A consolidação da aviação comercial na Coreia do Sul entrou na sua fase decisiva: em 13 de maio de 2026, os conselhos de administração da Korean Air e da Asiana Airlines deram aval ao acordo final de fusão que culminará na incorporação integral da segunda pela primeira.
A assinatura do contrato formal está marcada para 14 de maio, encerrando um processo de integração que se arrastou por mais de cinco anos e que deve criar uma das dez maiores companhias aéreas do planeta em tráfego internacional de passageiros e carga.
Cronograma da fusão Korean Air e Asiana Airlines e relação de troca
Conforme informou o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN, a partir de 17 de dezembro de 2026 a Asiana deixará de existir tanto como marca quanto como empresa independente. Com isso, todos os ativos, passivos, direitos e colaboradores serão transferidos para a Korean Air.
No componente societário, a relação de troca foi definida em 0,2736432 ações da Korean Air para cada ação da Asiana. Na prática, isso equivale a os acionistas da companhia absorvida receberem 1 nova ação da empresa remanescente a cada 3,65 ações que detêm atualmente.
Integração operacional: frota combinada, Incheon como hub e AOC único
Além de reduzir a complexidade do transporte aéreo na península, a operação fortalece o Aeroporto Internacional de Seul-Incheon como um hub global de alta eficiência. Somadas, as frotas chegam a cerca de 248 aeronaves - reunindo os 165 jatos da Korean Air com os 83 da Asiana. Esse porte tende a facilitar a otimização de malha, com corte de sobreposições em rotas de longa distância e melhoria das conexões de trânsito no nordeste asiático.
Um ponto técnico central neste estágio final é a consolidação sob um único Certificado de Operador Aéreo (AOC). A Korean Air já deu início aos procedimentos com o Ministério da Terra, Infraestrutura e Transporte (MOLIT) para harmonizar padrões de segurança e protocolos operacionais. O trâmite é determinante para que aeronaves ainda com a pintura cinza e magenta da Asiana possam voar legalmente dentro das regras de segurança da transportadora de bandeira.
Também é esperada a ampliação da capacidade de MRO (Manutenção, Reparo e Operações) para dar suporte à frota unificada, que vai de modelos como os Airbus A350 da Asiana até os Boeing 787 da Korean Air.
Impactos para passageiros, programas de fidelidade, finanças e LCC
Para quem voa com frequência, a alteração mais sensível será no posicionamento em alianças globais: a Asiana sairá de forma definitiva da Star Alliance. A empresa confirmou que bilhetes emitidos com milhas de parceiros da Star Alliance não poderão ser reservados para voos após 1º de dezembro de 2026. A companhia formada pela fusão atuará exclusivamente na SkyTeam, reforçando a aliança que a Korean Air ajudou a fundar em 2000.
No campo da fidelidade, o SKYPASS passará a absorver os integrantes do Asiana Club. Para diminuir atritos na migração de status, foi criada a categoria Morning Calm Select, desenhada especificamente para equiparar os benefícios dos níveis Diamond Plus e Platinum da Asiana dentro da estrutura SkyTeam Elite Plus.
A integração ainda equaciona um peso relevante para o Estado sul-coreano. Durante a fase de aquisição, a Korean Air conseguiu reorganizar as finanças da concorrente e devolveu integralmente os 3,6 trilhões de wones (aproximadamente US$ 2,42 bilhões) em recursos públicos que o governo havia aportado na Asiana após a crise sanitária de 2020.
Na frente trabalhista, o acordo prevê que os funcionários da Asiana receberão um reajuste para se adequar aos parâmetros salariais da Korean Air, com aumento médio de 32%. Apesar disso, seguem desafios na conciliação das listas de antiguidade - sobretudo entre pilotos -, tradicionalmente o tema de maior tensão em fusões desse porte.
O segmento de companhias aéreas de baixo custo (LCC) também passará por redesenho. As subsidiárias Jin Air, Air Busan e Air Seoul serão reunidas em uma única “Mega LCC”, que operará sob a marca Jin Air. A projeção é que essa integração paralela seja finalizada no primeiro trimestre de 2027, concentrando as operações regionais e elevando a conectividade entre aeroportos secundários da Coreia do Sul e destinos no Sudeste Asiático e no Japão.
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