A Hyundai Connected Mobility estuda expandir para os principais mercados da Europa o seu serviço de assinatura de carros, o Mocean. Hoje, ele já funciona na Espanha e no Reino Unido, e acaba de estrear na Alemanha.
Chamado de Mocean Subscription, o serviço é, como o nome sugere, uma plataforma de assinatura de automóveis. De acordo com a empresa, a proposta entrega “todos os benefícios de ter um carro próprio, mas sem o compromisso da compra”. No catálogo, há mais de 40 modelos da Hyundai, incluindo versões a combustão, mild-hybrid, híbridas, híbridas plug-in e elétricas.
Como funciona?
Na prática, o Mocean opera de forma muito parecida com um contrato de locação (renting), porém com mais flexibilidade de prazo. Ao pagar um valor mensal, o usuário passa a ter acesso a um carro.
A assinatura pode ser contratada por 1, 3, 6, 12 ou 24 meses. Nesse período, o cliente paga uma mensalidade - cujo valor varia conforme o modelo escolhido, a duração do contrato, os quilômetros contratados e a idade do assinante.
Quem tem menos de 25 anos paga um valor mensal adicional. Já a assinatura inclui os custos ligados ao veículo, como seguro, manutenção, inspeções e outros.
No fim das contas, o motorista fica responsável apenas por despesas como combustível, pedágios e eventuais multas, e a assinatura pode ser cancelada a qualquer momento.
Segundo Liran Golan, diretor de serviços de mobilidade da Hyundai Connected Mobility, “é preciso estar mais atento às mudanças nas necessidades dos consumidores, e, obviamente à geração mais jovem, que já não pretende adquirir ou possuir um automóvel”.
Golan admite que, embora leve “tempo” até o Mocean atingir rentabilidade, o caminho “é claro”. Ele acrescenta: “vai custar uns milhares de utilizadores ativos para se tornar rentável, mas estamos perto desses números”.
Uma aposta para o futuro
O diretor de serviços de mobilidade da Hyundai Connected Mobility também disse que algumas montadoras já vêm seguindo a mesma ideia - sem informar quais - e demonstrou confiança no potencial do negócio. A expectativa é que o modelo de assinaturas responda por 12% a 15% das vendas de carros novos até 2030.
Na Alemanha, o mercado de assinaturas deve registrar uma taxa média de crescimento anual de 33,5% até 2030, afirmou Golan.
O Boston Consulting Group estimou que o mercado de assinaturas de automóveis na Europa e nos EUA alcance 30-40 mil milhões de euros até 2030, representando até 15% das novas vendas de veículos.
Esse tipo de assinatura também vem sendo encarado como uma forma de acelerar a adoção de carros elétricos. Na Alemanha, a maioria dos clientes do Mocean escolhe veículos elétricos, segundo o diretor.
David Bailey, professor da Universidade de Birmingham, reforçou essa leitura: “As subscrições automóveis são uma boa maneira dos clientes “molharem os pés” no mercado dos elétricos”, em parte pelo baixo nível de compromisso exigido por esse tipo de serviço.
“Os condutores às vezes hesitam em adotar esta tecnologia (elétricos) devido aos altos custos iniciais, têm dúvidas relativamente à autonomia e incertezas sobre o valor de revenda.”
David Bailey, professor na Universidade de Birmingham
E as outras marcas?
Além da Hyundai, outras fabricantes também oferecem planos de assinatura, como Porsche e Jaguar Land Rover. Empresas de locação, como Hertz, Sixt e SimpleCar, igualmente começaram a adotar esse modelo de negócio.
Em contrapartida, a Volvo - que mantinha um plano de assinatura chamado Care by Volvo - teve de encerrar o serviço na Europa e nos EUA por falta de adesão.
Já a Lynk&Co, uma “marca irmã” da Volvo, chegou à Europa em 2021 com uma estratégia baseada exclusivamente em assinatura para o modelo 01. A proposta era deixar de lado o modelo tradicional de venda e oferecer um plano que funcionasse como uma alternativa moderna à posse convencional de um carro.
Ainda assim, a abordagem inicial não conseguiu atrair clientes, levando a marca a voltar a vender seus modelos de forma tradicional.
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