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Cidade para trabalhadores da mineração na cordilheira de San Juan avança com o projeto Vicuña

Equipe de engenheiros com capacetes e coletes revisando plantas em canteiro de obras nas montanhas.

A cidade para trabalhadores da mineração prevista para ser instalada na cordilheira de San Juan integra o projeto Vicuña, ligado ao avanço do cobre entre os depósitos Filo del Sol e Josemaría. O plano consiste em um amplo complexo modular em Batidero, desenhado para abrigar milhares de operários em uma área de alta montanha, com dormitórios, serviços internos e infraestrutura de apoio às obras.

Por que a China participará da construção em San Juan?

Essa etapa foi concedida a um consórcio formado por PowerChina, Beijing Chengdong e a argentina RAFA S.A. A PowerChina assumirá a gestão completa do contrato no formato EPC - isto é, engenharia, compras (procura) e construção - com entrega “chave na mão”.

Já a Beijing Chengdong ficará encarregada de produzir os módulos habitacionais, enquanto a RAFA S.A. executará atividades no local, incluindo movimentação de solo, fundações, montagem, instalações e obras complementares. A decisão levou em conta parâmetros técnicos, segurança, cronograma, capacidade de execução e custo.

Como será o complexo para os trabalhadores?

A proposta não é criar uma cidade convencional, com moradores permanentes e dinâmica urbana aberta. Na prática, a estrutura funcionará como um campamento minero de grande porte, projetado para receber equipes em regime de turnos, próximo às frentes de obra e às futuras áreas operacionais do empreendimento.

A fase agora adjudicada corresponde a aproximadamente 25% do campamento permanente planejado para Vicuña. Conforme noticiado pela imprensa local, esse trecho inclui 2.000 camas, além de toda a infraestrutura de apoio necessária para manter a rotina diária na cordilheira.

O que essa estrutura precisa ter para funcionar na alta montanha?

Um complexo desse tamanho precisa atender a demandas que qualquer cidade já enfrenta, porém em condições mais severas: frio, altitude, acesso restrito, logística de alimentos, fornecimento de energia, água, manutenção e deslocamento das equipes. Por isso, os módulos habitacionais devem chegar prontos ou semiprontos, diminuindo o tempo de instalação em campo.

  • Dormitórios para trabalhadores em regime de turno.
  • Áreas de alimentação, descanso e serviços internos.
  • Sistemas de energia, água, saneamento e comunicação.
  • Vias de acesso para veículos, máquinas e transporte de suprimentos.
  • Estruturas de segurança para operação em área remota de cordilheira.

Qual é a relação com o projeto Vicuña?

A própria empresa apresenta Vicuña como um distrito cuprífero de classe mundial, com a proposta de integrar os depósitos Filo del Sol e Josemaría. O cobre é o eixo econômico do projeto, associado à demanda por redes elétricas, veículos elétricos, infraestrutura de recarga e tecnologias vinculadas à transição energética.

As obras do campamento antecedem a operação plena da mina porque a infraestrutura precisa existir antes para sustentar a etapa de construção. Além desta fase em Batidero, a companhia informou que novas licitações devem avançar para concluir outras partes do complexo e levantar três campamentos conectados ao Corredor Norte.

Por que a obra gerou debate na indústria local?

A adjudicação ganhou destaque por interromper uma sequência recente de contratos vencidos por empresas de San Juan ou com participação local. Entidades de fornecedores demonstraram desconforto com a entrada de capital estrangeiro nesta etapa, enquanto a mineradora declarou que o contrato também contempla a contratação de mão de obra sanjuanina e estímulo à cadeia de valor local.

O episódio evidencia o volume de infraestrutura exigido pela mineração de cobre em alta cordilheira. Antes mesmo de iniciar a extração em escala, o projeto precisa estruturar alojamento, acessos, serviços e logística para milhares de pessoas, convertendo um ponto isolado de San Juan em uma base industrial organizada para operar como uma pequena cidade de trabalho.


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