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Cadillac Lyriq: o SUV 100% elétrico que inaugura uma nova era

Carro elétrico azul Cadillac Lyriq EV estacionado em showroom moderno com cidade ao fundo.

O Cadillac Lyriq simboliza o começo de um novo momento para a marca norte-americana. Depois do insucesso dos seus híbridos plug-in - CT6 e ELR ficaram menos de três anos em linha - o Lyriq passa a ter um papel decisivo.

Trata-se, na prática, do primeiro capítulo dessa virada. Dá para perceber o quanto a divisão de luxo da General Motors está orgulhosa do Lyriq: é difícil esconder e fácil entender.

Afinal, este SUV de linhas elegantes é o primeiro Cadillac 100% elétrico da história e também o primeiro produto realmente capaz de encarar a Tesla no seu “território favorito”: os carros elétricos.

Só que a proposta do Lyriq não se limita a se apresentar como alternativa aos Tesla Model Y e Model X. O novo SUV da Cadillac também mira a concorrência alemã bem armada, com nomes como Audi e-tron e BMW iX.

Começar com uma homenagem

O nome do modelo (“lyric” significa “letra de música”) é uma referência aos compositores que, ao longo do último século, ajudaram a tornar “Cadillac” uma das marcas mais citadas em músicas dos mais variados estilos.

Já a designação 450E diz respeito ao torque (arredondado, porque os 440 reais não “soam tão bem”). E há um detalhe curioso: o torque é apresentado em newton-metro, e não em libra-pé, que é a unidade padrão nos EUA.

Tamanho mais “europeu”

O primeiro elogio (e ele é merecido) vai para o desenho externo, bem mais sofisticado e com proporções menos exageradas do que as do Escalade.

Na frente, chama atenção a enorme grade metálica, que se ilumina quando os faróis são acionados. Indo para a traseira, a coluna C integrada à área envidraçada da tampa do porta-malas lembra um pouco o Jensen Interceptor. Já as finas lanternas verticais em LED nas extremidades da carroceria (as horizontais são as dos “piscas”) causam estranhamento no começo, mas depois acabam agradando.

Na prática, o estilo do Lyriq fica mais interessante quanto mais tempo a gente passa observando, muito por “culpa” da dianteira, que além de transbordar personalidade pode até intimidar quem vê o Lyriq chegando.

À grande e à americana

Por dentro, este crossover de 5 metros de comprimento aposta em soluções de forte impacto visual, bem “à grande e à americana”.

Essa “mania de grandeza” aparece logo na imensa tela de 33” que reúne quadro de instrumentos e central multimídia, fazendo muitos painéis digitais de modelos europeus parecerem relógios/despertadores dos anos 80.

No banco traseiro, a falta do túnel de transmissão garante ótima liberdade para as pernas. A habitabilidade em largura e em comprimento é farta (a distância entre-eixos de 3,10 m ajuda), mas o espaço para a cabeça fica um pouco comprometido pelo desenho mais inclinado do teto.

No porta-malas, são 793 litros de capacidade. Diferentemente de alguns rivais, não há compartimento sob o capô dianteiro: esse espaço foi reservado para o carregador de bordo e para o segundo motor elétrico de uma futura versão 4×4.

Qualidade em alta

O nível de acabamento e a sensação geral de qualidade são bons: não ficam muito atrás dos alemães e deixam a Tesla “a quilômetros” nesse quesito. Um destaque aqui vai para a combinação de madeira com inserções metalizadas, que funciona muito bem.

Na ergonomia, a Cadillac acertou ao manter controles físicos do ar-condicionado e ao posicionar os comandos do banco nas portas. Mesmo assim, fica a impressão de que há instruções demais que dependem dos menus da multimídia - como na abertura do porta-luvas, cujo comando sensível ao toque exige um pouco de paciência para encontrar.

Esses comandos também podem ser feitos por voz, com base Android (as frases começam com “Hey Google”), e há conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, mas apenas com cabo - algo difícil de justificar em um modelo premium.

Para fechar, não faltam espaços para objetos: vale citar os bolsões grandes nas portas e a área sob a “ponte” central entre os bancos dianteiros.

Números “modestos”

Com preço inicial por volta de 60 000 dólares (o valor cobrado nos EUA pela edição de lançamento), o Cadillac Lyriq chama atenção pela lista de itens de série bem completa.

Ainda assim, o maior choque vem do conjunto mecânico: um único motor elétrico montado no eixo traseiro, com “apenas” 347 cv e 440 Nm. Esses números fazem com que o Lyriq, com 2,5 toneladas, consiga encarar apenas as versões menos potentes dos concorrentes.

Com “disparo” bem mais contido nas acelerações intermediárias, o Lyriq mostra na prática o que a potência “modesta” entrega: 0 a 96 km/h em 6,1 segundos e 0 a 400 metros em 14,6 segundos.

Ao volante do Cadillac Lyriq

Um toque no botão acorda o sistema de propulsão elétrica. Em seguida, basta colocar a alavanca do câmbio (instalada na coluna de direção) em “D” e seguir.

De cara, o Lyriq se destaca pela calma típica do silêncio de um elétrico - aqui reforçada pelo sistema opcional de cancelamento de ruído, que usa sensores de vibração perto de cada roda para identificar a frequência dos sons prestes a entrar na cabine e compensá-los com alto-falantes embutidos nos encostos de cabeça.

Sobre os modos de condução, no total são quatro: “Tour” (prioriza conforto), “Sport” (traz maior eficácia), “Snow/Ice” (limita a entrega de torque) e “My Mode”, que pode ser configurado.

Em velocidades mais altas, o Cadillac Lyriq se mostra um bom carro para viagens, incentivando a tranquilidade a bordo. Sem arrancadas brutais que comprimem os ocupantes contra os bancos, ele oferece uma sensação de fluidez que passa confiança - algo sempre bem-vindo em um veículo de proposta familiar.

A suspensão independente multibraços nos dois eixos contribui para essa percepção e, mesmo em estradas rurais mal conservadas, o Lyriq mantém a compostura, inclusive ao cruzar juntas entre placas de concreto ou lombadas.

Em algumas acelerações laterais, ele balança mais do que rivais europeus - um traço típico de carros americanos. Como a unidade testada usava rodas de 22”, dá para supor que esse comportamento fique ainda mais evidente com as rodas de 20” de série.

Curiosamente, não há sinais de amortecedores eletrônicos variáveis nem suspensão a ar - um campo em que a Cadillac tem grande experiência. A escolha, portanto, foi por soluções mais simples no chassi e nas ajudas eletrônicas.

Como não existe eixo traseiro direcional, o diâmetro de giro deste crossover é de 12,1 metros, o que reduz a facilidade de manobra em cidades mais congestionadas.

O pedal de freio consegue combinar de forma razoável a frenagem regenerativa com a mecânica, embora sofra da conhecida falta de “sensibilidade” típica da maioria dos elétricos, especialmente os mais pesados. Já a direção poderia ser mais direta e comunicativa, em particular no modo “Sport”.

O nível de regeneração pode ser regulado em três níveis - alto, baixo e desligado - e ainda é possível alterar a regeneração independentemente do nível selecionado. No nível mais alto, na “condução com um único pedal”, a desaceleração pode chegar a 0,3 g.

A bateria instalada em posição baixa e integrada à estrutura do carro diminui o centro de gravidade e aumenta a rigidez; da mesma forma, o posicionamento central ajuda a deixar a distribuição de peso quase equilibrada entre dianteira e traseira.

E já que o assunto é bateria: ela tem 12 módulos, cada um com 24 células de íons de lítio, totalizando 102 kWh de capacidade (utilizável).

Até 500 km de autonomia

Considerando a capacidade da bateria, o Cadillac Lyriq deve ser capaz de rodar até 500 km com uma única carga. Na hora de recarregar, pode receber até 190 kW em corrente contínua (DC) ou ser carregado em uma wallbox residencial a 19,2 kW.

Sem o sistema de duas tensões do Hummer (400V/800V), o Cadillac Lyriq opera apenas em 400V e, na potência máxima (190 kW DC), consegue repor 80% da carga em meia hora. Já em uma tomada residencial norte-americana, com 120V e 15A, o tempo pode chegar a… três dias!

Mais adiante, está prevista uma versão 4×4 com dois motores elétricos, que entregará 507 cv.

No início, a produção acontecerá apenas na fábrica principal da Cadillac, em Spring Hill, no Tennessee - onde a GM investiu dois bilhões de dólares para converter a planta para a fabricação de veículos elétricos.

Especificações técnicas

Item Dados
Cadillac Lyriq
MOTOR ELÉTRICO
Posição Traseiro
Potência Total: 160 kW (218 cv)
Torque 440 Nm
BATERIA
Tipo Íons de lítio
Capacidade 102 kWh
TRANSMISSÃO
Tração Traseira
Caixa de velocidades Caixa redutora com uma relação
CHASSIS
Suspensão FR: Independente Multibraços; TR: Independente Multibraços
Freios FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados
Direção/Diâmetro de giro Assistência elétrica variável/12,1 m
Nº de voltas no volante N.D.
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt. 4996 mm x 2207 mm x 1623 mm
Entre-eixos 3094 mm
Porta-malas 793 a 1723 l
Massa 2545 kg
Rodas 275/40 R22
DESEMPENHO, CONSUMOS, EMISSÕES
Velocidade máxima 190 km/h
0-96 km/h 6,1s
Consumo combinado N.D.
Autonomia até 502 km
Emissões combinadas de CO₂ 0 g/km
Carregamento
Potência máxima de carga DC 190 kW
Potência máxima de carga AC 19,2 kW
Tempos de carga 7,7 kW (AC): até 34 km em uma hora
11,5 kW (AC): até 84 km em uma hora
19,2 kW (AC): até 84 km em uma hora
190 kW (DC): até 80% em 30 min; 122 km em 10 min

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