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Maserati em 2026: planos, incertezas e atualizações do GranTurismo e GranCabrio

Carro esportivo Maserati Trident-EV branco exibido em showroom com rodas pretas e detalhes azuis.

Algumas marcas viram lenda por décadas de consistência. A Maserati, por outro lado, forjou o próprio mito em meio a décadas de inconstância e, mesmo assim, permaneceu viva - e continua a seduzir. Só que, nos últimos anos, essa capacidade de resistir foi colocada à prova.

Em 2017, a marca emplacou 51 mil unidades. Já em 2025, não chegou a 8000 unidades, o pior desempenho desde 2012. Para efeito de comparação, a Ferrari - que propositalmente limita a produção - vendeu quase o dobro.

O que derrubou as vendas da Maserati

Vários elementos ajudaram a explicar essa queda, começando pelo fim de linha do Ghibli, do Levante e do Quattroporte, sem que existissem substitutos diretos prontos para ocupar o espaço deixado por eles. Também pesou a aposta nos elétricos, com as versões Folgore, que ficaram abaixo da procura esperada no mercado.

Pouco antes de deixar o comando da Stellantis, Carlos Tavares apontou o marketing como o principal motivo por trás do momento atual da Maserati: para ele, a marca estava mal posicionada e a mensagem não alcançava os clientes certos.

No fim de 2024, a Maserati ganhou um novo CEO, Santo Ficili, que acumula a liderança da Maserati e da Alfa Romeo, com uma tarefa direta: recolocar a marca do tridente nos trilhos. A chegada de uma nova administração da Stellantis, em junho de 2025, comandada por Antonio Filosa, acabou empurrando os planos para mais tarde. Ao mesmo tempo, circularam rumores de venda, negados pela Stellantis, que reforça que a Maserati segue como sua única marca de luxo e não está à venda.

Por ora, o rumo que a Maserati parece ter escolhido é fazer menos - e fazer melhor. O programa Fuoriserie, voltado à personalização avançada, passou a ter mais peso estratégico. E a produção do GranTurismo e do GranCabrio foi concentrada em Modena, ao lado do MCPura, reforçando uma narrativa artesanal que combina com a história da marca.

Não resolve tudo, mas é um começo. Agora, resta aguardar o próximo mês de maio, quando Antonio Filosa apresentar o novo plano industrial da Stellantis, que - tomara - aponte um caminho para essa italiana que continua a despertar paixão como poucas.

GranTurismo e GranCabrio vão ser atualizados

No curto prazo, a única garantia é que não haverá novos Maserati neste ano. O principal movimento de 2026 será a atualização do GranTurismo e do GranCabrio, em um trabalho que não deve se distanciar do que já aconteceu na transição do MC20 para o MCPura.

Protótipos flagrados em testes indicam uma intervenção cirúrgica, porém perceptível: grade dianteira nova, com entradas de ar maiores e linhas mais angulares (aproximando-se da linguagem visual do MCPura), difusor traseiro revisado no GranCabrio e, em alguns protótipos, lanternas traseiras claras.

O 3.0 V6 biturbo Nettuno deve permanecer. Não está claro se com os mesmos patamares de potência - 490 cv e 550 cv -, mas existe espaço para evoluir. Afinal, no MCPura ele chega a 630 cv. A versão elétrica Folgore pode passar por alterações mais profundas, se não em desempenho, em eficiência e autonomia. Há sinais, ainda, de que o interior possa ser atualizado, inclusive na parte tecnológica (infoentretenimento). A estreia deve ocorrer antes do verão, com entregas já em 2026.

Futuro por definir

Além desse facelift, o que vem depois segue cercado de dúvidas - sobretudo quando o tema são os sucessores do Levante e do Quattroporte, as duas ausências mais importantes da linha atual. Eles já deveriam ter sido apresentados, mas acabaram empurrados para 2028 e 2029, respectivamente. Só que, neste momento, não há indicações de que esses projetos estejam avançando.

Em breve teremos mais informações, mas algo parece inevitável: a Maserati que chegou a 2026 não pode seguir exatamente como está.

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