De cara, ele chama atenção, né?
Chama mesmo. Carro de cidade quase sempre tenta seguir um de dois caminhos: ou parece uma versão encolhida de um carro maior, ou vira um brinquedo fofo aumentado. Raramente dá certo. Aqui não é nenhum dos dois. O visual tem personalidade e não parece estar pedindo desculpas por ser pequeno.
E por baixo da carroceria?
Aí a história fica ainda melhor. De novo, ele não tenta ser só um hatch “normal” em miniatura. O motor fica atrás. Com isso, a dianteira pode ser mais curta sem abrir mão de uma boa zona de deformação, e sobra mais espaço para quem vai dentro. Ele é mais curto que o Twingo antigo, mas o entre-eixos é 12cm maior.
Mas o motor precisa ir pra algum lugar. Se colocaram atrás, não vai roubar o porta-malas e piorar a segurança em batida traseira?
Perguntas justas. Para contornar isso, o motor fica quase “deitado”, cabendo sob o piso do porta-malas, e numa colisão ele desliza para baixo e para a frente, em vez de avançar e machucar quem vai no banco traseiro.
Então o layout é tipo um Smart, certo.
Exato. E, por coincidência (ou não), o novo Twingo e o novo Smart são bem próximos. Basicamente, o Twingo e os novos Smart Fortwo e Forfour foram desenvolvidos juntos por engenheiros da Renault e da Daimler no centro técnico da Renault em Paris.
Por baixo da pele, eles dividem motores, câmbios, suspensões, eletrônica, plataforma e estruturas dos bancos. O pessoal da Renault diz que sempre quis fazer um Twingo com motor traseiro, mas não tinha como bancar uma plataforma exclusiva. Aí a Renault-Nissan começou a trabalhar com a Mercedes em uma série de projetos, e essa parceria foi um encaixe natural.
Mas Smart sempre foi meio triste de dirigir. O Twingo é só desempenho fraco, direção nervosa, suspensão dura e câmbio aos trancos?
Não. Para começar, o câmbio é manual - e com engates bem agradáveis. O entre-eixos maior e a bitola mais larga fazem o Twingo ficar bem assentado na estrada. Infelizmente, a versão de entrada vem com uma caixa de direção lenta, então você precisa girar bastante o volante em mini-rotatórias. Os motores turbo de 90bhp vêm com uma caixa que acelera a resposta perto do fim do curso, e aí esse problema some. O conforto de rodagem não é tão tranquilo quanto o de um Up, mas também não chega a incomodar.
E tem alguma vantagem dinâmica com o motor atrás? Dá pra sair de lado fácil?
Não tem sobre-esterço. Um ESP que não dá para desligar age como um fiscal de segurança exagerado, de colete refletivo. Mesmo assim, o layout traz benefícios. A dianteira leve deixa o carro muito ágil em estradas sinuosas. A direção não sofre com demandas de torque, então a sensação é bem “limpa”. Motor e escapamento ficam mais longe dos seus ouvidos, então o ruído é menor. E isso também é ótimo para uso urbano, porque o raio de giro é absurdamente pequeno. Dá para fazer retornos espertos e manobras duplas como um taxista em Londres. Entrar e sair de vagas apertadas fica quase engraçado de tão fácil.
Então serve só pra cidade, ou dá conta de estrada rápida?
Depende do motor. Há um três-cilindros aspirado de 70bhp na base, que é bem fraco para ultrapassagens ou subidas. Você precisa do turbo, também três-cilindros, com 90bhp e um bom tanto de torque. Graças ao turbo e ao baixo peso do Twingo, ele é o mais rápido entre os sub-minis, e é o carro pequeno mais divertido que você vai dirigir por esse preço.
Que é?
Começa em £9495 na versão básica de 70bhp. Ela não tem ar-condicionado (isso vem num pacote de £500), mas traz LEDs, DAB, USB, Bluetooth e um suporte para smartphone com app de navegação grátis. Para o turbo, você é obrigado a ir para a versão topo de linha, a £11,695.
E vale a pena?
Sim. É uma abordagem realmente diferente de projeto e engenharia que trouxe ganhos reais - não apenas “ser diferente por ser diferente”. E o principal: ele é muito mais divertido do que um supermini básico pelo mesmo dinheiro.
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