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Aston Martin DBX S: a despedida do V8 em grande estilo

Carro esportivo verde Aston Martin DBX S 727 exposto em showroom moderno.

A despedida do motor V8 pode acontecer com este Aston Martin DBX S.


Mallorca foi o cenário escolhido para um encontro único: meu primeiro contato com o Aston Martin DBX S. Um SUV que vai além de ser apenas o mais potente da marca. A fabricante britânica o apresenta como o integrante mais radical da família DBX - e como o último modelo equipado exclusivamente com motor a combustão.

Depois dele, a marca garante que não vem mais nenhum nessa configuração. Por isso, a Aston Martin decidiu se despedir da combustão com pompa. E entregou exatamente isso. No DBX S, está reunido o que a marca inglesa tem de mais forte para oferecer.

Eu sei: é um SUV. Mas está longe de ser “só mais um”. Neste vídeo, eu tento mostrar justamente isso:

Valhalla no coração do Aston Martin DBX S

O conjunto escolhido para este Aston Martin DBX S é o conhecido V8 4.0 litros biturbo de origem AMG. Só que, como a gente sabe, nada sai de Gaydon - a sede da marca - sem passar pelas mãos da própria Aston Martin.

Mesmo sendo um motor de base Mercedes-AMG, não se trata de um acordo em que a Aston Martin simplesmente recebe um V8 pronto, sem interferir. Como me explicou o responsável de produto da Aston Martin, ali ao lado do novo DBX S: “é fruto de uma relação de confiança que foi construída entre duas marcas, onde neste momento nós temos a liberdade de, por exemplo, colocar turbos específicos (do Valhalla) e de o fazer nas nossas instalações.”

Diferentemente do DBX707, no DBX S os blocos V8 da Mercedes-AMG chegam sem os turbos e recebem compressores herdados do Valhalla, o supercarro que prepara a próxima geração da marca. O resultado: 727 cv e 900 Nm, ou seja, 20 cv a mais do que no DBX707. São números suficientes para ir de 0 a 100 km/h em 3,3s e atingir 310 km/h.

Mas a história não é só “mais potência”. A curva de entrega foi retrabalhada para ficar mais linear, menos abrupta e melhor calibrada para esticar a emoção até o limite do conta-giros. Na prática, o trabalho ficou excelente.

O câmbio automático de nove marchas segue a mesma proposta, segurando as trocas no modo esportivo para deixar o V8 “respirar” mais alto. Há algo de especial nessa progressividade: força bruta, mas bem lapidada.

Sobre consumo, vai ficar para outra ocasião. Algo me diz que esse não foi o último encontro entre nós…

Engenharia contra a física

Com 2198 kg, seria natural desconfiar da agilidade. Só que a engenharia resolveu encarar a lógica de frente. Os diferenciais ativos conseguem mandar 100% da potência para o eixo traseiro ou dividir o torque entre as rodas para maximizar a tração nas curvas. O sistema de barras estabilizadoras ativas (com arquitetura de 48 V) limita a rolagem a apenas 1,5º, e a suspensão a ar de três câmaras alterna entre conforto total e uma rigidez quase de supercarro.

O feeling geral dos comandos também agrada. A direção ficou 4% mais rápida em relação ao DBX707. No papel, parece pouco, mas ao volante vira uma resposta mais imediata e precisa - sem aquela sensação de nervosismo artificial. É nesse ponto de equilíbrio entre massa e agilidade que o DBX S se impõe.

A arte de cortar peso

A Aston Martin não quis apenas reduzir o número na balança, e sim ajustar o equilíbrio do conjunto como um todo. O DBX S tira 47 kg em comparação ao 707, mas faz isso com precisão cirúrgica: teto de carbono (menos 18 kg no ponto mais alto), rodas de magnésio de 23’’ (menos 19 kg de massa não suspensa) e grade de policarbonato (menos 3 kg na dianteira).

Para mim, a grande surpresa é que as rodas e o teto de carbono ficam disponíveis apenas como opcionais. Isso significa que, do ponto de vista de redução de peso e também de visual, dá para ter um DBX com detalhes de diferenciação ainda mais leves em relação a um DBX 707 - e sem qualquer impacto dinâmico.

O que impressiona não é um número “final”, e sim o caminho para chegar nele: menos peso nas extremidades e mais massa concentrada no centro. Na estrada, isso vira estabilidade, respostas mais rápidas e uma agilidade que desafia o tamanho do carro.

Por dentro, a base segue a do DBX707, mas com detalhes exclusivos: bancos com a sigla “S” e acabamentos específicos.

Os materiais continuam excelentes, a apresentação também, e a sensação geral de qualidade é muito alta. Além disso, a cabine é ampla. O lugar do motorista pode ser o mais disputado, mas os demais também não decepcionam.

A grande novidade está na tecnologia: o DBX S é o primeiro automóvel do mundo a usar o Apple CarPlay Ultra.

Apple CarPlay Ultra estreia no DBX. Convence?

Disponível pela primeira vez em um carro de produção, quando ativado o Apple CarPlay Ultra substitui não apenas o sistema de infotainment, como também o painel de instrumentos. Ele permite controlar funções do carro - das assistências à condução ao aquecimento dos bancos - com uma integração mais profunda do que a do CarPlay tradicional.

Apesar de promissor, a experiência inicial deixou pontos em aberto: os menus extras exigem adaptação, a organização poderia ser mais intuitiva e o painel de instrumentos fica genérico demais com o CarPlay ativo. Faltam diferenças visuais entre os modos de condução, e a posição da tela central segue baixa demais. Ainda assim, é um passo importante na integração digital, especialmente para quem é fã do ecossistema Apple.

O canto do cisne do DBX puramente a combustão

Só que, mais do que potência ou integração com smartphone, este é o último DBX puramente a combustão. É o canto do cisne de um modelo que levou a Aston Martin a públicos novos e que agora se despede da era 100% gasolina, antes da transição inevitável para a eletrificação. O próximo DBX deve ser um híbrido plug-in, seguindo o que já aconteceu com concorrentes, e talvez mantenha o motor V8 - mas nada foi confirmado.

Em Portugal, os preços começam na casa dos 325 mil euros, mas isso é apenas o ponto de partida: trata-se de um modelo com uma lista de opcionais e um programa de personalização de enlouquecer… desde que a carteira aguente, claro.

Veredito

Especificações técnicas

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