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Michelin e o PET reciclado da Carbios rumo a pneus sustentáveis até 2050

Cientista em laboratório analisando amostra de microplástico próximo a pneus e garrafas plásticas.

A Michelin não está tentando fabricar pneus feitos “só” de plástico reciclado. O plástico - e, neste caso, especificamente o PET (politereftalato de etileno), um polímero termoplástico hoje muito comum (presente de roupas a garrafas de água e refrigerantes) - é apenas um entre muitos componentes de um pneu. Segundo a própria Michelin, são mais de 200 ingredientes.

Do que é feito um pneu

No dia a dia, costuma-se dizer que pneu é “de borracha”, mas isso não descreve bem o produto real. Além da borracha natural, entram também borracha sintética, aço, materiais têxteis (sintéticos), diferentes polímeros, negro de fumo, aditivos, entre outros elementos.

Metas de sustentabilidade da Michelin

Essa combinação de materiais - e o fato de que nem todos são simples de reciclar ou reaproveitar - contribui para um impacto ambiental elevado dos pneus, inclusive durante a fase de uso. Por isso, a Michelin vem perseguindo a meta de chegar a pneus 100% sustentáveis até 2050, dentro do conceito de economia circular: produzir usando apenas materiais renováveis e reciclados. Antes disso, há um objetivo intermediário: alcançar 40% de materiais sustentáveis nos pneus já em 2030.

PET reciclado

Atualmente, o PET já é empregado pela Michelin e por outros fabricantes na forma de fibras usadas na fabricação de pneus. No total do setor, isso acontece em um volume de 800 mil toneladas por ano, o que corresponde a 1,6 bilhão de pneus produzidos.

Apesar de a reciclagem do PET já ser possível por processos termomecânicos, o material resultante não mantinha as mesmas propriedades do PET virgem. Por esse motivo, ele não retornava para a cadeia de produção do pneu. É justamente nesse ponto que ocorreu um avanço relevante para viabilizar um pneu mais sustentável - e é aí que entra a Carbios.

A reciclagem enzimática da Carbios

A Carbios é uma empresa pioneira em soluções bioindustriais que busca reinventar o ciclo de vida de polímeros plásticos e têxteis. Para isso, utiliza uma tecnologia de reciclagem enzimática aplicada a resíduos de plástico PET. Em testes conduzidos pela Michelin, o PET reciclado da Carbios foi validado, o que abre caminho para sua adoção na fabricação de pneus.

No processo da Carbios, uma enzima promove a despolimerização do PET (presente em garrafas, bandejas e roupas de poliéster), quebrando-o em seus monômeros (as unidades repetidas que formam o polímero). Em seguida, esses monômeros passam novamente por uma etapa de polimerização, permitindo obter produtos de PET 100% reciclados e 100% recicláveis, com qualidade equivalente à de itens feitos com PET virgem. De acordo com a Carbios, seus métodos tornam a reciclagem infinita possível.

Em outras palavras, o PET reciclado da Carbios testado pela Michelin atingiu o mesmo nível de tenacidade exigido para a produção dos pneus da marca.

Esse avanço ajuda a Michelin a acelerar sua trajetória rumo aos pneus sustentáveis e, ao mesmo tempo, contribui para reduzir a necessidade de produzir PET virgem derivado do petróleo (como ocorre com os plásticos em geral). Pelas contas da Michelin, a reciclagem de quase 3 bilhões de garrafas PET é suficiente para gerar todas as fibras de que a empresa precisa.


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