O que mudou no novo Megane reestilizado?
Então, esta é a primeira vez que dá para guiar o Megane novo?
Sim. Ele continua a ser, tecnicamente, o hatch francês de quarta geração, só que a Renault aproveitou para atualizar alguns pontos: faróis dianteiros de LED com desenho renovado, novas telas internas e, de série, compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto. E ainda colocaram até iluminação nova nas maçanetas das portas. Chique.
Em resumo, é aquele “facelift” bem típico. A diferença é que, desta vez, a Renault nos colocou primeiro ao volante da versão perua, a Sport Tourer. E, convenhamos, ela fica bem especialmente na configuração mais completa R.S. Line, como a das fotos.
E‑Tech: como funciona o híbrido plug-in da Renault
O nome indica que tem algo a mais de novidade?
Exato. “E‑Tech” é o nome que a Renault passou a usar para a sua tecnologia híbrida, e ela é bem mais interessante do que apenas trocar LEDs na frente e atrás.
A marca diz que usou conhecimentos do seu time de F1, que vem melhorando, para desenvolver um conjunto que combina dois motores elétricos com um motor a gasolina 1.6 de quatro cilindros (bem simples) e um câmbio multidirecional do tipo “dog”, sem embreagem.
O motor elétrico maior move sozinho as rodas dianteiras ao arrancar e, no modo “Pure”, consegue fazer isso até 84mph (135 km/h). Já o motor elétrico menor serve para dar partida no motor a combustão e para sincronizar a rotação do motor com a velocidade do carro, o que ajuda a garantir trocas suaves mesmo sem embreagem. A Renault afirma que, por não ter embreagem e por dispensar outros componentes, este deve ser o sistema híbrido completo mais barato do mercado. E tem mais: não existe marcha à ré, porque a ré é feita via eletricidade.
Números e autonomia do Megane E‑Tech
O que isso representa em números para o Megane?
Vamos lá: somando os sistemas de propulsão, o Megane E‑Tech entrega 160bhp e 275lb ft de torque, o que rende um 0-62mph em 9.8 segundos, um resultado bem respeitável.
Além disso, diferente do Clio (menor) e mais parecido com o Captur, o Megane usa uma bateria de íons de lítio de 9.8kWh. Isso o transforma em um híbrido plug-in e permite, segundo a Renault, uma autonomia elétrica de até 30 miles (48 km).
Ao volante: trocas, modos e sensações
E na prática, como é dirigir?
No geral, é bem impressionante. As trocas acontecem com suavidade, e há muito menos daquele efeito “elástico” de giro que costuma aparecer em híbridos com câmbio CVT. A rotação do motor tende a acompanhar bem a velocidade do carro e só fica um pouco estranha quando você tira o pé: ele continua girando por um instante a mais do que você esperaria.
Se a bateria acabar, surge também um tipo de som diferente, porque o motor 1.6 de quatro cilindros passa a trabalhar como gerador. Ele manda energia direto para a bateria para garantir carga suficiente e manter a capacidade de sempre iniciar em modo 100% elétrico. Não é algo preocupante; inclusive, tentar entender pelo barulho o que o conjunto está fazendo em cada momento vira até uma forma curiosa de passar o tempo.
Há três modos de condução: o já citado “Pure”, o Sport (exatamente o que promete) e o “MySense”, que procura maximizar a eficiência quando o carro está rodando como híbrido. A direção tem bom peso, e o pedal de freio mantém uma sensação linear, apesar da regeneração.
No fim das contas, dá para perceber que este sistema híbrido é realmente muito inteligente, mesmo tendo sido concebido para ser uma alternativa mais acessível. E o fato de isso ficar evidente não é problema: a Renault deveria falar alto sobre o assunto e transformar isso em destaque.
Consumo e emissões (WLTP)
E o que a Renault promete de eficiência?
Os números são, de fato, bem fortes. Na carroceria Sport Tourer, a Renault declara 217.2mpg no ciclo WLTP (aprox. 76,9 km/l) e emissões de apenas 30g/km de CO2. É um dado chamativo para um carro que faz 0-60mph em tempo de um dígito; e, embora ele não pareça feito para curtir uma tocada completamente no limite, o Megane consegue manter boa parte dessa eficiência mesmo quando você se empolga com o pé direito.
Versões, equipamentos e preço
Tem mais algum detalhe importante?
A Renault diz que quer “democratizar” a propulsão híbrida com os seus sistemas E‑Tech. Em outras palavras, no Clio e no Captur, o conjunto mecânico poderá ser comprado independentemente do nível de acabamento que o cliente conseguir pagar.
No Megane, porém, as escolhas ficam restritas às versões Iconic ou R.S. Line. Em formato Sport Tourer, todas trazem um porta-malas generoso de 447 litros e um pacote de assistências de segurança de série. Há alerta de saída de faixa, reconhecimento de placas de trânsito e farol alto/baixo automático; e as R.S. Line ainda incluem, sem custo extra, um Sistema Ativo de Frenagem de Emergência. A linha Iconic parte de £30,685.
Ah, e vem um carregador wallbox gratuito para instalar em casa, oferecido pela BP Chargemaster. Bom agrado.
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