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Teste do Mercedes-Benz EQS SUV: mais espaço e mais apelo que o EQS

Carro SUV Mercedes-Benz EQS azul exibido em ambiente interno moderno e claro.

O Mercedes-Benz EQS SUV divide a base técnica com o EQS que já conhecemos, mas chega para dar aos elétricos topo de linha da marca alemã um reforço de imagem - trazendo justamente o componente de desejo que faltava ao sedã que já dirigimos.

Mesmo que a estratégia de nomenclatura não seja das mais inspiradas (basicamente acrescentaram “SUV” ao nome do modelo), é difícil negar que, em relação ao EQS, há uma evolução clara e muito bem-vinda.

Em proporções, a receita muda: o EQS SUV é mais alto (mais 20 cm) do que o sedã, porém também é mais curto (tem 5,13 m, menos 9 cm que o EQS). Essa diferença vem principalmente das extremidades da carroceria, que foram encurtadas - e isso explica quase todo o contraste visual entre as duas silhuetas.

Com a dianteira mais elevada, a coluna traseira mais robusta e uma linha de cintura que sobe no fim do perfil, o resultado fica mais coerente do que a frente muito afilada e o discreto “terceiro volume” do sedã EQS.

Espaço para (quase) tudo

Além do desenho mais acertado, o Mercedes-Benz EQS SUV tem outra vantagem enorme sobre o EQS “normal”: espaço interno.

Se os 610 l de porta-malas do EQS já chamavam atenção, os 645 a 880 l (dependendo da posição da segunda fileira) oferecidos pelo EQS SUV chegam perto de virar referência.

Para completar, o SUV elétrico da Mercedes-Benz pode ser configurado com uma terceira fileira de bancos (opcional), levando até sete passageiros - e ainda assim com 195 l de capacidade no porta-malas.

Pelo que pude verificar, na terceira fileira dá para acomodar com conforto passageiros de até 1,75 m; ainda assim, é claro que o melhor lugar para viajar é a segunda fileira.

Quando me sentei ali, percebi que o espaço oscila entre o “enorme” e o “suficiente” para alguém com 1,80 m. E o assoalho totalmente plano ajuda muito, garantindo liberdade total para mover as pernas.

Apesar disso, nem tudo no Mercedes-Benz EQS SUV é motivo de elogio. Ao colocá-lo lado a lado com os topo de linha a combustão da Mercedes-Benz, o padrão de acabamento não é equivalente - e alguns “mimos” simplesmente não aparecem.

Um exemplo: no EQS SUV, a parte traseira dos encostos dos bancos é revestida em plástico, solução comum em carros bem mais baratos.

Outro ponto: enquanto no Classe S os apoios de cabeça da segunda fileira têm ajuste elétrico, no EQS SUV o ajuste é manual.

Mais difícil ainda de justificar é a ausência de cortinas nas janelas das portas traseiras - especialmente porque o “irmão” do EQS SUV, o EQS, oferece esse item.

Sobre o interior impactante, admito que aqui entra mais gosto pessoal do que defeito objetivo: se você não quiser ficar tonto com tanta informação do Hyperscreen MBUX - a tela gigantesca de 1,41 m de largura -, é melhor escolher o painel de instrumentos digital com tela central, mais discreto e com menos repetição de dados.

De quebra, essa escolha também evita os cerca de 8000 euros cobrados pela tela que praticamente vai de coluna a coluna e faz as vezes de painel do EQS SUV.

Um gigante ágil

Como já mencionei, Mercedes-Benz EQS SUV e EQS são “gêmeos” que só mudam de carroceria - e isso aparece claramente no chassi e no conjunto de propulsão.

Assim, o EQS SUV usa suspensão independente nas quatro rodas; a diferença fica por conta de calibrações específicas de geometria, necessárias por causa das novas proporções do SUV.

A suspensão pneumática Airmatic e os amortecedores com ajuste eletrônico variável são itens de série em todas as versões, assim como o eixo traseiro direcional.

Esse sistema permite que as rodas traseiras esterçem 4,5º, favorecendo estabilidade em alta velocidade, manobras no uso urbano e agilidade em estradas sinuosas - e os benefícios ficam muito claros ao dirigir o EQS SUV.

Não se limita ao asfalto

Com quatro modos de condução - Eco, Comfort, Sport e Individual -, o Mercedes-Benz EQS SUV oferece, nas versões 4MATIC como a que testamos, um programa extra voltado ao uso fora de estrada.

Obviamente, isso não transforma o EQS SUV em um candidato ao Rali Dakar. Ainda assim, no modo “Offroad” dá para sair do asfalto sem medo de encalhar no primeiro monte de areia.

Para começar, esse modo libera um menu específico no painel, com bússola, informação de altura livre do solo, tração, profundidade ao atravessar um curso d’água e uma câmera especial para mostrar o que existe por baixo do EQS SUV.

Além disso, ao selecionar “Offroad”, a altura livre do solo aumenta 25 mm - chegando a 200 mm - e permanece assim até 80 km/h. Acima dessa velocidade, o carro baixa automaticamente; depois, volta a subir quando reduzimos até 50 km/h.

Três versões, uma só bateria

Na fase inicial de vendas, o EQS SUV será oferecido em três versões: 450+ com tração traseira; 450 4MATIC com tração integral; e 580 4MATIC, também com tração integral.

No EQS 450+ temos 265 kW (360 cv) e 568 Nm. Já o EQS 450 4MATIC mantém os 265 kW (360 cv), mas o torque sobe para 800 Nm. Por fim, no EQS SUV 580 4MATIC são 400 kW (544 cv) e 858 Nm.

Seja qual for a versão, o EQS SUV sempre usa uma bateria com 107,8 kWh de capacidade útil. Por isso, o EQS 450+ SUV acaba sendo o campeão de alcance: até 671 km, segundo a Mercedes-Benz.

No EQS 580 4MATIC SUV que testamos, a autonomia declarada é de 609 km. É verdade que esses números ficam abaixo dos do sedã, mas vale lembrar que ele é mais baixo, mais leve e mais aerodinâmico.

Ao volante do Mercedes-Benz EQS SUV

Como o modelo é fabricado no Alabama, nos EUA, o teste do EQS SUV aconteceu também em território americano - até porque as primeiras unidades só começam a chegar à Europa no fim deste ano.

Nos primeiros quilômetros, voltei a sensações familiares de EQS e EQE: direção bem direta, que transmite a estrada com clareza e vai ficando mais pesada conforme saímos dos modos Eco e Comfort e entramos no Sport.

A lógica se repete na suspensão, dependendo do modo escolhido: em “Comfort”, o carro filtra melhor os impactos; já em estradas sinuosas com asfalto mais regular, o modo “Sport” conseguiu controlar melhor a rolagem da carroceria.

De toda forma, para um carro que custa mais de 160 000 euros nesta versão, considero que as barras estabilizadoras ativas deveriam ser item de série, e não opcionais. Assim, seria possível combinar uma calibração mais confortável de suspensão com movimentos de carroceria mais bem contidos em curva.

Pesado, mas rápido

Mesmo com 2,8 toneladas, o EQS 580 4MATIC SUV entrega desempenho de sobra, como mostram os 4,6s no 0 a 100 km/h e os 210 km/h de velocidade máxima.

Em curvas, a impressão é de uma agilidade muito maior do que o bom senso sugeriria - mérito do eixo traseiro direcional, que ajuda a manter a trajetória em qualquer contorno, especialmente nos mais fechados.

O isolamento acústico em cruzeiro acima dos 100 km/h também merece destaque, evidenciando o cuidado nesse aspecto. Afinal, sem motor a combustão, o ruído de pneus no asfalto e do ar ao redor do carro tende a ficar naturalmente mais perceptível.

Ainda sobre som: pessoalmente, não gosto dos efeitos sonoros digitais disponíveis no EQS SUV, que alternam entre frequências “gráficas” de naves espaciais e roncos nada simpáticos de Transformers, dependendo de um dos três programas selecionados.

Regenerar é a melhor forma de frear

O trecho urbano foi útil para experimentar os níveis de recuperação de energia. Dá para alternar entre três intensidades de frenagem regenerativa (D+, D e D-), selecionadas pelas aletas no volante, ou simplesmente deixar o sistema agir sozinho em “DAuto”.

Na posição “DAuto”, o carro ajusta automaticamente a regeneração com base em variáveis como a presença de veículos à frente e a diferença entre a velocidade de rodagem e o limite legal.

O nível mais leve (D+) deixa o veículo “solto”, como se estivesse em neutro; já o mais intenso (D-) permite dirigir quase sem tocar no pedal da esquerda - com duas vantagens claras.

A primeira é poupar o motorista do pedal de freio, ao qual a Mercedes-Benz ainda não conseguiu dar resposta realmente progressiva (o primeiro terço do curso quase não reduz a velocidade). A segunda é aumentar a recarga da bateria.

Aqui, cabe registrar que, no teste de cerca de 120 km, o consumo médio observado ficou mais perto do máximo declarado - 24,2 kWh/100 km - do que do mínimo, uns mais frugais 20,2 kWh/100 km. Assim, a autonomia verificada ficou próxima de 500 km.

Especificações técnicas

Mercedes-Benz EQS 580 4MATIC SUV

Item Dados
MOTOR ELÉTRICO
Motor 2 motores elétricos, um por eixo
Potência Máxima combinada: 400 kW (544 cv)
Torque Máximo Combinado: 858 Nm
BATERIA
Tipo Íons de lítio
Capacidade Total: N.D.; Útil: 107,8 kWh
TRANSMISSÃO
Tração Às 4 rodas
Caixa de velocidades Caixa redutora com uma relação (uma por motor)
CHASSIS
Suspensão FR: Independente de 4 braços; TR: Independente Multibraços;
Freios FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados
Direção/Diâmetro de giro Assistência elétrica; 11,9 m e 11 m c/ eixo traseiro direcional a 4,5º e 10º, respetivamente)
N.º de voltas do volante N.D.
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt. 5125 mm x 1959 mm x 1718 mm
Entre eixos 3210 mm
Porta-malas 645 a 2100 l (7 lugares: 195/565/2020 l)
Massa 2805 kg (estimado)
Rodas 275/45 R21
DESEMPENHO, CONSUMOS, EMISSÕES
Velocidade máxima 210 km/h
0-100 km/h 4,6s
Consumo combinado 24,3-20,2 kWh/100 km
Autonomia 609 km
Emissões CO₂ 0 g/km
Carregamento
Potência de carga máxima DC 200 kW
Potência de carga máxima AC 11 kW (22 kW opcional)
Tempos de carga 10-100%, 11 kW (AC): 10h;
10-100%, 22 kW (AC): 5h;
0-80%, 200 kW (DC): 31min.

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