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DS 4 Rivoli 1.6 PureTech 224 cv em teste: o conforto francês frente ao Audi A3, BMW Série 1 e Mercedes-Benz Classe A

Carro branco DS4 Rivoli exposto em showroom com iluminação amarela e carros ao fundo.

O DS 4 está de volta - e não é só mais um compacto querendo brigar no topo. Depois de uma primeira geração que começou com selo Citroën e terminou já como DS Automobiles (marca oficialmente criada em 2014), a proposta francesa regressa com a mesma ambição.

A missão continua clara: tirar espaço dos três “intocáveis” compactos premium alemães - Audi A3, BMW Série 1 e Mercedes-Benz Classe A.

Mas será que o DS 4 tem mesmo munição para encarar de frente as opções germânicas? Para responder, colocámo-lo à prova nesta versão de topo Rivoli, com o motor a gasolina (e o mais potente disponível sem eletrificação) 1.6 PureTech de 224 cv e 300 Nm.

Mistura de estilos bem sucedida

Em termos visuais, tenho de admitir: o DS 4 não só me parece mais marcante do que os rivais alemães, como também transmite uma sensação de modernidade superior.

É difícil não notar alguns “genes de crossover” nesta proposta da DS Automobiles e, a julgar pelos olhares que o DS 4 atraía ao passar, a marca francesa parece ter conseguido a tarefa (nada simples) de criar um modelo que não passa despercebido.

Luxo à francesa

Se o exterior do DS 4 já tinha ganho pontos, o interior segue a mesma linha. Os materiais são agradáveis ao toque, ao olhar e até… ao olfato.

Neste campo, a DS Automobiles parece até ter ido mais longe do que alguns alemães, com o DS 4 a apresentar um habitáculo de aspeto mais sofisticado do que o que encontramos no Audi A3 ou no Mercedes-Benz Classe A.

A montagem também está em bom nível, mas aqui a DS Automobiles ainda não alcança por completo os rivais germânicos. O mesmo vale para a ergonomia, um tópico em que a marca gaulesa tem vindo a melhorar.

Em termos de espaço, o DS 4 não se assume como referência, mas também não desaponta. A largura generosa de 1,83 m permite que dois adultos viajem com conforto atrás, e o espaço para cabeça e joelhos é igualmente bastante satisfatório.

Já a bagageira, com 430 litros, mostra-se mais do que suficiente e fica confortavelmente acima dos 380 litros do Audi A3 e do BMW Série 1 e dos 370 litros do Mercedes-Benz Classe A.

Aposta no conforto

Quanto mais tempo passei ao volante do DS 4, mais claro ficou que a proposta francesa consegue enfrentar os premium alemães sem tentar ser uma cópia - e isso nota-se logo quando nos sentamos para conduzir.

A aposta clara no conforto salta à vista ao volante do DS 4 - não me surpreenderia encontrar um “pisar” semelhante um ou dois segmentos acima, mesmo com jantes de 20″ - e, apesar de abdicar daquela acutilância dinâmica que se reconhece aos rivais alemães, não deixa de ser competente quando a estrada exige mais.

O DS 4 é tão confortável que a única razão que nos leva a desviar dos buracos é o receio de danificar um pneu ou uma jante.

Em estradas sinuosas não contem com uma proposta especialmente afiada ou divertida. O que temos é um carro estável, seguro e confortável, com direção algo leve e um amortecimento claramente virado para o conforto.

Por isso, o DS 4 revela as suas melhores qualidades dinâmicas em longas viagens de autoestrada ou em estrada nacional. Nesses cenários, temos uma estabilidade típica dos modelos alemães, mas sem ter de conviver com o seu “pisar” mais firme. O isolamento acústico também é quase irrepreensível.

Graças a isto, fazer muitos quilómetros ao volante do DS 4 é, acima de tudo, relaxante, e mesmo quando o asfalto está mais degradado a suspensão deixa-nos passar pelas irregularidades como se quase não existissem.

Potente, mas guloso

Com 224 cv e 300 Nm, este é o DS 4 a gasolina mais potente, sendo que apenas o DS 4 E-Tense, a versão híbrida plug-in, consegue igualar a potência - variante que também já tivemos oportunidade de conduzir.

Associado em exclusivo a uma caixa automática de oito velocidades, suave e bem escalonada, este motor permite ritmos bem interessantes - dos 0 aos 100 km/h em 7,9s e velocidade máxima de 235 km/h.

No entanto, como diz o ditado, “não há bela sem senão”: ao entregar 224 cv sem qualquer forma de eletrificação, o 1.6 PureTech acaba por mostrar apetite. A DS Automobiles anuncia médias de 6,6 l/100 km (ciclo WLTP), mas, na prática, para chegar a esse valor tive de conduzir de forma bastante contida.

Sempre que resolvi explorar o modo “Sport” e as capacidades dinâmicas do DS 4, vi as médias a rondarem os oito litros; numa condução normal, não é difícil ficar pelos 7-7,5 l/100 km.

Também é possível registar 5,8 l/100 km, mas para isso é preciso optar pelo modo “Eco” (que felizmente não “castra” em demasia a resposta do motor) e assumir uma condução bem mais calma (e lenta).

É o carro certo para si?

Tendo em conta o sucesso do Audi A3, BMW Série 1 e Mercedes-Benz Classe A, é natural que muitos se perguntem para quem é que a DS Automobiles conta vender o DS 4.

Pois bem: o modelo francês é, acima de tudo, uma proposta de reação, uma alternativa àquilo que se tornou a “norma” entre os premium do segmento C.

Uma alternativa que se afirma pela imagem que não passa despercebida, pelo conforto superior a bordo e até pela… oferta de equipamento de série, muito mais generosa do que aquela a que os alemães nos habituaram.

Para quem considerar os consumos mais elevados deste motor um ponto menos positivo, há uma boa notícia: não faltam motorizações na proposta francesa - gasolina, gasóleo e híbridos plug-in -, com algumas delas a permitirem um preço mais em conta.

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