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Ford e Grupo Renault apostam em EREV como ponte para a eletrificação na Europa

Carro esportivo elétrico branco futurista exibido em ambiente interno moderno com iluminação destacada.

O impasse sobre uma eletrificação 100% na União Europeia segue dividindo consumidores e montadoras. Ainda assim, a Ford e o Grupo Renault enxergam nos EREV (elétricos com extensor de autonomia) uma alternativa com espaço para crescer.

Embora a solução não seja novidade, o destaque recente é - sobretudo depois do impulso que os EREV vêm ganhando na China. Por isso, a indústria automotiva europeia acompanha de perto como esses modelos estão evoluindo e sendo aceitos.

No congresso anual da Automotive News Europe, Jim Baumbick, presidente da Ford na Europa, classificou a tecnologia como “transformadora”. No mesmo evento, François Provost, diretor-executivo do Grupo Renault, endossou a ideia com um argumento prático: “Para carros grandes, é bom ter híbridos plug-in ou EREV, porque é completamente insensato ter carros de 2,5-2,7 toneladas a circular diariamente pelas ruas da cidade.”

EREV como transição

Para Baumbick (Ford), tentar impor uma mudança brusca rumo ao elétrico puro desconsidera a realidade de muitos compradores. Na visão dele, o caminho mais realista é uma transição em etapas, na qual os EREV funcionam como ponte: “É preciso reconhecer os problemas, as dificuldades e os desafios que enfrentam. Os clientes podem precisar de duas etapas”, afirmou.

A montadora norte-americana sustenta que tanto os EREV quanto os híbridos plug-in devem integrar a estratégia futura de eletrificação na Europa, especialmente com a aproximação de 2035 - quando a meta de redução de CO2 terá de ficar 90% abaixo dos níveis de 2021.

Provost (Renault) acrescentou que um EREV pode entregar até 200 km de autonomia elétrica - suficiente para o deslocamento urbano do dia a dia -, deixando o motor a combustão para entrar em ação apenas em viagens mais longas.

As dúvidas dos híbridos plug-in

O interesse crescente pelos EREV não acontece por acaso. Ele aparece justamente enquanto os híbridos plug-in acumulam críticas, mesmo com as vendas em trajetória de alta.

Um relatório da Comissão Europeia concluiu que essas tecnologias emitem, em uso real, 350% mais CO2 do que os números homologados. A explicação apontada é simples: muitos proprietários não recarregam o veículo com a frequência necessária.

Mudanças no WLTP e impacto em consumo e CO2

Para enfrentar essa distorção, a Comissão decidiu implementar duas correções na certificação (WLTP) de consumo e emissões para híbridos plug-in. A primeira já começou a valer (2025-2026) e a segunda será aplicada em 2027-2028; em ambos os casos, a mudança reduz a proporção presumida de quilômetros rodados em modo elétrico. Com isso, os valores oficiais de CO2 e de consumo sobem.

Diante desse cenário, diversas montadoras vêm postergando investimentos em híbridos plug-in e buscando alternativas, como os elétricos com extensor de autonomia.

Baumbick (Ford) avalia que o problema não está na tecnologia em si, e sim na falta de incentivos adequados. Ele citou a Suécia como caso de sucesso: no país nórdico, um pacote de vantagens fiscais - de isenções para carros de empresa a recarga gratuita no local de trabalho - elevou a taxa de uso elétrico dos híbridos plug-in da Ford para 70%, contra 10% a 20% observados no Reino Unido.

“Os veículos elétricos fazem parte do nosso portfólio, sem dúvida, mas uma gama mais ampla de eletrificação, desde híbridos completos (híbrido completo) e híbridos plug-in, até EREV de próxima geração, desempenhará um papel muito importante”, concluiu o executivo.

Estratégia multi-energia da Ford com EREV na Europa

Na Europa, a Ford diz apostar em uma abordagem “multi-energia”, na qual alguns dos modelos previstos podem inclusive derivar de uma base técnica da Renault. Entenda o que está em jogo:


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