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Visa anuncia investimento de 500 milhões de euros na Europa para reforçar pagamentos

Homem sorridente usa celular perto de mapa com moedas e terminal de pagamento em escritório com vista urbana.

Europa busca soberania nos pagamentos

A Visa decidiu reagir com força. Num momento em que a Europa procura, cada vez mais, reduzir a dependência de empresas norte-americanas, a companhia anunciou um investimento robusto no continente - um recado claro em meio a um cenário geopolítico particularmente sensível.

Nos últimos dias, uma iniciativa inédita começou a tomar forma no ecossistema europeu de pagamentos. A Alliance EuroPA, que reúne soluções nacionais como Bizum (Espanha), Bancomat (Itália) e Blik (Polónia), fechou um acordo com a EPI Company, proprietária da Wero. A meta é interligar esses sistemas em escala europeia para que os cidadãos consigam pagar sem passar por infraestruturas dos Estados Unidos. Ao todo, 130 milhões de utilizadores em 13 países seriam abrangidos.

Esse movimento não surgiu do nada: ele se conecta diretamente ao retorno de Donald Trump à Casa Branca. As ambições norte-americanas sobre a Gronelândia e as ameaças de sanções económicas funcionaram como um choque de realidade, reforçando a percepção de que a Europa está exposta em excesso. Além disso, Visa e Mastercard, duas soluções dos EUA, somam juntas mais de 60% dos pagamentos por cartão no continente - uma dependência que instituições europeias e alguns representantes eleitos passaram a considerar inaceitável.

O caso do juiz do Tribunal Penal Internacional, Nicolas Guillou, que ficou sem meios de pagamento após sanções dos EUA, tornou essa preocupação ainda mais concreta. Diante do risco para o próprio negócio, a Visa decidiu não ficar parada.

Investimento da Visa: 500 milhões de euros para se consolidar na Europa

A empresa norte-americana anunciou um plano de investimento de 500 milhões de euros ao longo de dez anos no continente, organizado em torno de vários projetos estruturantes. O ponto mais sensível é a criação de um centro de dados dedicado às transações na zona do euro.

Dados, conformidade e infraestrutura na zona do euro

Até aqui, a Visa contava apenas com um centro de processamento no Reino Unido - fora da União Europeia (UE) desde o Brexit - o que alimentava dúvidas sobre a aderência às regras europeias de proteção de dados. Além disso, uma nova sede para a zona do euro será aberta em Frankfurt, acompanhada por um centro de inovação na Alemanha e por um polo tecnológico na Polónia, com abertura prevista para março de 2027.

A Europa tem uma visão clara para o futuro dos pagamentos digitais. Eles precisam ser resilientes, seguros, inovadores e corresponder aos padrões europeus”, afirma Antony Cahill, CEO da Visa Europe.

A Visa também quer ser reconhecida pelo Banco Central Europeu como um SIPS (Sistema de Pagamento de Importância Sistémica) para a zona do euro, o que colocaria as suas operações sob supervisão direta da instituição.

Nossa análise

A Europa avança em várias frentes, ao mesmo tempo, para reduzir a influência norte-americana nos pagamentos. Além dessa nova aliança, a Comissão Europeia progride gradualmente com o euro digital, enquanto soluções nacionais também ganham destaque, como o Cartes Bancaires em França.

A Visa, que vê essas iniciativas avançarem sobre um mercado que domina há décadas, está a apostar alto para continuar indispensável. Falta saber se a Mastercard vai seguir o mesmo caminho.

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