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Changan Deepal S07: mais um SUV elétrico chinês, mas vale a atenção

Carro SUV elétrico verde escuro estacionado dentro de showroom moderno, conectado a estação de recarga.

Sim… lá vem mais um SUV elétrico chinês. Mas ainda não descarte o Changan Deepal S07.


Existe mais uma marca chinesa chegando a Portugal - na última contagem, já eram quase 20. A novidade se chama Changan e desembarca pelas mãos da Auto Industrial, que também já vinha fazendo a importação da Forthing.

A estreia por aqui acontece com o Deepal S07, um SUV 100% elétrico do segmento D (familiar), que quer chamar atenção tanto pelo visual arrojado quanto pela lista de tecnologias. Em tese, quase todos prometem a mesma coisa, não é?

Ainda assim, vale dar uma chance a este modelo, porque o Changan Deepal S07 tem algumas “cartas na manga”. E, como fica claro nas próximas linhas, apesar de ser um nome novo para a maioria dos portugueses, a Changan tem uma bagagem real na fabricação de automóveis.

Empresa de tecnologia recém-chegada? Nem tanto

Diferentemente de algumas montadoras chinesas que surgiram há pouco tempo, a Changan produz carros desde 1959. Trata-se do fabricante de automóveis mais antigo da China.

Mas, considerando as diferenças entre o mercado chinês e o ocidente, isso por si só não garante sucesso. Por esse motivo, a Changan resolveu criar modelos mais alinhados ao gosto europeu.

Nessa estratégia, desde 2001 a marca mantém um centro de design em Turim, planeja instalar uma fábrica na região (tudo indica que na Espanha) e fez questão de inaugurar um centro de peças nos Países Baixos, para acelerar o fornecimento de componentes e, com isso, elevar a qualidade do pós-venda.

Chinês com sotaque italiano

Voltando ao Changan Deepal S07: ele é um SUV com silhueta de “cupê”, e a aparência externa é um dos seus pontos fortes.

Se é verdade que, muitas vezes, criticamos os elétricos chineses por um desenho genérico, este Deepal S07 chega com identidade própria e traços bem marcados. Ninguém desenha como os italianos - e até os chineses sabem disso…

Por isso, ele foi desenhado e pensado “à europeia”: linhas agressivas, uma assinatura luminosa afilada e um visual que flerta com a esportividade, ainda que seja um SUV familiar. Até porque, de esportivo, ele tem bem pouco - como fica evidente mais adiante.

Espaço é o que não falta. Os 4,75 m de comprimento deixam isso claro, sem contar os 510 litros do porta-malas, aos quais se somam mais 125 litros em um compartimento dianteiro sob o capô.

E, falando de espaço interno, o Deepal S07 se beneficia de uma plataforma dedicada que permite um assoalho totalmente plano. Isso melhora bastante a habitabilidade, principalmente para quem vai no banco traseiro.

Há sobra de espaço para pernas/joelhos, e dá para encaixar os pés sob os bancos dianteiros. O que surpreendeu, porém, foi o fato de o piso não ser alto demais, garantindo um apoio agradável para as pernas - algo incomum entre carros elétricos.

Interior minimalista

Como era de se esperar, por dentro ele é bem menos “fora da curva”, seguindo o minimalismo presente em várias outras propostas.

O painel aposta em linhas horizontais, superfícies bem “limpas” e uma tela central grande - e única - de 15,6’’, que pode ficar mais voltada ao motorista ou ao passageiro.

É por essa tela que se controla praticamente tudo: da climatização aos modos de condução, incluindo ajustes de posição do volante e dos espelhos laterais. Assim como acontece na Tesla, está longe de ser a solução mais prática. Mas, com alguma (muita…) adaptação, deixa de incomodar.

Felizmente - e ao contrário dos Tesla - os comandos da transmissão não ficam na tela, e sim em uma haste à direita do volante (de origem Mercedes-Benz, algo comum em muitos fabricantes chineses).

Muito bem equipado

Entre os destaques positivos, vale citar a projeção no para-brisa, que funciona relativamente bem e ajuda a compensar a falta de um painel de instrumentos tradicional. Outro acerto é o compartimento refrigerado no apoio de braço central, perfeito para manter garrafas de água frias.

Há ainda um teto panorâmico com quase 2 m² e uma cortina para bloquear o sol (para mim, a melhor forma de evitar o aquecimento do habitáculo), uma tela traseira para ajustes do ar-condicionado, sistema de som com 14 alto-falantes e carregamento sem fio de 40 kW para o celular.

Sobre materiais e acabamento, há pouco a criticar. O Deepal S07 entrega o que a Changan pretende com um posicionamento mais sofisticado: a sensação de qualidade é alta, os materiais têm toque agradável (inclusive o revestimento sintético) e até aparece uma imitação de madeira nas portas.

Não é um SUV esportivo

Por enquanto, o Changan Deepal S07 é oferecido em Portugal com apenas uma motorização. Ela combina um motor elétrico traseiro de 160 kW (218 cv) e 320 Nm com uma bateria NMC de 79,97 kWh (75 kWh úteis). A autonomia máxima declarada é de 475 km no ciclo combinado WLTP (ou 615 km em cidade).

Só 218 cv? Sim, eu sei: vivemos uma era estranha em que 218 cv em um SUV familiar pode parecer pouco. Se você faz parte desse grupo, este não é o elétrico que está procurando.

Ainda assim, para um SUV que fica em torno de duas toneladas, os 7,9s na arrancada de 0 a 100 km/h são mais do que suficientes para fazer ultrapassagens com segurança.

Mas, ao contrário do que o visual agressivo poderia sugerir, há pouco de “SUV esportivo” aqui. O modelo mantém um comportamento bem neutro e a direção é leve demais o tempo todo.

Por outro lado, o centro de gravidade baixo evita inclinações muito evidentes da carroceria, o que ajuda quando se quer andar mais rápido. A suspensão, sem ser dura em excesso, transmite confiança e combina com a proposta familiar deste SUV.

Muito agradável

É em um uso mais tranquilo que o Changan Deepal S07 faz mais sentido: o isolamento acústico é bom (para-brisa acústico e vidros laterais duplos), os bancos são muito confortáveis e a suspensão foi claramente ajustada com foco no conforto.

Só em vias com asfalto muito castigado aparece algum incômodo. No restante, ponto positivo para este SUV elétrico, que oferece boa visibilidade para frente (nem tanto para trás) e uma condução suave em baixas e médias velocidades.

Na autoestrada, o isolamento voltou a se destacar, com os ruídos aerodinâmicos muito bem controlados - o que melhora diretamente a experiência a bordo.

Consumos razoáveis do Changan Deepal S07

A eficiência do Changan Deepal S07 também merece elogios. Rodei cerca de 850 km, com um pouco de autoestrada no meio, e sempre com o ar-condicionado ligado. O consumo geral ficou em 18 kWh/100 km.

É um resultado bem interessante, considerando o tipo de uso: por essa média, dá para tirar 416 km por carga. Se a viagem for toda em autoestrada, naturalmente, o número cai bastante: algo em torno de 350-360 km de autonomia.

Em cidade, ele foi ainda melhor: consumos na casa de 16,5 kWh/100 km, sempre com ar-condicionado ligado e no modo ECO. Nesse ritmo, dá para fazer 455 km entre recargas.

Nesse quesito, o Tesla Model Y com bateria de 75 kWh consegue números melhores. O mesmo vale para o XPENG G6, embora este último tenha uma bateria com 80 kWh úteis.

Mesmo assim, este não chega a ser um “calcanhar de Aquiles” do Changan Deepal S07. O problema maior está no carregamento, prejudicado pela potência baixa: até 11 kW em corrente alternada (AC) e até 93 kW em corrente contínua (DC). É bem inferior ao que se vê em concorrentes.

Quanto custa?

Com preços a partir de 44 990 euros (preço com IVA), o Changan Deepal S07 fica relativamente bem colocado frente à concorrência, especialmente quando se considera a extensa lista de equipamentos.

Basta comparar com o Tesla Model Y equivalente (tração traseira e bateria de 75 kWh), que começa nos 49 990 euros, embora entregue mais autonomia (622 km em ciclo combinado WLTP) e mais potência (255 kW ou 347 cv).

Já a gama do XPENG G6 em Portugal parte dos 46 995 euros na versão de tração traseira com 258 cv e bateria de 66 kWh, com autonomia de até 435 km. No entanto, a versão de tração traseira com bateria de 87,5 kWh, com até 570 km de autonomia, tem preços a partir de 51 295 euros.

Dito isso, o Changan Deepal S07 encontra no preço um argumento relevante, considerando o conjunto que oferece (eficiência, espaço e tecnologia/equipamentos). Ele também usa a estética “à europeia” para se diferenciar de outros modelos vindos do País do Dragão, mais anônimos e que até dificultam a afirmação dessas marcas além-fronteiras.

É verdade que ele não entrega a precisão dinâmica de um rival alemão, nem um sistema de infoentretenimento tão impecável quanto o da Tesla, mas o pacote como um todo é bastante atraente. Talvez até mais interessante do que o BYD Sealion 7.

Veredito

Especificações Técnicas

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