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Zeekr 7GT: potência é um bônus; as qualidades são outras

Carro elétrico branco modelo Zeek 7GT estacionado em showroom próximo a estação de carregamento.

Potência é um bônus. Sinceramente, os pontos fortes do Zeekr 7GT estão em outro lugar.


Ainda bem que eu gravei um vídeo com este Zeekr 7GT, porque há detalhes que ficam muito mais claros quando a gente mostra do que quando tenta explicar só no texto.

Aceito que isso diga algo sobre as minhas limitações na escrita. Mas o fato é que estamos diante de carros que viram de cabeça para baixo aquilo a que nos acostumamos por décadas - e, por isso, ficam mais difíceis de retratar. Basta pensar que, até não faz muito tempo, qualquer carro com mais de 500 cv era, com grande probabilidade, classificado como um superesportivo.

Pois bem: este aqui chega a 646 cv (!) na versão mais forte e, ainda assim, está no extremo oposto dessa ideia. Não é um supercarro, não tenta virar um supercarro, não tem cara de supercarro e tampouco custa o que custa um supercarro. Ainda assim, se a estrada não tiver curvas, ele vai engolir quase tudo o que aparecer numa hipotética arrancada de semáforo.

Então, afinal, o que é o Zeekr 7GT? É uma perua muito confortável, com um porta-malas razoável e tecnologia acima da média. Assistam ao vídeo e entendam exatamente aonde quero chegar.

Dar trabalho aos alemães com know-how europeu

Antes mesmo de entrar, o Zeekr 7GT já tenta somar pontos. Dá para gostar ou não do desenho, mas ele não carrega aquele ar genérico que aparece em muitas propostas chinesas. E o fato de a Zeekr manter estúdios de design em Gotemburgo, na Suécia, certamente não é irrelevante nessa história.

Além disso, há pequenos sinais de capricho: as portas, por exemplo, fazem abertura e fechamento automáticos. E a boa notícia é que não é preciso “vender um rim” para ter esse tipo de item. A configuração mais potente e mais completa custa por volta de 62 mil euros, já com IVA incluído. A marca, aliás, deixa claro a que veio: quer se posicionar como alternativa às referências premium europeias.

O acesso à tecnologia da Volvo via Geely - afinal, estão no mesmo grupo - obviamente ajuda a encurtar o caminho. É também por isso que, no título deste primeiro contato, eu escrevi que “não devia ter ficado surpreendido”.

Na cabine, a escolha de materiais, o nível de montagem e o cuidado com os detalhes ficam num patamar bem interessante. Já alcança um BMW ou um Mercedes-Benz mais novo? Ainda não. Mas chega perto - e mais perto do que seria razoável esperar de uma marca tão jovem.

Claro que existem pontos a evoluir. A visibilidade traseira é limitada, embora as câmeras 360º (bem competentes) ajudem a contornar isso. O porta-malas também poderia ser maior, mas não chega a ser apertado. É a conta a pagar pelo visual de shooting brake. Eu aceito.

Comportamento certinho e ponto final

De novo: recomendo ver o vídeo inteiro. Mas, se você prefere seguir pela leitura, fique à vontade - é um prazer. Admito que gosto mais de escrever do que de ficar em frente às câmeras.

Lá no começo eu disse que o Zeekr 7GT não é um superesportivo. Não é crítica; é constatação. E é importante deixar isso muito claro quando se tem tanta potência à disposição do pé direito.

Assim que chegam as primeiras curvas, isso aparece na hora. Mesmo no modo mais esportivo, a suspensão continua colocando o conforto em primeiro lugar. O peso do carro se faz notar, assim como as transferências de massa.

Ele se comporta mal? De jeito nenhum. Só não empolga. Em compensação, é correto e muito previsível. Fica evidente que a Zeekr, apesar de ser uma marca nova, escolheu com inteligência onde brigar. E, num carro como este, o confronto principal é pelo conforto.

Baterias e velocidade de carregamento

Em Portugal, a linha do Zeekr 7GT é composta por apenas duas versões, e ambas usam uma bateria NMC de 100 kWh, com autonomia de até 655 quilômetros (ciclo WLTP), dependendo da variante.

Esse número aparece na versão de entrada, chamada Long Range RWD (com tração apenas traseira), que entrega 310 kW (421 cv) de potência.

Já a topo de linha, a Privilege AWD (dois motores elétricos e tração integral), fica com 558 quilômetros de autonomia, mas sobe para 475 kW (646 cv) e 710 Nm de torque máximo, além de permitir acelerar de 0 as 100 km/h em apenas 3,3s.

Só que potência e autonomia não são os únicos números que interessam. Até porque há um outro capítulo em que o Zeekr 7GT se destaca: a velocidade de carregamento.

Com arquitetura elétrica de 800 V, ele aceita até 480 kW de potência máxima em corrente contínua (DC). Na prática, isso significa ir de 10% a 80% em apenas 16 minutos. Em corrente alternada (AC), suporta carregamento de até 22 kW de série e leva 5,5 horas para completar uma carga total.

Preços e versões em Portugal

O Zeekr 7GT já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 55 450 euros na versão Long Range RWD - que, como eu disse acima, é justamente a que vai mais longe, anunciando até 655 quilômetros de autonomia.

De fábrica, mesmo na opção mais acessível, vêm itens como rodas de 19″, tela central multimídia de 15″, painel de instrumentos digital de 13″, head-up display amplo de 35,5″, bancos em couro Nappa perfurado, sistema de som Zeekr Premium com 23 alto-falantes, sistema de aromatização da cabine e teto panorâmico.

Já a Privilege AWD, com 646 cv e todo o equipamento que se possa imaginar, custa 61 950 euros - bem distante do que cobram os principais rivais europeus. É um valor muito competitivo para um carro que realmente me surpreendeu.

Veredicto

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