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Análise do Seat Leon Cupra

Carro branco esportivo Seat Leon Cupra em exposição dentro de showroom moderno.

Identidade da Seat e por que o Leon Cupra importa

Nos últimos tempos, a Seat tem passado uma impressão meio contraditória. A proposta sempre foi ser a marca mais esportiva do Grupo Volkswagen - a alternativa espanhola, mais ousada e “diferentona”, em contraste com as marcas alemãs mais sóbrias. Na prática, porém, os seus carros raramente corresponderam a essa promessa.

Para começar, não existe um esportivo puro no portfólio, e a gama acaba parecendo próxima demais de outros produtos da VW. É verdade que já houve versões mais nervosas no passado, mas elas nunca carregaram o prestígio e a tradição que o emblema GTI impõe.

É exatamente por isso que este Leon Cupra novo tem um peso enorme para a Seat. Ele conversa diretamente com o envolvimento recente da marca nas competições de turismo e, ao mesmo tempo, ocupa o espaço de “modelo de manchete” que a empresa vinha deixando em aberto há alguns anos. O FR, mais “morno”, sempre esteve por aí - mas ele não tem a mesma força de desejo que o nome Cupra desperta.

Seat Leon Cupra como topo de linha: adeus Cupra R e linha R

Este Cupra também representa o máximo de agressividade que a família Leon vai oferecer. Aliás, o máximo dentro da marca: nenhum outro Seat vai receber o emblema Cupra, e a divisão R também foi descontinuada. Segundo a Seat, daqui para a frente, FR e Cupra bastam para atender a todos os mercados.

E faz sentido, já que este Leon Cupra entrega mais potência do que o antigo Cupra R. Com 237bhp (aprox. 240 cv), ele entra com autoridade na parte de cima do grupo dos hatches apimentados, encarando figuras de peso como o Vauxhall Astra VXR. Essa força vem acompanhada de 221lb ft de torque (cerca de 300 Nm) e é gerada por um motor 2,0 litros turbo, em um acerto que, nesta configuração, é exclusivo da Seat.

Mecânica, tração e números de desempenho do Leon Cupra

Curiosamente, esse patamar de potência fica muito próximo do Golf R32 com V6 e tração integral - então seria natural imaginar que a Seat aproveitasse um conjunto de transmissão já disponível. Só que a intenção foi manter o Leon Cupra como uma proposta mais crua e direta, com tração dianteira, o que explica também a escolha do quatro-cilindros turbo.

No papel, isso soa como uma ótima notícia: a “personalidade” do carro deveria acompanhar os números. O 0-62mph (0-100 km/h) acontece em 6.4secs - não é o melhor da categoria por causa do novo Mazda3 MPS, mas continua sendo rápido - e a velocidade máxima chega a 153mph (aprox. 246 km/h). O problema é que, ironicamente, o motor acaba sendo o elo mais fraco do conjunto. Quem espera fogos de artifício sob o capô vai ficar com uma sensação de falta.

Primeiro, os pontos positivos. Trata-se de um conjunto extremamente suave. Não existe aquele “tranco” grande de torque em nenhum momento; em vez disso, o empurrão entra aos poucos a partir de 2,000rpm e o motor sobe de giro com muita facilidade, o que torna simples mantê-lo no ponto, dentro da faixa de potência. Também não há muitos ruídos ou asperezas para reclamar, e na estrada ele se mostra agradavelmente silencioso.

Mas, infelizmente, o Cupra não parece tão rápido quanto os números sugerem. Abaixo de 2,000rpm, não há impacto algum, e mesmo acima disso falta aquele golpe imediato de aceleração que aparece em carros como o Golf GTI ou o Focus ST. Neles, toda vez que você afunda o pé direito, vem um “chute” nas costas; no Cupra, o que aparece é apenas uma aceleração mais comportada.

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