Longe de ser rápido - e, na maior parte das versões, também não era exatamente potente -, ele ainda assim conquistou quase dois milhões de compradores e, de quebra, reuniu uma verdadeira legião de admiradores. Estamos falando do Mercedes-Benz 190 (W 201), modelo apresentado há exatas quatro décadas.
Nós já revisitamos a sua trajetória - ainda que, admitamos, com algumas falhas no relato… -, já analisamos a engenharia por trás do projeto e até fizemos questão de lembrar um “semideus” ao volante que guiou um exemplar e aplicou uma surra em boa parte do pelotão da Fórmula 1.
40 anos do Mercedes-Benz 190 (W 201): por que ele marcou época?
Neste mês em que se comemora o seu 40.º aniversário, voltamos a colocá-lo em destaque. Também porque quase ninguém o apaga da memória. Afinal, o que torna o Mercedes-Benz 190 tão especial?
Compramos um Mercedes-Benz 190
Ele foi táxi, foi carro de família, foi carro de corrida, virou um compêndio de tecnologia e, 40 anos depois, continua aparecendo com frequência nas nossas estradas.
"Caramba… Não pode haver tanta gente enganada relativamente a um automóvel."
Foi por isso que, na Razão Automóvel, compramos um Mercedes-Benz 190. É uma unidade que vocês podem conhecer neste vídeo - prometemos que este vídeo vai ter segunda parte:
E por que comprar? Queríamos entender a “razão” do sucesso desse modelo - além do óbvio, naturalmente.
Porque ele foi o primeiro Mercedes-Benz com suspensão multilink no eixo traseiro; porque trazia um dos motores diesel mais suaves e silenciosos do mundo; porque foi desenvolvido com o apoio de computadores; porque, mesmo sendo o Mercedes-Benz mais barato da linha, mantinha os padrões de qualidade da marca alemã; porque saiu do papel pelas mãos de um gênio do design automotivo, Bruno Sacco; etc.
"Já sabíamos tudo isto, mas tínhamos de «ver para crer». Ou será «conduzir para crer»?"
Na prática, o Mercedes-Benz 190 (W 201) é, sim, um carro diferente. E bastaram poucos quilômetros para essa impressão ficar evidente.
Qualidade percebida no dia a dia
Escrevo estas linhas depois de mais de um ano convivendo com um Mercedes-Benz 190. Nesse período, atravessamos o país de “norte a sul” e o total já passa com folga dos 10 000 km.
E não: eu não precisei de todo esse tempo para entender o quanto o Mercedes-Benz 190 é especial. Mesmo antes de girar a chave, o nosso W 201 já entregava sinais claros disso.
O abre-e-fecha da porta, a sensação de solidez na cabine, o toque dos comandos. Com exceção de alguns plásticos (da moldura da ventilação e do velocímetro), tudo passa uma impressão impressionante de qualidade e robustez.
Quando girei a chave, veio a confirmação: que nível de construção. A falta de vibrações e o silêncio do motor 2,0 diesel - diante do que seria esperado - surpreendem e colocam em “xeque” modelos bem mais recentes.
"Não vou dizer que já não se fazem Mercedes como antigamente, mas daqui a 40 anos voltamos a falar."
Na estrada, o que chama atenção é a rigidez da carroceria e a forma como a suspensão reage em pisos mais castigados. A engenharia era tão avançada para o seu tempo que, hoje, ele passa a sensação de ser mais novo do que realmente é.
Desempenho do 2,0 diesel: 75 cv e muita paciência
Eu poderia usá-lo diariamente. É prático, resistente, confortável, fácil de dirigir e… lento. O 2,0 diesel que equipa o nosso Mercedes-Benz 190 parece a encarnação mecânica de uma tartaruga: devagar, mas com uma longevidade enorme.
Com apenas 75 cv entregues por um motor naturalmente aspirado, ninguém deve esperar milagres. Não existem milagres. E, rapidamente, a gente se acostuma a administrar uma potência pensada para respeitar à risca os limites de velocidade. Nem mais, nem menos - ou talvez não como mostra este vídeo.
Ultrapassagens? Exigem muita atenção. Ainda assim, nada disso estraga a experiência de conduzir um clássico como este. Dá para sentir o quanto ele esteve à frente do seu tempo. Parece imune à passagem dos anos.
Falando por mim: quando compramos o 190, eu imaginava que a estadia dele na garagem da Razão Automóvel seria provisória. Só que já passou mais de um ano - e está ficando cada vez mais difícil me despedir. Vendemos e abrimos espaço para outro modelo, de outra marca?
Seja qual for a resposta, agora eu entendo o motivo dessa legião de fãs. Parabéns, Mercedes-Benz 190.
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