Audi A4 Allroad: a proposta de um SUV sem parecer um
Se a sua consciência (e talvez o seu bom senso) está a dizer que um SUV grande é uma escolha meio anacrónica hoje em dia - quase tão simpático quanto admitir que, de vez em quando, afoga um órfão -, a receita do Audi A6 Allroad Avant parece feita para si. Ele entrega a capacidade de carga de uma perua, posição de dirigir e altura de acesso mais elevadas, tração integral e a disposição para encarar buracos urbanos e trilhas enlameadas com segurança, mas sem atrair aquela desaprovação típica das “mães descoladas” de espadrilles de sisal reaproveitado. O Allroad é, no fundo, um SUV disfarçado - o Clark Kent do universo 4x4.
Visual e alterações de chassi
E é exatamente essa lógica que a Audi aplicou ao A4. O resultado é uma versão Allroad que ganha 37 mm na altura livre do solo e recebe mais 20 mm de bitola tanto na dianteira quanto na traseira. Para completar o pacote, a carroceria mais alta e mais larga vem acompanhada de extensões plásticas no para-choque e nos arcos de roda, além de saias laterais.
Há ainda protetores inferiores em aço inoxidável que reforçam a mensagem: este é um A4 com pretensões de “faz-tudo”.
Tração quattro e eletrónica pensada para pisos difíceis
Como seria de esperar, entra em cena a geração mais recente do sistema quattro, junto de um novo ESP com “tecnologia de deteção off-road por leitura de superfície”. Na prática, o conjunto cria um A4 com um ar mais parrudo do que um Avant comum, mas sem o tipo de exagero visual que costuma deixar os ambientalistas de cabelo em pé.
Na estrada (e fora dela)
Ao volante, ele comporta-se bem mais como uma perua tradicional do que como um SUV “achatado”. Há um pouco mais de rolagem de carroceria do que num A4 Avant normal, mesmo com a suspensão em “dynamic” em vez de “comfort”, mas dá para tocar o carro num ritmo mais forte sem aquela sensação de enjoo.
A direção não é exatamente um poço de comunicação, embora também não chegue a incomodar. Travões, suspensão e qualidade de rodagem ficam dentro do padrão que se espera de um Audi - isto é, ligeiramente firme, porém com sensação sólida. Fora do asfalto, ele encara mais do que muita gente imagina e, certamente, mais do que a maioria dos donos de SUV algum dia vai precisar.
Motores e câmbios no lançamento
No lançamento, estão previstos três motores:
- 2,0 litros TFSI de quatro cilindros com 210 bhp (cerca de 157 kW) e 258 lb ft (aprox. 350 Nm)
- 2,0 litros TDI de quatro cilindros com 170 bhp (cerca de 127 kW) e 258 lb ft (aprox. 350 Nm)
- 3,0 litros V6 TDI com 240 bhp (cerca de 179 kW) e 369 lb ft (aprox. 500 Nm)
A transmissão pode ser manual de seis marchas ou a “S-Tronic” de sete velocidades, com dupla embreagem.
2.0 TFSI vs 3.0 V6 TDI: desempenho, custo e consumo
Vale destacar um ponto interessante: o 2.0 TFSI com S-Tronic custa cerca de quatro mil a menos do que o 3.0 V6 TDI e, ainda assim, entrega números muito próximos. Ele faz 0–62 mph em 6,9 s (6,6 s no V6 TDI), chega a 143 mph (147), faz 34,9 mpg (39,2) e emite 189 g/km de CO2 - exatamente o mesmo valor do V6 TDI.
Na sensação, o diesel maior parece mais “brigão” e cheio, enquanto o gasolina menor soa mais disposto e divertido.
Também há sistema de parar/ligar e um gráfico com dicas para condução mais económica - basicamente, ele vai insistir para que troque de marcha para cima o tempo todo. Não é um carro para gerar desejo, mas oferece um apelo amplo e prático, com um emblema de respeito. Não quer um SUV, mas quer a capacidade? Um Allroad resolve.
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