Enquanto enfrenta um plano de reestruturação difícil - que já vem implicando cortes no quadro de funcionários e até a adaptação de fábricas para a produção de material militar -, o Grupo Volkswagen passou a enxergar a própria extensão da sua gama como mais um nó a desatar.
Depois de anos em que a estratégia foi ampliar a oferta e multiplicar modelos dentro de suas marcas, a cúpula do grupo admite que chegou a hora de simplificar. A ideia é diminuir a complexidade do portfólio e tornar mais racional o uso de plataformas e variantes.
A justificativa para essa virada está, sobretudo, na necessidade de elevar a rentabilidade diante da pressão dos concorrentes chineses e dos custos pesados envolvidos no desenvolvimento de novas tecnologias.
Um modelo de negócio sob pressão
Nas últimas décadas, o Grupo Volkswagen montou uma das gamas mais amplas de toda a indústria automotiva. Somando Volkswagen, Audi, Skoda, CUPRA, SEAT, Porsche, Bentley e Lamborghini, a quantidade de modelos e derivações cresceu de forma quase exponencial.
Só que o cenário agora é bem diferente daquele que permitiu essa expansão. A desaceleração das vendas em diversos mercados (do chinês ao europeu), o avanço da competitividade de fabricantes chineses e as despesas elevadas relacionadas à eletrificação estão levando o grupo a reorganizar prioridades.
Arno Antlitz, diretor financeiro e diretor operacional do Grupo Volkswagen, defendeu recentemente a necessidade de uma transformação estrutural do negócio, com foco especial em cortar custos e aumentar a eficiência nos processos de desenvolvimento e de produção.
Também entrou na pauta o excesso de capacidade produtiva nas fábricas, já que a demanda não acompanha mais o volume que as unidades industriais conseguem entregar.
Menos complexidade, mais rentabilidade
A simplificação deve alcançar várias frentes dentro da organização. Entre as alternativas estudadas está reduzir o número de variantes oferecidas em determinados modelos e empregar de modo mais racional as plataformas técnicas.
Embora o grupo não tenha detalhado quais modelos - ou quais versões dentro desses modelos - podem sair de cena, a administração reconhece que a oferta atual é complexa demais para os desafios que o setor vive. A orientação passa a ser concentrar recursos em produtos com maior potencial comercial e maior capacidade de gerar rentabilidade.
Esse caminho ganha força justamente no momento em que a Volkswagen tenta acelerar o desenvolvimento de novos veículos elétricos e encurtar os ciclos de lançamento - algo que, na prática, exige estruturas mais simples e menos dispersão de investimento.
Eletrificação é para continuar
Mesmo com a intenção de reduzir a complexidade da gama, o plano de lançamentos segue ambicioso. Ainda neste ano, o Grupo Volkswagen pretende colocar no mercado uma nova geração de modelos elétricos mais acessíveis.
Entre eles estão Volkswagen ID. Polo e ID. Cross, Skoda Epiq e CUPRA Raval. Além disso, há previsão de novos SUVs elétricos e de atualizações em modelos já existentes. A renovação da oferta elétrica é tratada como uma das peças centrais para a recuperação do grupo, especialmente na Europa, onde a pressão regulatória continua a empurrar a transição acelerada para os elétricos.
Apesar dessa aposta, a mensagem da administração do grupo alemão é direta: crescer apenas pela multiplicação de modelos deixou de ser a solução. Com a simplificação, o Grupo espera um retorno operacional sobre as vendas de 8% a 10%.
O Grupo Volkswagen também não é o primeiro a concluir que precisa simplificar. Recentemente, o CEO da Toyota Motor Corporation, Kenta Kon, chamou atenção para o mesmo problema na empresa que comanda e apontou, curiosamente, a mesma saída: menos complexidade e mais foco nos produtos essenciais.
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