Pular para o conteúdo

Renault Emblème combina baterias e célula a combustível de hidrogênio

Carro elétrico Renault Embleme H2 branco exibido em estande de exposição com fundo azul tecnológico.

Em vez de apostar todas as fichas em uma única solução, a Renault está olhando para a eletrificação por um caminho mais amplo: baterias, sim, mas também célula a combustível de hidrogênio (fuel cell). A ideia é juntar as duas tecnologias no novo concept Renault Emblème para avançar na redução de emissões e na busca pela neutralidade de carbono.

Só que, para chegar aos 90% de corte nas emissões de gases de efeito estufa do berço ao fim de vida (cradle to grave) que a marca promete para o Emblème - em comparação com um veículo equivalente construído hoje -, não basta combinar bateria e hidrogênio na mesma cadeia cinemática.

O concept também aposta em materiais reciclados e naturais, componentes reutilizados e métodos de produção com energia renovável, entre outras medidas. Na soma final, a Renault calcula que o Emblème, do berço ao fim de vida, emitirá apenas cinco toneladas de CO2e (CO2 equivalente).

Baterias + pilha de combustível a hidrogénio

O Renault Emblème é elétrico - motor traseiro com 160 kW (218 cv) -, mas usa duas fontes de energia para alimentá-lo.

A primeira é uma bateria com química NMC (níquel, manganês, cobalto) e 40 kWh de capacidade; a segunda é uma pilha de combustível a hidrogênio de 30 kW, com eficiência máxima de 60% (apoiada por um tanque de hidrogênio com 2,8 kg de capacidade).

Não é a primeira vez que a Renault explora esse tipo de solução. Em 2022, a marca mostrou o Scenic Vision, que usava uma cadeia cinemática semelhante:

A união das duas abordagens ajuda a aliviar um dos principais entraves dos elétricos atuais: para ter grande autonomia só com baterias, costuma ser necessário usar packs enormes e pesados, que ainda levam bastante tempo para recarregar.

A Renault não divulga números finais, mas afirma que a bateria relativamente pequena do Emblème já garante algumas centenas de quilômetros - o suficiente para a rotina do dia a dia. A pilha de combustível acrescenta 350 km e, diferente de uma bateria, não exige muito tempo para “recarregar”: em menos de cinco minutos dá para reabastecer o tanque de hidrogênio.

Somando as duas fontes de energia, a Renault garante que o Emblème consegue percorrer 1000 km tão rápido quanto um carro a combustão. Isso porque deixa de ser necessário parar para carregar a bateria, e os dois reabastecimentos previstos de hidrogênio são tão rápidos quanto encher um tanque de gasolina ou diesel.

Além de tudo, o uso dessas duas tecnologias também ajuda a reduzir o excesso de peso que costuma marcar os elétricos. É verdade que os 1750 kg anunciados não transformam este protótipo de 4,8 m de comprimento em um “peso pena”, mas ainda assim são algumas centenas de quilos a menos em relação a elétricos a bateria equivalentes.

Ele é, inclusive, cerca de 100 kg mais leve que o Scenic 100% elétrico, que é mais de 30 cm mais curto.

Novo design da Renault

Os olhos também contam e, para exibir as virtudes dessa solução tecnológica, a Renault a colocou em uma shooting brake de visual esportivo, sem abrir mão das responsabilidades familiares.

Trata-se, na prática, da estreia de uma nova linguagem de design: linhas curvilíneas combinadas com traços mais marcados e técnicos, além de novos elementos gráficos (como as óticas) inspirados no símbolo losangular da Renault.

Além do novo estilo, a Renault destaca a eficiência como um dos pilares dessa linguagem de design, o que aparece no foco aerodinâmico. É anunciado um Cx de 0,25 (menor do que os 0,29 do Megane, por exemplo).

Ainda não há imagens do interior, mas o Renault Emblème será revelado publicamente no Salão de Paris, que abre as portas no próximo dia 14 de outubro. Por enquanto, não há previsão de que este concept antecipe diretamente um modelo de produção.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário