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Mercedes-Benz Classe C All-Terrain: teste da C Station 220 d 4MATIC

Carro Mercedes-Benz C AllTerrain prata estacionado em ambiente interno, com rodas esportivas e janelas escurecidas.

Dá para dizer que a Mercedes-Benz Classe C All-Terrain surge meio na contramão: num momento em que as marcas enxugam carrocerias e reduzem a variedade de motorizações, a Classe C ganha, pela primeira vez, uma configuração com “cacoetes” de fora de estrada.

A proposta é permitir escapadas do asfalto para areia/lama/pedras sem medo de marcar a carroceria (agora há proteções nos pontos de contato mais vulneráveis) nem de castigar componentes mecânicos sob o carro. A altura livre do solo aumentou 4 cm, graças ao uso de molas 30 mm mais altas e rodas com 10 mm a mais de diâmetro.

A Classe C All-Terrain passa a fazer companhia à Classe E All-Terrain como alternativa para quem gosta de peruas - pela versatilidade e pelo porta-malas maior -, mas também quer atributos extras para encarar estradas de terra e trilhas de “off-road leve”.

E ela também se posiciona como rival direta das peruas Audi A4 Allroad e Volvo V60 Cross Country - que já comparamos no passado -, modelos que já estão no mercado há algum tempo seguindo exatamente essa receita.

O que distingue a Classe C All-Terrain?

No visual, além do vão livre maior e das rodas ampliadas, entram em cena as proteções plásticas e metálicas ao redor de toda a carroceria, as placas metalizadas na dianteira e na traseira, uma grade com desenho próprio (com apenas uma barra transversal) e, claro, o efeito “perua C mais alta”, com postura de veículo pronto para encarar pisos ruins.

Como opcional, pode receber engate de reboque que se posiciona automaticamente para acoplar um reboque (até 1800 kg) ao apertar um botão instalado no porta-malas.

Por dentro, as mudanças são ainda mais sutis em relação às demais Classe C Station (a All-Terrain parte do nível de acabamento Avantgarde, por fora e por dentro). Há três combinações de cores para o interior: preto, bege ou preto/marrom. No MBUX, aparece um menu dedicado com informações off-road: inclinação lateral e longitudinal da carroceria, orientação das rodas dianteiras, além de uma bússola digital (para não “perder o norte”) e câmeras 360º.

Aos modos de condução usuais (Eco, Comfort, Sport e Individual) somam-se outros dois, ligados às capacidades extras da Classe C All-Terrain: Off-road (limitado a 110 km/h) e Off-road+ (máximo de 45 km/h e com o controle de descida de ladeiras sempre ativo “nos bastidores”).

Vale citar também a possibilidade de equipar a C All-Terrain com o sistema avançado de iluminação Digital Light, estreado na nova Classe S, que amplia e melhora a projeção de luz em velocidades de até 50 km/h.

Só uma motorização disponível para Portugal

Nesta primeira oportunidade de conduzir a nova Classe C All-Terrain, estavam presentes as duas motorizações que vão compor a oferta: 200 e 220 d. A primeira, a gasolina; a segunda, a diesel - ambas com quatro cilindros, hibridização leve e câmbio automático de nove marchas. Como em Portugal apenas a C Station 220 d 4MATIC All-Terrain (nome completo) será comercializada, não houve muita dúvida sobre qual versão escolher.

O conjunto híbrido leve (mild-hybrid) utiliza motor de partida/gerador (ISG) e sistema elétrico de 48 V para apoiar o motor a combustão com 22 cv e 200 Nm em acelerações médias e fortes. O objetivo é reduzir consumo e melhorar desempenho, ao mesmo tempo em que permite regeneração de energia.

Espaçosa na medida certa

O padrão de materiais e o acabamento, em linhas gerais, são bons - e o espaço também. Há bastante comprimento na cabine, inclusive na segunda fileira, e uma boa altura interna, apesar de o carro avaliado ter teto panorâmico (que sempre “rouba” alguns centímetros) ao longo de todo o habitáculo.

Como de costume, o túnel central elevado no assoalho da segunda fileira vai atrapalhar (e muito) quem precisar ir no assento do meio. Se der, o ideal é viajar com dois ocupantes atrás, aproveitando o conforto total, o apoio de braço central e o fato de os bancos traseiros serem mais altos do que os dianteiros - o que melhora a visão para fora.

O porta-malas tem formato bem aproveitável, com tampão rígido e bom revestimento. Ainda que seja menor do que o da Audi A4 Allroad e o da Volvo V60 Country, ele traz piso com altura regulável, o que permite criar um assoalho plano caso o usuário queira. Também há botões na parte traseira para rebatimento do encosto do banco traseiro em 1/3-2/3.

Aptidões fora de estrada convincentes

O nível de conforto impressiona em qualquer tipo de piso (sem excesso de rolagem lateral em curvas), até porque os engenheiros alemães partiram do acerto Comfort da perua “convencional”. Como me explicou o diretor de desenvolvimento, Christof Kuehner: “entendemos que não seria necessário incluir a opção de amortecimento eletrônico variável porque apenas serviria para acrescentar complexidade e custo, sem um grande benefício”.

A direção entrega precisão suficiente, e os modos de condução realmente mudam - com maior ou menor intensidade - a forma como a perua assenta no asfalto. E, como costuma acontecer nos híbridos (mesmo mild-hybrid) da Mercedes-Benz, o pedal de freio tem pouca atuação no começo do curso, passando a “morder” com mais força a partir de 30% do acionamento.

O roteiro incluiu uma trilha moderada, porém mais exigente do que aquilo a que a maioria dos proprietários de uma Classe C All-Terrain - uma perua de mais de 60 000 euros - provavelmente vai submeter.

Ainda assim, ela passou pela prova sem nem “despentear”. Trechos enlameados e escorregadios, além de subidas de terra e pedras bem íngremes, ficaram para trás sem hesitação. O controle de velocidade em descidas funciona muito bem, operando entre 3 km/h e 16 km/h. A velocidade é definida por um botão à esquerda do volante e fica memorizada. Esse valor é desconsiderado quando o motorista acelera ou freia além do limite programado, voltando a atuar assim que os pedais são liberados.

Mais rápida do que seria de esperar

O motor ganha vigor de verdade a partir de 1750 rpm - não só porque os 440 Nm de torque máximo já estão todos disponíveis (atingidos às 1800 rpm), mas também porque o motor elétrico entra com 200 Nm, algo que, mais do que os 20 cv extras, faz diferença nas retomadas e acelerações em geral.

Com isso, a Classe C All-Terrain 220 d acaba sendo mais rápida do que se imagina para um modelo com quase 1900 kg e 200 cv de potência máxima. O câmbio também se beneficia desse “empurrão” elétrico, ficando mais suave nas trocas; e ainda dá para trocar manualmente pelas aletas atrás do volante. Fica um reparo, porém: elas deveriam ser mais “premium”, com material mais agradável ao toque e um acionamento menos “clunk”.

No fim do trajeto rodoviário, de cerca de 60 km, a média registrada foi de 7,6 l/100 km - cerca de 2 l/100 km acima do valor homologado. Parte dessa diferença, porém, vem do fato de o teste ter acontecido em parte em rodovias alemãs com trechos sem limite de velocidade.

Quanto custa?

A Mercedes-Benz C Station 220 d 4MATIC All-Terrain custa 6300 euros a mais do que a C Station “normal” com o mesmo motor. É uma diferença que parece alta, além de ficar um pouco acima do preço das duas rivais diretas da Audi e da Volvo (que giram em torno de 59 300 euros).

Por outro lado, para quem prioriza os atributos de fora de estrada desta perua e aceita abrir mão de um pouco de espaço, ainda são menos 9000 euros em relação à E All-Terrain com a mesma motorização…

Especificações técnicas

Mercedes-Benz C Station 220 d 4MATIC All-Terrain

Item Dados
Motor
Posição Dianteiro longitudinal
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1993 cm³
Distribuição 4 válv. por cilindro (16 válv.)
Alimentação Inj. direta, turbo de geometria variável, intercooler
Potência 200 cv às 3600 rpm
Binário 440 Nm entre 1800-2800 rpm
Motor elétrico
Potência 20 cv
Binário 200 Nm
Transmissão
Tração 4 Rodas
Caixa de velocidades Automática (conversor de binário) de 9 velocidades
Chassis
Suspensão FR: Independente multibraços; TR: Independente multibraços;
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos Ventilados;
Direção/Diâmetro de viragem Assistência eletro-hidráulica/11,5 m
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4755 mm x 1841 mm x 1494 mm
Distância entre eixos 2865 mm
Capacidade da bagageira 490-1510 l
Capacidade do depósito 40 l
Rodas 245/45 R18
Peso 1875 kg (EU)
Prestações e consumos
Velocidade máxima 231 km/h
0-100 km/h 7,8s
Consumo combinado 5,6-4,9 l/100 km
Emissões CO₂ 147-129 g/km

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