Pular para o conteúdo

O Range Rover Sport SV não sabe bem o que quer ser. E, curiosamente, isso não é um problema

SUV Range Rover cinza escuro estacionado em ambiente moderno e interno.

O Range Rover Sport SV não deixa claro o que pretende ser. E, curiosamente, isso não atrapalha.


Com o Range Rover Sport SV Edition Two, não existe meio-termo: ou você gosta muito, ou antipatiza na mesma proporção.

Quem não compra a ideia vai notar que, mesmo sendo um Range Rover, as habilidades fora de estrada parecem mais próximas das do carro da sua mãe. Já quem se encanta vai olhar para as rodas de carbono, para as saídas de escape chamativas e para os detalhes que tornam esta configuração ainda mais especial.

De um jeito ou de outro, ele não passa despercebido. E, se por acaso passar… basta dar a partida no V8 cedido pela BMW para a marca britânica.

Este SUV não engana

O Range Rover Sport mais recente está bem mais perto de um “mini-Range” do que de um SUV com ambições esportivas gritantes. Ele é sofisticado, macio e luxuoso - é difícil argumentar contra isso; basta dirigir. Só que aqui estamos falando de um SV. Então, por um momento, esqueça tudo o que acabei de dizer.

Com soluções tecnológicas que normalmente associamos a superesportivos (já chego lá…), o Range Rover Sport SV se coloca como rival direto de propostas como o Porsche Cayenne Turbo E-Hybrid ou até do Aston Martin DBX707.

Mesmo quando parece desafiar a física, o Range Rover Sport SV impressiona pelo que entrega quando a gente exige mais. E, como convém a um modelo que quer disputar o trono dos SUVs rápidos, também chama atenção parado.

Na especificação Edition Two do Range Rover Sport SV, isso fica ainda mais evidente: entram em cena a pintura azul fosca (Blue Nebula) e diversos componentes em fibra de carbono - com destaque para o capô, os contornos das grades e as rodas de 23”.

Interior de luxo do Range Rover Sport SV

Eu abri este teste dizendo que este Range Rover Sport sofre com uma certa crise de identidade - e mantenho a opinião. Ele quer ser guiado como um superesportivo e entrega resultado quando fazemos isso. Mas, ao adotar um ritmo mais tranquilo, ele volta a ser confortável e refinado, como se espera de um Range Rover.

Talvez seja impressão por ter dirigido recentemente outros modelos, mas a sensação que tive foi a de que este SUV é mais bem-acabado do que alguns rivais. E, mesmo sendo a versão mais esportiva e musculosa, em nenhum momento pareceu menos confortável do que um Range Rover Sport “normal”.

Até porque a cabine continua pautada pela elegância. Não há espaço para exageros, apesar dos bancos e dos pequenos toques exclusivos SV Edition Two espalhados por este exemplar - que ainda entrega um sistema de som forte, com 29 alto-falantes e 1430 W, assinado pela Meridian.

Só que, a menos que eu esteja muito enganado, você provavelmente vai usar esse áudio menos vezes do que imagina. Porque a melhor trilha sonora do Range Rover Sport SV não vem dos alto-falantes: vem do escape.

Alma de BMW M5 no Range Rover Sport SV

Com o antigo Range Rover Sport SVR, a marca britânica se despediu do V8 de 5,0 litros, mas não abandonou a receita. Tanto que, no novo SV (sim, o “R” saiu do nome), ela fez questão de manter um V8 - e, graças à BMW, isso aconteceu.

Exatamente: o coração do novo Range Rover Sport SV é o mesmo que encontramos no novo BMW M5. Trata-se de um V8 biturbo de 4,4 litros, com 635 cv de potência e 800 Nm de torque máximo - o bastante para “empurrá-lo” até 290 km/h e levá-lo de 0 aos 100 km/h em 3,8s.

São números fortes, independentemente do carro - ou do tipo de carroceria. Mas quando você lembra que eles pertencem a um mastodonte de 2560 kg, o impacto cresce. E a coisa fica ainda mais curiosa quando chegam as curvas: o Range Rover Sport SV faz a gente esquecer o tamanho, o peso e até a própria silhueta.

Há várias razões para isso, mas a principal talvez esteja nas suspensões pneumáticas que a marca chama de 6D Dynamic Suspension.

Elas são controladas eletronicamente por um servo que gerencia cada elemento de forma individual, conectando todo o conjunto e ajustando em tempo real a rigidez e a altura para que o chassi trabalhe como um sistema único.

É assim que este Range Rover Sport SV consegue controlar as transferências de massa em tempo real e “driblar” a física. Mas eu também poderia destacar a força dos freios, a velocidade do câmbio automático de oito marchas ou ainda a eficiência do sistema de tração integral.

E o consumo?

Neste primeiro contato rápido - feito no contexto do prêmio Carro Alemão do Ano - eu não consegui levantar uma média de consumo que sirva como referência para quem está de olho neste modelo. O tempo foi curto, e a vontade de explorar esses oito cilindros era grande.

Ainda assim, usando todo o potencial do V8, posso dizer que não é difícil passar (e muito) dos 20 litros a cada 100 km. Por outro lado, de acordo com a marca, se você não abandonar as boas maneiras ao volante, pode esperar números entre 11,3 litros e 13 litros.

Com certeza, não é um valor que vai tirar o sono de quem aceita conviver diariamente com este SUV - que foi uma das experiências de direção mais diferentes que tive nos últimos tempos.

Quanto custa?

Já disponível para encomenda no nosso país, o Range Rover Sport SV (635 cv) parte de 234 472 euros, valor que sobe para 240 260 euros com o pacote opcional de Carbono Forjado.

E como a Edition Two não é oferecida pela marca em Portugal (pelo menos por enquanto), esta é a configuração mais próxima que dá para ter deste modelo no mercado nacional.

É consideravelmente mais do que custa, por exemplo, o Porsche Cayenne Turbo E-Hybrid, disponível em Portugal por 216 091 euros. Em compensação, fica bem abaixo do Aston Martin DBX707, que começa nos 318 841 euros.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário