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Raro templo egípcio circular de 2.200 anos em Pelúsio revela rituais com água sagrada em Tell el-Farama

Dois arqueólogos limpam um reservatório antigo no deserto, rodeado por paredes com hieróglifos egípcios.

Um raro templo egípcio circular, datado de cerca de 2.200 anos, veio à luz graças ao trabalho de arqueólogos no Egito. A estrutura pode ter sido fundamental em antigos rituais com água sagrada, acrescentando novas pistas sobre a religião e a arquitetura locais.

Como a descoberta revela um templo egípcio diferente de tudo o que se conhecia?

As escavações realizadas em Tell el-Farama, área da antiga cidade de Pelúsio, identificaram um complexo religioso de planta circular - algo incomum no leste do Delta do Nilo e distante do modelo predominante dos templos egípcios.

Num primeiro momento, parte do edifício chegou a ser entendida como a antiga sede do senado urbano. Contudo, com a escavação integral do conjunto, os especialistas redefiniram a interpretação: tratava-se, na verdade, de um relevante santuário religioso.

Estrutura pode ter sido usada em rituais com água sagrada

No coração do complexo há uma grande bacia circular com aproximadamente 35 metros de diâmetro. Ao seu redor, aparecem canais e reservatórios conectados a um antigo braço do Rio Nilo.

No interior da bacia, os arqueólogos registraram água e sedimentos do Nilo. Esse achado sustenta a hipótese de que o espaço era destinado a cerimônias ligadas ao deus local Pelússio, associado simbolicamente ao lodo e às águas do rio.

O que os arqueólogos encontraram no interior do santuário?

Os elementos identificados ajudam a esclarecer o funcionamento do templo e os motivos de ele ter sido visto como especial pelos habitantes da antiga cidade.

  • Bacia circular com cerca de 35 metros de diâmetro.
  • Base quadrada que, ao que tudo indica, servia de apoio para uma estátua monumental.
  • Canais hidráulicos distribuídos ao redor da construção.
  • Reservatórios ligados ao antigo curso do Nilo.
  • Marcas de água e lodo, sugerindo uso em práticas rituais.

De acordo com os pesquisadores, esse conjunto reforça a relação direta entre engenharia hidráulica e as práticas religiosas desenvolvidas em Pelúsio ao longo de vários séculos.

Como o templo permaneceu em uso durante quase 800 anos?

A leitura das camadas arqueológicas aponta que o templo foi erguido no século II a.C. e seguiu em funcionamento até perto do século VI d.C..

Esse período prolongado de uso indica que o santuário preservou sua relevância mesmo em meio a grandes transformações políticas, incluindo fases de influência grega e, depois, do Império Romano.

Como a arquitetura mostra um encontro entre diferentes culturas antigas?

Segundo os especialistas, o desenho arquitetônico combina traços das tradições do Egito Antigo com características de estilos grego e romano, sinalizando o forte intercâmbio cultural daquele contexto histórico.

Para além do aspecto religioso, a descoberta também reforça o papel estratégico de Pelúsio como cidade portuária, fortaleza e polo comercial, consolidando-a como um dos pontos mais importantes do nordeste do Egito na Antiguidade.

Por que essa descoberta pode mudar o entendimento sobre Pelúsio?

Os pesquisadores avaliam o achado como altamente relevante por trazer novas evidências sobre a importância religiosa e política da antiga cidade, cuja proximidade com o Nilo favorecia o contato e a circulação entre diferentes povos.

Com o encerramento das escavações, o templo passa a figurar entre as raríssimas estruturas circulares já registradas no Egito, abrindo espaço para novas investigações sobre cultos locais e sobre o uso simbólico da água em cerimônias antigas.


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