Não há duas sem… cinco. Depois de trazer BYD e Xpeng, a Salvador Caetano acaba de reforçar sua oferta com mais três insígnias chinesas. Na prática, porém, tudo orbita uma só fabricante: a Dongfeng, que se desdobra em duas submarcas, a Voyah e a M-Hero.
Como a Dongfeng, a Voyah e a M-Hero vão se posicionar
À primeira vista, parece marca demais - e é mesmo -, mas a proposta é separar bem os territórios para evitar sobreposição. A Dongfeng fica com o papel de marca generalista do grupo, encarregada de fazer o maior volume de emplacamentos.
Primeiros modelos: Dongfeng Box, SUVs Voyah e M-Hero
Nessa estreia, o foco inicial recai sobre o Dongfeng Box, um compacto 100% elétrico com 95 cv de potência e autonomia acima de 300 km, com preço de entrada nos 26 750 euros (o da imagem em destaque).
Já a Voyah assume o posto de marca mais exclusiva, com uma gama centrada em SUVs e valores que podem ultrapassar os 80 mil euros.
A meta da Voyah é clara: disputar clientes com Lexus, Audi, Mercedes e Volvo, prometendo níveis de equipamentos, desempenho e autonomia equivalentes ou superiores aos dos rivais.
Por fim, a M-Hero chega com um “cartão de visitas” de impacto: um SUV 100% elétrico com mais de 1080 cv de potência e baterias de 152 kWh de capacidade. É um modelo pensado para vencer muitos obstáculos, mas há um limite: com peso em ordem de marcha acima de 4 toneladas, em Portugal ele só pode ser conduzido com carteira de pesados.
Ambições moderadas
A Dongfeng e a Voyah chegam a Portugal ainda este ano e, pelo menos no início, vão operar com seis concessionárias distribuídas de norte a sul do país.
A intenção é alcançar cobertura total do território nacional até o fim de 2025. Na prática, trata-se de um caminho muito parecido com o da BYD, que em poucos meses garantiu presença completa no continente e nas ilhas.
Se o plano da Salvador Caetano se confirmar, as marcas sob a alçada da Dongfeng devem somar cerca de 1000 unidades em 2025, avançando para 2000 unidades/ano em 2026 - o que corresponderá a 2% do mercado nacional.
“O nosso objetivo não é crescer rápido, é crescer bem”, afirmou Luís Santos, COO da Dongfeng em declarações à Razão Automóvel. E a estratégia, mais adiante, não ficará restrita aos 100% elétricos: “também teremos veículos híbridos com tecnologia Dongfeng no nosso portfólio”, disse o mesmo executivo.
O anúncio foi feito ontem, em Lisboa, diante de uma audiência formada principalmente por concessionários, representantes da marca e jornalistas.
Um gigante chamado Dongfeng
Quase desconhecida na Europa, a Dongfeng - cujo capital é majoritariamente controlado pelo Governo de Pequim - está entre as fabricantes chinesas mais antigas ainda em atividade. Criada em 1969, começou produzindo veículos para fins militares. Hoje, figura entre os maiores grupos automotivos da China.
Em 2023, fabricou 2,42 milhões de veículos - para comparação, algo como 1/3 da produção global do Grupo Volkswagen - e exportou 231 000 unidades para mais de 100 países. É um volume que a Dongfeng pretende ampliar, e a Salvador Caetano Auto será responsável por representar essas três marcas na Península Ibérica.
No que diz respeito à expansão industrial, a Dongfeng tem prevista a construção de uma fábrica na Europa, embora o local definitivo ainda não tenha sido divulgado.
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