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A anchoveta peruana e seu impacto na indústria global de farinha e óleo de peixe

Jovem em barco mostrando cinco peixes com mar, gaivotas e outros barcos ao fundo.

A anchoveta peruana é um peixe de pequeno porte que forma cardumes gigantes no Pacífico e ajudou a colocar o Peru entre os principais nomes da pesca global. Registrada pelo nome científico Engraulis ringens, a espécie é capturada sobretudo para a fabricação de farinha de peixe e óleo de peixe - insumos muito usados na formulação de rações para aquicultura e para a criação de animais.

Por que a anchoveta é encontrada em grandes quantidades no Peru?

A faixa costeira do Peru é influenciada pela corrente de Humboldt, que leva para a região águas frias e carregadas de nutrientes. Essa dinâmica estimula a proliferação do fitoplâncton, base da cadeia alimentar no ambiente marinho e alimento central para a anchoveta.

Com comida disponível em grande volume, cardumes imensos se agrupam perto do litoral do Peru e do Chile. Essa alta produtividade fez com que a pesca da espécie se tornasse uma das maiores do mundo em volume.

Como o pequeno peixe é transformado em farinha e óleo?

Após o desembarque, a anchoveta é encaminhada rapidamente para instalações industriais, onde passa por etapas de cozimento, prensagem, separação de líquidos e secagem. Desse processamento saem dois produtos finais com propriedades distintas:

  • a farinha de peixe concentra proteínas e aminoácidos;
  • o óleo de peixe é fonte de gorduras, incluindo ácidos graxos ômega 3;
  • a parte sólida é moída até atingir granulação fina;
  • a fração líquida segue para etapas de separação e purificação;
  • ao final, os produtos são estocados com foco na exportação.

Por que o Peru ganhou tanta importância nesse mercado?

O Peru combina cardumes volumosos com uma estrutura já montada: frota pesqueira, portos e fábricas distribuídas ao longo da costa. Em temporadas com boas capturas, o país representa cerca de 20% da produção mundial de farinha e óleo de peixe, o que faz com que mudanças na temporada peruana influenciem preços e níveis de estoque no mercado internacional.

A maior fatia do que é produzido segue para países com aquicultura intensa. A farinha e o óleo entram nas dietas de salmões, camarões e outras espécies cultivadas, ainda que a indústria também recorra a proteínas vegetais, subprodutos de origem animal e outras alternativas de ingredientes.

Quais fatores ameaçam a pesca da anchoveta?

A disponibilidade desse peixe oscila de acordo com a temperatura do mar, a oferta de alimento e a proporção de indivíduos jovens presentes nos cardumes. Por esse motivo, a atividade depende de acompanhamento científico e de limites de captura.

  • o fenômeno El Niño eleva a temperatura da água e diminui a chegada de nutrientes;
  • os cardumes podem se deslocar para áreas mais profundas ou mais distantes;
  • a retirada de juvenis compromete a reposição do estoque;
  • temporadas ruins derrubam a produção industrial;
  • quotas e interrupções temporárias contribuem para proteger a população.

Um peixe pequeno com influência sobre a aquicultura mundial

O peso da anchoveta no setor não está no tamanho de cada indivíduo, e sim na enorme quantidade associada ao ecossistema da corrente de Humboldt. Quando as capturas no Peru caem, a oferta global de farinha e óleo também sente o efeito - como aconteceu em 2023, quando a menor disponibilidade da espécie ajudou a provocar quedas expressivas nesses mercados.

O grande desafio peruano é manter a relevância econômica sem extrair mais peixes do que o oceano consegue repor. Monitoramento científico, proteção dos juvenis e quotas ajustadas às condições marinhas são essenciais para que a anchoveta siga sustentando fábricas, empregos e uma cadeia internacional de produção de alimentos.


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