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Honda cancela elétricos 0 Series nos EUA e foca nos híbridos

Carro elétrico Honda EV branco estacionado em showroom moderno com carregador ao fundo.

A indústria automotiva vive a maior virada da sua história - só que bem longe do que se imaginava. O que parecia inevitável há poucos anos, como uma migração acelerada para carros elétricos, vem se mostrando um verdadeiro “bicho de sete cabeças”. Com isso, cada vez mais montadoras estão empurrando seus cronogramas para a frente. A Honda entrou nessa lista.

Honda cancela elétricos da 0 Series e o Acura RSX nos EUA

A marca japonesa estava a poucos meses de colocar nas ruas o primeiro modelo de uma nova família de elétricos batizada de 0 Series. Esse plano foi interrompido. A Honda decidiu cancelar o lançamento de três elétricos que seriam fabricados nos Estados Unidos: além do 0 SUV e do futurista 0 Saloon, também saiu de cena o SUV Acura RSX (exclusivo do mercado norte-americano), que usava a mesma base técnica.

Em nota, a empresa afirmou que a decisão busca evitar o que seriam “maiores prejuízos a longo prazo” diante de um mercado considerado incerto.

Outro ponto que pesou foi a retirada de apoio governamental aos elétricos durante a administração de Donald Trump. Desde o fim dos incentivos, as vendas de EVs nos EUA recuaram de forma relevante (-36% nos dois primeiros meses de 2026).

Ao mesmo tempo, a Honda também enfrenta uma queda na rentabilidade do seu negócio automotivo. Segundo a própria companhia, esse enfraquecimento é explicado por dois fatores: as políticas tarifárias dos EUA e a perda de competitividade dos seus produtos na Ásia, em parte pelo efeito da alocação crescente de recursos para o desenvolvimento de veículos elétricos.

O “buraco” financeiro

A revisão de rota deve mexer de maneira significativa com os números da empresa. Agora, a Honda estima encerrar o ano fiscal (que no Japão termina em 31 de março) com um prejuízo operacional que pode chegar a 570 bilhões de ienes (cerca de 3,1 bilhões de euros ao câmbio atual), uma guinada grande em relação ao lucro de 550 bilhões de ienes (3000 milhões de euros) que era esperado inicialmente.

Somando baixas contábeis e a reestruturação de investimentos na China, a montadora projeta que as perdas totais podem alcançar 2,5 trilhões de ienes (cerca de 13,6 bilhões de euros).

Foco nos híbridos

Diferente do otimismo de dois anos atrás, a Honda passou a admitir que o caminho até os 100% elétricos tende a ser mais demorado. Por isso, revisou para baixo as metas de volume que havia traçado: de dois milhões de elétricos por ano em 2030 para algo entre 700-750 mil unidades.

Com esse ajuste, a empresa pretende deslocar recursos para os híbridos, já que a procura por esse tipo de modelo vem crescendo em ritmo bem superior ao dos elétricos.

“A Honda reavaliará a alocação de seus recursos e fortalecerá ainda mais seus modelos híbridos”, lê-se. Essa mudança não mira apenas os EUA: a estratégia também será direcionada ao Japão e à Índia, onde a marca enxerga espaço para uma expansão mais rentável do que uma aposta cega no “tudo elétrico”.

Cortes de salários na liderança e próximos anúncios

Como forma de assumir responsabilidade pelo tropeço na estratégia de eletrificação, a cúpula da Honda comunicou um corte voluntário na própria remuneração. O Presidente e o Vice-Presidente vão abrir mão de 30% do salário mensal por três meses. No acumulado, a remuneração anual dos principais líderes deve cair cerca de 25% a 30%.

Em maio, a Honda promete divulgar mais detalhes sobre a reconstrução da sua estratégia de médio e longo prazo para o setor automotivo.

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