Um Tesla Model 3 usado pode ser um ótimo negócio, mas é importante ficar de olho em alguns sinais.
Procurar um Tesla Model 3 no mercado de usados costuma ser um bom começo - e isso fica claro ao longo deste guia. Principalmente para quem prioriza baixo custo de uso e tecnologia. Entre videogames e um “simulador de flatulência” (sim… é isso mesmo), há recursos realmente úteis.
Aqui, o foco é a primeira geração do modelo, que chegou à Europa em 2019 e foi vendida até 2023. Hoje, existem centenas de unidades disponíveis no mercado de usados.
Foi um carro que fez o que poucos elétricos tinham conseguido até então: popularizar a ideia de que um elétrico pode oferecer autonomia suficiente para viajar sem custar uma fortuna. Isso era verdade quando novo - e continua valendo no usado.
A gente explica tudo neste artigo e também em vídeo no nosso canal do YouTube:
Neste guia de compra, com apoio do Piscapisca.pt - o portal com o maior número de carros à venda em Portugal - reunimos o que vocês precisam saber antes de levar um Model 3 para casa: os defeitos mais frequentes, os pontos de atenção, a variação de preços e o custo dos principais itens de desgaste. Tudo isso aparece no vídeo e também nas linhas a seguir.
Tesla Model 3 por fora
Por fora, o Tesla Model 3 ainda passa a sensação de carro atual. O visual minimalista envelheceu bem: maçanetas embutidas, teto de vidro, traços limpos e com um ar “genérico”. E é justamente essa neutralidade - linhas limpas e sem exageros - que ajuda a manter o modelo “em dia”. Não desperta paixão em todo mundo, mas também não costuma causar rejeição.
Todas as unidades citadas aqui são da geração pré-Highland, produzida até 2023. Isso significa que alguns detalhes de acabamento (principalmente nos primeiros anos) ficam abaixo do padrão que muitos consumidores europeus estavam acostumados.
Antes de comprar, vale checar o alinhamento das peças da carroceria, possíveis falhas e o desgaste da pintura. Em unidades importadas, especialmente vindas de países nórdicos, é prudente considerar a existência de pontos de corrosão.
Alta tecnologia, mas qualidade mediana
No interior, a proposta continua genérica se comparada ao exterior, porém mais radical - e, em vários aspectos, mais bem resolvida. Dá para encontrar bons exemplos e também pontos fracos. Vamos começar pelo que funciona bem.
Uma tela de 15” concentra praticamente todos os comandos e funções do carro. É ela que cria o ambiente futurista que atrai tantos compradores, mas também pode virar um problema: se a tela falhar, o acesso a quase tudo fica comprometido.
A boa notícia é que a confiabilidade do sistema de infoentretenimento - tela e unidade de processamento - costuma ser alta. Em geral, não é algo que deva tirar o sono.
O uso de botões físicos, como dá para ver na galeria de imagens, é quase inexistente. Ainda assim, a interface com o usuário é muito bem pensada. Mesmo passados seis anos desde o lançamento na Europa, continua entre os melhores sistemas disponíveis na indústria automotiva.
Espaço para quatro adultos não falta, o porta-malas é amplo e o frunk (compartimento sob o capô) adiciona praticidade. O que deixa a desejar é a percepção de alguns plásticos e a resistência de certos acabamentos, que mudam bastante conforme o ano.
Em estrada
Falando só da experiência ao volante, dá para enxergar o Tesla Model 3 por dois ângulos. Quem tem um carro de entrada na garagem e migra para um Model 3 sente um salto enorme. Já quem vem de uma marca premium (com menos de 20 anos) pode não perceber grande avanço - e talvez até sinta um retrocesso em alguns pontos.
A ideia aqui é escapar de dois extremos: de um lado, os absolutismos de quem detesta a marca; do outro, o entusiasmo cego de fãs da marca de Elon Musk. Como em quase tudo, o equilíbrio costuma ser o melhor caminho - e o Model 3 também não foge disso.
Feito esse alerta, vale destacar a resposta do conjunto 100% elétrico. Como eu disse no vídeo, independentemente da versão escolhida, a aceleração do modelo não deixa margem para dúvidas. É eficiente, rápido e… barato. É uma das formas mais econômicas de ter mais de 350 cv na garagem.
No conforto, a suspensão poderia ser mais bem calibrada. Em pisos ruins, o Model 3 se mostra mais firme do que o ideal. Além disso, aparecem vários ruídos parasitas. E, nesse quesito, quanto mais antigo o Model 3, pior tende a ser. A qualidade de montagem da Tesla evoluiu muito ao longo dos anos - a ponto de parte dessas críticas já nem se aplicar à versão Highland, lançada em 2023.
Em comportamento dinâmico, é um carro bem correto e preciso. Se empolga? De novo, depende de quem responde. Os petrolhead vão sentir falta do som de um motor a combustão e reclamar do peso. Já o usuário comum tende a perceber um carro seguro.
As versões com tração traseira, em condições de baixa aderência, podem acionar com mais frequência os sistemas de controle de tração e estabilidade. Ainda assim, nada que mude a avaliação geral do modelo.
Evolução dos preços
A Razão Automóvel, em parceria com o Piscapisca.pt, quer ajudar a aumentar a transparência no mercado de usados. No link, vocês encontram dados da consultoria MotorCV sobre a evolução dos preços do Tesla Model 3 no mercado português:
Como é natural, quanto mais antigo o carro, menor o preço - uma regra que vale para qualquer modelo. Mas, no caso do Tesla Model 3, existe um motivo extra para considerar unidades mais novas: a qualidade de construção foi melhorando com o tempo.
Custos de utilização
Como a gente destaca no vídeo em evidência, o custo de uso é uma das grandes vantagens dos veículos 100% elétricos. E, deixando de lado as questões de construção e montagem, os componentes elétricos da Tesla são resistentes.
Não é raro ver unidades com mais de 200 mil quilômetros e uma degradação de bateria na faixa de 10%. Considerando que a maior queda costuma acontecer nos primeiros anos e depois tende a estabilizar, esse número é um bom sinal.
Como explicamos no vídeo, também dá para fazer um check-up do estado da bateria. É um processo transparente, que aumenta a confiança tanto de quem compra quanto de quem vende. E, quando o assunto são peças de reposição ou itens de desgaste, os valores também são competitivos.
A nossa escolha
Depende. Se vocês querem pagar menos e não rodam muito, a indicação é o Tesla Model 3 SR (Standard Range), de preferência já com baterias LFP - no vídeo, explicamos como identificar a química das baterias.
Por outro lado, se a ideia é encarar viagens longas e usar o carro como principal veículo da família, as versões LR (Long Range) podem fazer mais sentido.
Alternativas
Se vocês ainda não estiverem totalmente convencidos pelos pontos fortes do Tesla Model 3, no Piscapisca.pt há muitas alternativas interessantes a esse sedã elétrico: um exemplo é o Volkswagen ID.4, que já aparece por preços em torno de 23 mil euros.
E, se espaço for prioridade, dá para “piscar” o olho para o Skoda Enyaq, que também já pode ser encontrado por cerca de 25 mil euros. Unidades mais recentes (a partir de 2023) do Kia e-Niro também podem ser boas opções para quem procura um elétrico confortável e espaçoso.
Para quem quer algo mais premium, há dois modelos que merecem consideração: Volvo XC40 Recharge (a partir de 27 mil euros) e Polestar 2 (a partir de 25 mil euros). Este último é rival direto do Tesla Model 3 e se destaca positivamente pelo acabamento interno e pelo comportamento dinâmico.
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