Visão geral: o que é o Ford Mustang 2015?
O que é?
Este é o Ford Mustang 2015. Por muito tempo, a gente só acompanhou o modelo de longe, com admiração; agora ele passa a fazer parte, pela primeira vez, da linha oficial no Reino Unido - e em vários outros mercados fora dos EUA. E não será um “exótico” de tiragem limitada com volante à esquerda: trata-se de um carro com volante à direita, ajustado para o jeito de dirigir e as condições de rodagem de lá.
Motorizações e desempenho do Ford Mustang 2015
Que motores ele vai ter?
Nos Estados Unidos, ele é oferecido com V6, um V8 5,0 litros e - novidade para 2015 - um quatro-cilindros 2,3 litros EcoBoost. O V6, que é o motor de entrada, não vai atravessar o oceano; sobram, portanto, duas opções: o quatro-cilindros e o V8.
O V8 vem da linha 2014 e entrega 418 hp, além de 524 Nm do que interessa. Já o EcoBoost - um quatro-em-linha turbo com dupla voluta (twin-scroll) - rende 314 hp e 434 Nm de torque.
Então o óbvio é querer o V8, certo?
O coração até pode gritar “V8” - e, se você esperou décadas para ter um Mustang de verdade no Reino Unido, é bem provável que nada substitua isso. Só que a razão não deveria descartar o EcoBoost tão rápido.
Ele pode ter mais de 100 hp a menos do que o V8, mas, dependendo da configuração final, o carro também pode ser mais de 100 kg mais leve. E quase toda essa redução está na dianteira. Resultado: o modelo com motor menor leva uma vantagem grande quando o assunto é direção.
Dirigibilidade e acerto dinâmico
E a dinâmica: resolveram isso, né?
Sim. O destaque principal é que o Mustang passa a contar com suspensão traseira independente pela primeira vez (desconsiderando o SVT Cobra). Só que isso é apenas o começo do que dá para contar sobre como ele anda.
Sem exagero, este chassi está entre os melhores que a Ford já colocou na rua, em qualquer lugar do mundo.
Na especificação que chega ao Reino Unido - que, nos EUA, exigiria optar por um pacote de desempenho - o Mustang se mostra muito neutro, bem controlado, com amortecimento excelente e exatamente o tipo de base que você quer ter sob o corpo. Em impactos maiores, ele pode ficar um pouco áspero, mas o ruído de rodagem é baixo e a direção é direta - especialmente no modo Esportivo, uma das três calibrações selecionáveis. No fim, é um carro que dá gosto de guiar.
Esse “divertido” é só para um muscle car, ou é divertido perto do melhor da Europa e do Japão?
É divertido sem asterisco. O conjunto vai encarar os melhores de qualquer origem e ainda dar trabalho para eles. Dá para apontar os dois modelos - ambos com diferencial de deslizamento limitado de série - mais no acelerador do que no volante, em uma medida que lembra bastante carros feitos para isso (principalmente o V8). Assim, você pode alimentar à vontade suas fantasias de Bullitt.
E, quando a ideia for “organizar” tudo e andar rápido de verdade, agora ele também faz isso. Entre os dois, o Mustang com EcoBoost é, com boa folga, o que vira melhor.
Me dá uma referência: o Mustang EcoBoost encararia um GT86 de igual para igual?
Ele não só encararia: ele passaria por cima. O novo Mustang tem bem mais aderência, mais potência, mais torque e, no conjunto, é um carro maior e mais rápido.
Câmbio, ronco e vida a bordo
Quais são as opções de câmbio - é tudo manual?
Não. Há um manual de seis marchas, mas também existe um automático de seis marchas. O pedal de embreagem é leve e progressivo, e os engates do manual são corretos.
O automático surpreende: reage com bem mais rapidez e tem um lado mais “racing” do que você talvez esperasse, especialmente no modo Esportivo. Ele traz os padrões de trocas adaptativos de sempre, e ainda permite trocas pelas borboletas atrás do volante. O manual continua sendo a escolha do motorista raiz, mas o automático chega bem perto.
E o som, como é?
O V8 tem exatamente a trilha sonora que um Mustang deve ter: um misto de rugido e resmungo ao subir e descer de giro, sem parecer “sufocado” para atender mercados globais.
O EcoBoost não é tão marcante, porém tem identidade própria: uma nota mais vibrante e “assoviada” do turbo que não chega a empolgar, mas também não é desagradável.
Fala do interior - está à altura?
Sim, a cabine está bem resolvida. A Ford adotou um tema inspirado na aeronáutica: muito alumínio escovado, instrumentos (velocímetro e conta-giros) com inspiração em relógios Bell & Ross e chaves tipo alavanca em metal claro. O resultado é moderno, com bom gosto e combina com a proposta.
Há vários upgrades - bancos Recaro, couro e afins -, mas mesmo nos carros de configuração intermediária a sensação é de produto mais premium.
Em conectividade, também está tudo em ordem. A versão atualizada do sistema Sync importa a agenda do celular em segundos; o navegador aceita comandos de voz com mais facilidade; e existe um sistema de som potente o bastante para aqueles momentos AC/DC em volume de show.
Atrás, o espaço atende adultos menores e crianças. Já o porta-malas, com os bancos rebatidos, comporta bagagem suficiente para quatro pessoas. Não é enorme, mas dá conta.
Vai, não pode ser tudo bom. O que não funciona tão bem?
Ainda é um carro grande. Além disso, a visão sobre o capô é limitada nas duas extremidades (mesmo que o Reino Unido não receba as entradas de ar no capô), então encaixar o Mustang em vagas apertadas tende a ser trabalhoso.
Do mesmo jeito, passar por uma estradinha bem estreita vai exigir atenção total. A parte positiva é que, agora, ele entrega potência e precisão suficientes para você fazer isso com mais confiança.
Então eu deveria comprar um?
Sim. Pelos valores que se comenta - menos de £30 mil no EcoBoost e bem menos de £35 mil no V8 - existe concorrência forte e numerosa.
Ainda assim, a Ford fez a lição de casa e montou um Mustang que não apenas mantém a chama do muscle car acesa, como também acrescenta a qualidade, a precisão e a praticidade necessárias para transformar a compra em algo não só emocional, mas racional.
Pode ter levado 50 anos para ele chegar, mas a espera valeu a pena.
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