Se existisse um verbete para o universo automotivo, seria difícil definir um hot hatch sem citar o Volkswagen Golf GTI - tamanho é o peso que o esportivo alemão conquistou.
Com cerca de 45 anos de trajetória, o Golf GTI se consolidou, desde a primeira geração, como uma das principais referências entre os hot hatch - com a exceção dos anos 90, período em que a sigla GTI não viveu sua fase mais feliz. Por isso, a nova geração do esportivo carrega uma “responsabilidade” enorme.
Afinal, o novo Volkswagen Golf GTI honra o legado dos antepassados? E a Volkswagen ainda domina a “receita” de entregar um esportivo que, ao mesmo tempo, encara sem drama a rotina do dia a dia? Hora de colocar isso à prova.
Sóbrio, é claro
No visual, o novo Golf GTI mantém “à risca” - no sentido literal e no figurado - a fórmula apresentada em 1976. Mesmo sem o exagero estético de um Honda Civic Type R ou de um Renault Mégane R.S., o Golf GTI ainda sabe chamar atenção.
Para isso, conta com spoiler traseiro, rodas chamativas de 19”, dupla saída de escape, para-choques exclusivos e, claro, a tradicional linha vermelha na dianteira. Some a isso os logotipos onipresentes (com letras vermelhas, como manda a tradição) e fica evidente que este Golf não é como os outros.
Por dentro, os destaques ficam por conta dos bancos com padronagem xadrez (uma homenagem ao original), do volante esportivo e do “Digital Cockpit” com grafismos específicos. No restante, ele é igual aos demais Golf: qualidade geral acima da média e uma ergonomia… melhorável, característica desta geração.
Múltiplas personalidades
Com as apresentações feitas, chega o ponto central do Volkswagen Golf GTI: como ele se comporta ao volante. Ele ainda consegue equilibrar esportividade com facilidade de uso?
Em uma palavra: sim. O Golf GTI continua entregando o melhor de dois mundos. Começando pelo modo mais tranquilo, o “passeio”, ele combina perfeitamente com os modos de condução selecionáveis “Eco” ou “Comfort” (e o “Individual” deixa montar um modo à la carte).
Nessa tocada mais calma, o GTI surpreende pela facilidade de guiar e por um nível de conforto realmente alto, encarando viagens longas com a mesma naturalidade de um Golf TDI. Em nenhum momento ele fica cansativo ou demonstra qualquer “desconforto” por estar sendo usado desse jeito.
Ao mesmo tempo, basta precisar de uma ultrapassagem ou encontrar uma sequência de curvas para perceber que este Golf é diferente - a desenvoltura com que resolve a primeira e o à vontade com que encara a segunda continuam impressionando.
Quando a ideia é explorar o lado mais esportivo do Volkswagen Golf GTI, é só acionar o modo “Sport”. A sonoridade fica mais presente (e mais gostosa) e o carro inteiro parece “acordar”.
A direção, que já é direta, precisa e rápida, passa a reagir com ainda mais prontidão do que um sensor de movimento; o acelerador responde de forma (quase) instantânea, e o Golf GTI “dispara” como se fosse um pequeno foguete. Já o câmbio DSG estica mais as marchas e passa a obedecer com (ainda) mais rapidez.
Com isso, curvas (e retas) vão ficando para trás em velocidades bem altas. A suspensão controla muito bem os movimentos da carroceria - e nem nesses momentos fica desconfortável. Os freios aguentam uso pesado sem sinal de fadiga, e quando os limites (bem elevados) finalmente aparecem, as reações do carro seguem progressivas.
Ele é tão divertido quanto um Civic Type R ou um Mégane R.S.? Não. Em compensação, é extremamente fácil andar rápido com ele, explorando suas capacidades com a segurança de uma eficiência invejável. No fundo, abre mão de um pouco de diversão para ser à “prova” de mãos menos experientes.
Sobre o motor: o 2.0 TSI (o onipresente EA888) de 245 cv cai “como uma luva” no Golf GTI e na proposta de agradar a “Gregos e Troianos”. Ele entrega força de forma progressiva e agradável, com potência disponível desde baixas rotações e sem uma entrega brusca demais.
Por fim, nos consumos, em condução tranquila dá para chegar com facilidade a médias de 7 a 7,5 l/100 km (com muita calma consegui 5,9 l/100 km). Já quando a empolgação aparece, elas passam dos 10 l/100 km, chegando a registrar médias de 12 l/100 km.
É o carro certo para si?
Quase 45 anos após o lançamento, o Volkswagen Golf GTI, mesmo sem ser o mais potente ou o mais rápido do segmento, segue como uma das referências entre os hot hatch.
No fim das contas, o Golf GTI lembra uma boa calça jeans: funciona em diferentes cenários e se adapta com facilidade. Já os rivais japonês e francês que mencionei me fazem pensar mais em um bom conjunto de moletom: excelentes para aquilo que foram projetados, mas sentem um pouco quando são tirados da sua “zona de conforto”..
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