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Comparativo entre Peugeot 108, Citroën C1 e Toyota Aygo na parceria PSA–Toyota

Três carros novos expostos em showroom: Peugeot 108 azul, Citroën branco e Toyota Aygo laranja.

Um “city car” pode até parecer simples demais para render conversa, mas esta parceria entre PSA e Toyota mostra como dá para tirar muito de um projeto enxuto. A ideia é direta: fazer um compacto urbano para a Europa dividindo custos - e, de quebra, vender o mesmo carro com três identidades diferentes.

A receita já tinha dado certo anos atrás, então eles repetiram a dose. Tudo sai da mesma fábrica na República Tcheca, porém com três emblemas: Peugeot 108, Citroën C1 e Toyota Aygo. Há diferenças visuais, a PSA (Peugeot-Citroën) colocou um 1.2 de três cilindros ao lado do 1.0 tricilíndrico e oferece teto solar como opção. E, bem… é praticamente isso. No resto, são idênticos - até a calibração dos amortecedores. Mandamos três pessoas para dirigir, cada uma em um, e relatar. Eis o que descobriram…

OM: Eu dirigi o Peugeot 108. Você tem que admitir: visualmente ele é menos “difícil” do que o Citroën, meio Hello Kitty, e o Aygo, com inspiração de mangá, não?

VP: Talvez, mas eu respeito a Toyota por tentar abandonar aquela imagem bege. Daí o “X” enorme na frente - o Aygo parece que vai morder.

PH: Mordida cruzada. Sim, mas com qualquer carro de cooperação você começa a se perguntar se ele combina com o resto da marca. A Citroën quer ser vista como centrada nas pessoas e com bom custo-benefício. O C1 se encaixa nisso melhor do que o 108 na tentativa da Peugeot de subir de patamar.

OM: Pelo menos dá para ficar feliz porque eles conseguiram um nível real de diferenciação no design. As únicas peças de carroceria compartilhadas são o para-brisa e as portas dianteiras.

PH: Fazer parceria compensa. Desenvolver e ferramentalizar um carrinho custa quase tanto quanto um grande, só que a margem é menor. O papel da PSA foi espremer fornecedores para chegar aos melhores preços. Eles são bons nisso.

VP: Sim, mas a Toyota ainda puxa as metas de engenharia e qualidade. Um aprende com o outro - e não esqueça que há um motor Toyota no coração do projeto também.

OM: Ou um motor PSA. O 1.2 deles tem um pouco mais de potência, então dá menos frio na barriga na faixa da esquerda.

VP: Eles ofereceram para a Toyota, mas a Toyota disse não e ficou com o 1.0 tricilíndrico.

OM: Dá para entender, na verdade. O 1.2 não soa tão “redondo”, e o câmbio é solto demais, enquanto o principal motivo de ele parecer mais esperto é a relação mais curta. Dirigi os dois motores no 108 e, na primeira vez que fui buscar a terceira no 1.0, eu realmente achei que tinha engatado a quinta por engano.

PH: Suspeito que a relação de marchas veio do carro antigo, provavelmente por emissões. Mas a plataforma que sustenta os três mudou: novo eixo de torção atrás, barras estabilizadoras ajustadas, molas e amortecedores novos em volta e mais isolamento acústico. Isso deixou a direção mais precisa e melhorou o conforto. Ainda assim, não chega ao padrão do VW Up.

VP: Bem sacado. Eu esperava que a agressividade visual extra do Aygo viesse com um acerto dinâmico diferente, mas não. Ainda assim, é um carrinho divertido, com direção rápida e um chassi competente.

OM: Tenho que dizer que - talvez estranho - gostei mais das versões mais simples. Dirigi um 108 Allure com couro e cromados por dentro e, principalmente porque esses “itens de qualidade” brigavam com os painéis de porta baratos e ásperos, não curti nem perto do que curti o Active básico.

PH: Concordo totalmente. Carro básico tem que ser básico. Enfeite costuma ficar deslocado e empurra o preço para a faixa de um supermini de verdade. Acho que todos concordamos que a construção aqui é barata - veja as janelas traseiras basculantes, a tampa do porta-malas com vidro de peça única e a prateleira leve que vira para fora do caminho quando você abre o porta-malas.

VP: Construção barata e espaço limitado. A parte de trás do Aygo parece apertada como um barraco de hobbit. Espaço para as pernas é péssimo.

OM: Há um motivo para isso. Pascal Béziat, diretor do projeto na PSA, me disse que os bancos traseiros - até nos cinco portas - não são muito usados pelos clientes. O que eles querem é volume de porta-malas, e isso subiu de 139 litros para 196 litros. Aparentemente, compradores alemães reclamaram que uma caixa padrão de cerveja não cabia. Agora cabe.

PH: Aposto que os engenheiros de embalagem adoraram a “pesquisa” por trás disso.

OM: Melhor não insistir nesse assunto. Precisamos falar de preço. O 108 começa em £8,245, e acho que o modelo mais feliz é o £10,145 1.0 Stop/Start 5dr Active: 88g/km de CO2, rádio DAB e Bluetooth de série.

VP: O Aygo começa por menos de oito mil libras e, se você tiver umas moedas sobrando, dá para expressar sua criatividade - ou a falta dela - à vontade. É bem personalizável.

PH: A dupla francesa é igual (alguns grafismos são horríveis), além daquele teto de lona retrátil de £850. Um carrinho urbano “a céu aberto” é uma proposta única.

OM: É, embora o que tenha me impressionado mesmo tenha sido o conforto e o refinamento melhores. Design e qualidade dos materiais internos? Nem tanto. Não está na liga da VW.

VP: Aygo para mim. O 108 e o C1 são atraentes demais para gente de uma certa faixa etária.

PH: Então concluímos: não dá para gastar demais, o Toyota tem o visual que conversa com a gente e por isso é a nossa escolha entre os três - mas eu nem vejo o Aygo como líder da categoria. O VW Up é forte demais e, além disso, estamos curiosos com o novo Twingo de motor traseiro.

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