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Stellantis alerta para multas das metas de emissões de CO₂, risco de fechar fábricas na Europa e carros abaixo dos 15 mil euros

Carro elétrico branco BYD Stell-155 exibido em showroom moderno com estação de recarga ao fundo.

A Stellantis admite que pode chegar a fechar fábricas na Europa como forma de escapar às altas multas ligadas ao descumprimento das metas de emissões de CO₂. O aviso foi dado por Jean-Philipe Imparato, principal executivo das operações do grupo no continente europeu, em uma conferência no parlamento italiano, em 1º de julho.

“Se não houver alterações na regulamentação até ao final do ano, teremos de tomar decisões difíceis”, declarou Imparato, citado pela Reuters. De acordo com o executivo, a empresa corre o risco de receber penalidades que podem atingir 2,5 mil milhões de euros ao longo dos próximos dois anos.

Stellantis, metas de emissões de CO₂ e o risco de multas

Para não ser multada, a Stellantis teria, obrigatoriamente, de dobrar as vendas de veículos elétricos. “É impossível”, afirmou o executivo.

Diante desse cenário, a saída apontada por Imparato é reduzir a fabricação de modelos com motor a combustão. “Ou acelero como nunca nos elétricos… ou encerro os veículos a combustão interna.” Na visão do executivo, qualquer um dos caminhos acaba levando ao fechamento de fábricas.

Sevel, Atessa e outras fábricas sob ameaça

A unidade considerada mais exposta ao risco de encerramento é a Sevel, em Atessa, na Itália. Hoje, ela é a maior fábrica de veículos comerciais leves em território europeu - e produz, entre outros, o FIAT Ducato.

Imparato afirma que o futuro dessa planta e de outras fábricas da Stellantis - como a de Mangualde, por exemplo - vai depender de como evoluirá o arcabouço legal europeu já citado, voltado às emissões de CO₂.

O cronograma das metas de emissões de CO₂ chegou a ser ajustado após pressão do setor automotivo. Em vez de considerar apenas os números de 2025, o cálculo passará a usar a média das emissões entre 2025 e 2027, o que também empurra por alguns anos o pagamento de eventuais multas por descumprimento. Mesmo assim, o dirigente da Stellantis sustenta que as metas seguem “inatingíveis”.

A montadora também está solicitando que as metas para comerciais leves sejam adiadas em cinco anos. Segundo a empresa, esse é um mercado com eletrificação bem mais baixa, em razão do preço, da autonomia e da ausência de infraestrutura adequada para frotas profissionais.

Novo segmento abaixo dos 15 mil euros

Além do debate sobre as metas de emissões, Imparato voltou a defender a criação, na Europa, de uma nova categoria de carros mais baratos, reforçando a proposta apresentada algumas semanas atrás por John Elkann, presidente da Stellantis.

A ideia é posicionar esse novo tipo de veículo entre os quadriciclos e os automóveis de passeio, tomando como referência os mini-carros japoneses, os carros kei. Assim como nesse modelo, haveria limitações (dimensões, potência, emissões), mas com a possibilidade de abrir mão de parte das exigências regulatórias que hoje pesam sobre veículos leves. A meta é simples: viabilizar carros com preço abaixo dos 15 mil euros.

A Stellantis argumenta que um segmento com essas características ajudaria a indústria europeia a competir com as montadoras chinesas e a atender a procura por veículos mais eficientes e acessíveis.

A Comissão Europeia ainda não se pronunciou sobre as propostas. Para a Stellantis, porém, o prazo está ficando curto - e isso pode gerar impactos profundos no emprego e na produção automotiva no «velho continente».

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