A primeira coisa que você nota no Renault Mégane Coupé-Cabriolet novo não é o motor nem o acerto de suspensão - é o visual. Ele é o último da família a receber a frente “puxada e retocada” do facelift e, para alegria de quem adora rodar de óculos escuros na orla, traz um teto rígido de vidro retrátil.
E funciona: a cara de faróis grandes e a traseira volumosa são bem mais agradáveis do que no modelo anterior, e ainda por cima deixam rivais como Focus CC e 308 CC parecendo opções sem graça perto dele.
Isso ganha ainda mais peso por um motivo simples: não é um carro exatamente divertido de guiar. Para compensar a “lobotomia” do teto e os 160 kg extras, a Renault reforçou bastante o hatch do Mégane CC: as molas dianteiras e traseiras ficaram 13% e 17% mais rígidas, assim como amortecedores, barra estabilizadora e a viga do eixo traseiro. Mesmo assim, o controle de carroceria continua meio “mole”.
Com o teto aberto, ao costurar estradinhas apertadas, aparece - como era de se esperar - um pouco de tremedeira na carroceria (scuttle shake) e uma boa dose de subesterço. Você aponta a frente e as rodas dianteiras demoram a “morder”, de forma gradual; se exagerar, ele abre a trajetória e sai de frente. Não chega a ficar assustador, mas falta refinamento.
De teto fechado, o Mégane CC entrega níveis de aderência respeitáveis e passa uma sensação sólida, silenciosa e estável, porém continua com pouca precisão. De novo, o subesterço e um pouco de rolagem avisam quando você está chegando no limite.
Mantendo as rotações baixas, ele vira um conversível gostoso de usar no dia a dia, com bom conforto de rodagem. A direção tem uma zona morta no centro e não é fluida nem progressiva nas curvas; isso, somado ao acerto mais macio, pode deixar a condução um pouco distante.
Há algumas opções de motores: um 1.4 a gasolina de 130 bhp, um 1.4 e um 1.6 a diesel ou - o melhor do pacote - um 2.0 diesel com 160 bhp e torque suficiente para você rodar praticamente o dia inteiro em uma marcha só.
Se você escolher o 2.0 a gasolina de 140 bhp, ele vem com o novo câmbio automático EDC de série - uma caixa de dupla embreagem no estilo do DSG da Volkswagen, pensada para trocar rápido. Só que está bem longe de ser tão boa quanto o DSG. Dá para subir e reduzir pelo seletor (não há borboletas no volante) e ele costuma “pensar” um instante antes de engatar - chato quando você quer andar mais forte, mas pouco relevante para o público-alvo, que prefere passear sem pressa.
É justamente nesse espírito que o Mégane CC deve ser encarado. Há bastante espaço a bordo, os bancos são confortáveis e sobra um tiquinho de lugar atrás para as crianças. Além disso, o sistema TomTom integrado vem de série e, com o teto aberto, há pouca turbulência de vento até cerca de 100 km/h, mantendo a cabine tranquila.
Então, apesar do papo da Renault sobre molas mais rígidas e condução precisa, o que você leva para casa é um conversível confortável, macio e - o mais importante - muito bonito.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário