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Evacuação de avião em 90 segundos: conselhos da EASA

Passageiros entrando em avião enquanto comissária de bordo orienta o embarque no corredor central.

Não é algo que a gente deseje a ninguém, mas as orientações a seguir podem fazer muita diferença caso você algum dia se veja nessa situação.

A regra dos 90 segundos da EASA

De acordo com as normas da Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), para receber certificação de voo um avião comercial “precisa conseguir ser evacuado por completo em 90 segundos” quando ocorre um incidente. É um intervalo curtíssimo, no qual agir com calma é difícil - ainda mais porque esse padrão foi definido em cenários controlados, considerados distantes do que acontece de verdade segundo um estudo publicado em 31 de março de 2026 na revista AIP Advances. Isso torna a improvisação particularmente complicada se o comandante ordenar que todos abandonem a aeronave. Por isso, alguns hábitos simples - alguns deles adotados ainda antes da decolagem - podem, em teoria, ajudar você a sair da cabine com segurança.

Ações que salvam vidas

Antes de tudo, vale deixar claro: as recomendações abaixo não eliminam todos os riscos. Elas apenas diminuem as incertezas que você realmente consegue controlar. Uma emergência na aviação envolve variáveis demais fora do alcance do passageiro; nesse contexto, antecipar-se é praticamente a única vantagem possível.

Se for viável, já na hora de comprar a passagem, prefira um assento próximo a uma saída de emergência. Isso não é promessa de sobrevivência, mas análises de evacuações reais indicam que passageiros acomodados nas cinco fileiras ao redor de uma saída deixam o avião mais depressa do que os demais.

Depois de embarcar, não ignore o briefing de segurança feito pela tripulação. Para quem voa com frequência, ele pode parecer repetitivo, mas numa evacuação são os comissários de bordo que coordenam a operação e direcionam o fluxo de passageiros para as saídas de emergência. Quanto melhor você tiver absorvido essas instruções com antecedência, menor a chance de atrapalhar a tripulação, outros passageiros e a si mesmo.

Esses profissionais conhecem em detalhe os modelos de aeronave em que trabalham e passam por treinamento anual, no qual repetem procedimentos de emergência e são avaliados pela capacidade de executá-los sob pressão. Em uma evacuação, eles são a sua única referência realmente confiável - portanto, preste atenção ao que dizem antes da decolagem.

Durante uma evacuação: o que fazer (e o que não fazer)

Se uma emergência ocorrer e houver possibilidade de o comandante determinar a evacuação, sua prioridade é sair. Não cogite tentar pegar mala de bordo, mochila ou qualquer bagagem, mesmo que o conteúdo tenha grande valor afetivo ou financeiro. Um passageiro que para no corredor para recuperar algo cria vários segundos de bloqueio para cada pessoa que tenta passar. Multiplique esse atraso pela quantidade de gente atrás de você e fica claro por que essa escolha está entre as mais perigosas.

Um último reflexo, talvez o menos óbvio: se você estiver em boas condições físicas e a situação permitir, dê prioridade às pessoas vulneráveis que estão perto das saídas de emergência. Idosos, crianças, pessoas com mobilidade reduzida e gestantes são passageiros prioritários em uma evacuação.

Isso contraria o instinto de autopreservação, mas é justamente por isso que vale pensar nisso antes. Pessoas vulneráveis tendem a sair mais devagar e, se avançarem junto com o restante, serão inevitavelmente alcançadas e empurradas pelo fluxo, criando engarrafamentos no pior momento possível.

Fique tranquilo: a chance de você um dia precisar colocar essas orientações em prática é mínima. Emergências na aviação civil são extremamente raras e, exatamente por isso, normalmente pegam os passageiros de surpresa. Mesmo que você tenha lido e entendido esta lista, aplicá-la numa situação real será muito mais difícil - mas você ainda estará mais preparado do que alguém que nunca pensou no assunto.


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