100 km na gasolina e 7,69 €/100 km no GPL.

É uma diferença relevante - e pode ser ainda maior caso o uso não envolva rodovia, onde a distância entre os consumos dos dois combustíveis costuma diminuir.

De todo modo, rodar com GPL sai mais barato. E ainda com o benefício de não ficar refém da disponibilidade: se não houver um posto com GPL "à mão", ainda existe um tanque de 50 l de gasolina para garantir o trajeto.

Com os dois tanques cheios, a autonomia passa de 1000 quilômetros.

Como se porta na estrada?

O motor já foi assunto, mas faltava falar do comportamento dinâmico do Jogger. Eu não esperava nada muito envolvente ao volante e, por isso, não houve frustração nesse ponto. Por outro lado, o nível de conforto de rodagem e a estabilidade desse crossover me surpreenderam positivamente.

Ele nunca deixa esquecer que foi pensado para usos comuns do dia a dia. Ainda assim, em asfalto ruim ou mesmo em um trecho de terra, a suspensão trabalha com competência para filtrar irregularidades e manter o conjunto sob controle.

Um excelente negócio

Já escrevi isso aqui e repito: o Dacia Jogger não tem concorrente direto no mercado e, só por esse motivo, já merece entrar na lista de quem está procurando um carro familiar.

Ele comporta quase tudo, entrega versatilidade, não se importa em sujar os pneus e preserva uma simplicidade que me agrada: está ali para servir a família no que for preciso. Seja para levar o cachorro, as bicicletas ou simplesmente as bagagens de um fim de semana prolongado.

Somando tudo isso, essa motorização bi-fuel é uma das escolhas mais racionais disponíveis. Ela garante um custo de uso que simplesmente não dá para alcançar em uma alternativa equivalente somente a gasolina.

A versão que testei, já bem equipada, estava avaliada em 20 597 euros. Mas o Jogger com motor Eco-G, a gasolina e a GPL, pode ser comprado a partir de 17 650 euros. Pelo que ele entrega, é um preço imbatível.

Veredito

Especificações técnicas


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