Ele identifica placas de veículos - e também os objetos digitais associados a elas.
Para defensores das liberdades individuais e para quem preza pela privacidade, a ideia soa como um verdadeiro pesadelo. A empresa norte-americana Leonardo apresentou o SignalTrace, um equipamento que, à primeira vista, funciona como um leitor de placas de identificação veicular.
Essa categoria de tecnologia já é empregada por forças de segurança na Europa, mas a proposta do SignalTrace vai além: detectar uma “impressão digital eletrônica” exclusiva e rastreável vinculada aos motoristas, com o objetivo de apoiar investigações.
Como o SignalTrace funciona na prática
Conforme explica o Les Numériques, hoje ainda é possível enganar certos sistemas simplesmente trocando a placa do carro. O SignalTrace, porém, promete superar esse tipo de drible porque consegue localizar dispositivos conectados dentro do veículo - como celulares, notebooks, relógios inteligentes e fones Bluetooth - e até sensores de pressão dos pneus.
A partir disso, o algoritmo consegue associar esses aparelhos a uma determinada placa e gerar a impressão digital eletrônica do condutor, tornando possível acompanhá-lo de forma contínua. Em outras palavras, mudar a placa ou até trocar de veículo não resolveria. Como observam os colegas, ainda assim é difícil imaginar a implantação desse sistema na Europa, considerando as regras de proteção de dados pessoais.
Privacidade e restrições de dados na Europa
O ponto mais sensível é justamente o potencial de rastreamento: ao conectar uma placa a um conjunto de dispositivos presentes no carro, o sistema cria um identificador persistente do motorista. Por isso, apesar do apelo investigativo, a adoção em países europeus esbarra em regulamentações rígidas sobre coleta e tratamento de dados pessoais.
O Velolaser deixa a Espanha em alerta
Vale lembrar que, recentemente, apresentamos o Velolaser em operação nas estradas espanholas. Trata-se de um radar de velocidade que chama atenção por ser muito compacto e leve. Além disso, ele é fácil de transportar e instalar, podendo ser parafusado em suportes de vários tipos, tanto em áreas urbanas quanto em rodovias.
Na Espanha, as autoridades costumam posicioná-lo em locais discretos para evitar que os motoristas o percebam. Na prática, isso aumenta o risco de muitos condutores acabarem sendo flagrados pelo Velolaser caso não respeitem os limites de velocidade.
A intenção das autoridades parece ser criar um clima de desconfiança para induzir os motoristas a reduzir a velocidade. Resta saber se essa estratégia realmente trará ganhos para a segurança viária. Mais detalhes sobre o tema estão no nosso artigo anterior.
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