É um novo marco decisivo para a Waymo. A empresa do grupo Alphabet vai começar a operar corridas em rodovias nos Estados Unidos, com a promessa de deslocamentos até 50% mais rápidos.
Depois de anos em fase de testes, a Waymo finalmente libera suas viagens para as vias expressas. Seus carros sem motorista passarão a circular nas rodovias de Phoenix, Los Angeles e San Francisco, inicialmente apenas para usuários cadastrados no programa de “acesso antecipado”.
Essa expansão, como era de se esperar, ocorre sob regras bem rígidas: no começo, somente alguns trechos estarão disponíveis; em seguida, o acesso será ampliado gradualmente, etapa por etapa, após uma avaliação metódica do desempenho do sistema e dos feedbacks dos primeiros passageiros. Afinal, isso exige antecipação extrema, decisões tomadas em alta velocidade e a capacidade de identificar perigos a centenas de metros de distância.
“Dirigir em rodovia é muito simples de aprender, mas extremamente difícil de dominar quando falamos de autonomia total, sem um condutor humano dando suporte. E em grande escala. Por isso, foi preciso tempo para fazer isso corretamente, com forte foco na segurança e na confiabilidade do sistema”, explica Dmitri Dolgov, da empresa-irmã do Google.
Uma tecnologia repensada para a grande velocidade
Para chegar a esse ponto, a Waymo reformulou sua abordagem. Agora, o sistema se apoia em dois computadores embarcados capazes de assumir instantaneamente caso um deles apresente falha, além de protocolos de emergência que permitem ao veículo sair da rodovia com segurança. Do mesmo modo, os carros levam um conjunto de sensores com visão de 360°, capaz de detectar um obstáculo a uma distância próxima à de três campos de futebol.
O treinamento do sistema de direção autônoma também se mostrou particularmente complexo por causa da baixa frequência de acidentes em rodovias. Diante disso, os engenheiros da Waymo decidiram recriar, em pista fechada e em simulação, uma série de situações extremas impossíveis de obter em condições reais, com o objetivo de expor a IA a riscos que ela quase nunca encontraria no trânsito do dia a dia.
A concorrência chega
O anúncio surge num momento em que a Waymo reforça sua posição de líder. Seus veículos já rodaram mais de 160 milhões de quilômetros e chegarão à Europa já no ano que vem, em Londres. Além disso, a mudança atende a uma queixa recorrente de usuários, que muitas vezes reclamam de viagens longas devido à impossibilidade de os veículos utilizarem a rodovia.
Ainda assim, a disputa só fica mais intensa, especialmente na China, onde a regulamentação é bastante favorável aos táxis autônomos - como mostram os bons resultados da Baidu. Nos Estados Unidos, a Waymo precisa enfrentar a Tesla, que apesar de tudo continua bem atrasada, além da Zoox, subsidiária da Amazon que iniciou testes públicos em Las Vegas.
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