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Volvo EX60 em Estocolmo marca o retorno de Håkan Samuelsson e Thomas Ingenlath

Carro elétrico branco Volvo estacionado em ambiente interno moderno e iluminado.

A revelação do novo SUV EX60, em Estocolmo, foi além de um lançamento de produto: serviu como sinal público de confiança no rumo da Volvo, impulsionado pelo retorno de duas figuras centrais da história recente da marca. O ex-CEO Håkan Samuelsson voltou ao comando e, junto dele, reapareceu o designer Thomas Ingenlath, responsável por consolidar a linguagem visual contemporânea do fabricante sueco.

A emoção de Ingenlath era visível tanto na expressão quanto no que disse. “Faz realmente muito bem estar de volta”, comentou na quarta-feira, 21 de janeiro, em Estocolmo, ao lado do EX60 - um SUV elétrico novo que, apesar disso, não foi desenhado por ele.

Diante de várias centenas de jornalistas de diferentes países, a Volvo formalizou a recomposição do seu time. Ingenlath - autor de modelos da marca entre 2012 e 2017 (S90, V90, XC40, XC60, XC90) - fazia sua primeira aparição pública antes do retorno oficial, previsto para 1º de fevereiro. Durante a ausência, ele comandou a complexa fase de criação da Polestar e depois se afastou para atuar como consultor de design da controladora chinesa Geely.

Retorno de Håkan Samuelsson e Thomas Ingenlath na Volvo

Ao seu lado, Håkan Samuelsson já estava em plena atividade. Reconvocado pelo conselho de administração após ter deixado o cargo em 2022, ele havia sido substituído pelo escocês Jim Rowan, um perfil mais voltado a tecnologia e negócios. Mesmo com um tom mais institucional, Samuelsson também demonstrou entusiasmo: “Estou muito feliz por poder estar aqui, para recebê-los neste evento tão especial esta noite”.

Entre a saída e o retorno de Samuelsson, a Volvo enfrentou questionamentos semelhantes aos dos concorrentes sobre a transição para os elétricos. Sob Rowan, a principal meta anunciada pela marca - parar de vender motores a combustão após 2030 - foi colocada em segundo plano.

Volvo EX60: “novo começo”, 810 km de autonomia e recarga de 370 kW

No palco, Samuelsson fez questão de reafirmar o que chamou de “escolha corajosa” da Volvo em veículos elétricos, usando o EX60 como símbolo de um “novo começo”. O SUV promete 810 km de autonomia e recarga de até 370 kW, apoiado por uma nova plataforma SPA3, que adota arquitetura de 800 volts e um método de fabricação descrito como mais rápido e mais econômico.

Esse “novo começo”, anunciado por Håkan Samuelsson em Estocolmo para o EX60, também remete ao retorno do duo Ingenlath–Samuelsson. Embora o designer ainda não estivesse oficialmente de volta à Volvo, é provável que o CEO tenha tido papel importante para convencê-lo a reassumir um lugar na equipe.

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“Vencer é divertido”

A fala de Thomas Ingenlath soou como um reencontro com as origens. Sueco por adoção, ele trata o país da Volvo como o país dos seus filhos: “Tive um flashback; uma pequena história dos nossos começos quando nos mudamos para a Suécia, e nossos filhos ainda eram pequenos”.

Para traduzir esse estado de espírito, ele contou uma lembrança de uma viagem de Gotemburgo ao sul da Europa. Ao chegarem, ele jogava futebol com as crianças de outra família quando um menino chamado Tobius, irritado por não conseguir marcar, respondeu à esposa de Ingenlath - que tentava consolá-lo dizendo que o placar não era tão importante - com a frase: “Mas vencer é divertido”. Para ele, o episódio resume a atitude que pretende reforçar dentro da Volvo.

Para o jornalista Mark Tisshaw, da Autocar, a parceria Samuelsson–Ingenlath definiu a fase mais vitoriosa da Volvo: “Os carros desenhados por Ingenlath eram lindos e a marca registrou resultados recordes por seis anos consecutivos sob a liderança de Samuelsson”.

Problemas com EX90 e EX30 e o impacto nos números de 2025

Ainda assim, os últimos anos foram mais turbulentos. O lançamento do EX90 em 2024 expôs fragilidades: falhas de software adiaram a chegada ao mercado e irritaram clientes e jornalistas. Alguns meses antes, o EX30 foi elogiado pelo estilo e pela condução, mas recebeu críticas pelo aumento de monitoramento e alertas de segurança a bordo, pela falta de instrumentos atrás do volante e por um desempenho abaixo do esperado em recarga e autonomia.

Os resultados financeiros da Volvo em 2025 refletiram esses tropeços. O ano foi marcado por pressão econômica, apesar de iniciativas de corte de custos e reestruturação. Em maio de 2025, o grupo anunciou a eliminação de 3000 postos de trabalho (mais de 2000 na Suécia).

Com o retorno de Ingenlath, a Volvo busca recuperar a fórmula que associava disciplina e design atraente. O desafio, porém, é claro diante de rivais fortes, como a BMW e o iX3, que consegue competir com modelos híbridos e a combustão. Mark Tisshaw, por sua vez, relativiza o efeito imediato: “Considerando os longos ciclos de desenvolvimento na indústria, não veremos plenamente os efeitos do retorno deles antes de algum tempo”.

O roteiro dos próximos passos ainda não está totalmente definido. A Volvo precisará expandir a nova plataforma SPA3, possivelmente para modelos mais acessíveis como o EX30, e direcionar mais a linha para sedãs. Uma nova decisão corajosa.

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