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Grupo Volkswagen: vendas estáveis em 2025, lucro cai e projeções para 2026

Homem de negócios em escritório de fábrica de carros cercado por veículos em diferentes estágios de montagem.

O ano de 2025 colocou a resiliência do Grupo Volkswagen à prova. Em meio a tarifas comerciais, tensões geopolíticas e uma disputa mais acirrada no setor, o conglomerado automotivo conseguiu sustentar um nível de emplacamentos bastante parecido com o do ano anterior: 8,984 milhões de unidades, apenas 0,5% abaixo de 2024.

Esse comportamento também aparece nas receitas de vendas, que somaram 321,9 bilhões de euros (-0,8% em relação a 2024). Já no resultado final, a pressão foi inevitável.

Ao fechar o ano, o grupo reportou 6,9 bilhões de euros de lucro líquido (-44% na comparação com 2024), o menor patamar desde o escândalo do Dieselgate, em 2016. O desempenho reflete, principalmente, o efeito das tarifas comerciais nos EUA, o ano difícil da Porsche, variações cambiais e mudanças no mix de preços.

Por divisão do Grupo Volkswagen

Dentro do Grupo Volkswagen, os números de 2025 evidenciam diferenças claras de desempenho entre as áreas. As 10 marcas principais do conglomerado estão organizadas em divisões: Núcleo (Volkswagen, Skoda, SEAT, CUPRA e Volkswagen Veículos Comerciais), Progressiva (Audi, Bentley, Lamborghini e Ducati) e Esporte e Luxo (Porsche).

Na divisão Núcleo, as receitas avançaram 3,7% e chegaram a 145,2 bilhões de euros, impulsionadas por um crescimento de 3,3% nas vendas de veículos. O resultado operacional ficou um pouco abaixo do registrado no ano anterior, em 6,8 bilhões de euros, refletindo sobretudo os impactos negativos das tarifas nos EUA. A margem operacional foi de 4,7%. A Skoda voltou a se destacar com um desempenho consistente, enquanto a marca Volkswagen atingiu as expectativas já ajustadas por tarifas e itens especiais.

A divisão Progressiva apresentou uma leve alta de receitas, para 65,5 bilhões de euros (+1,5%), sustentada por uma participação maior de modelos totalmente elétricos. Ainda assim, o resultado operacional recuou 13,6%, para 3,4 bilhões de euros, com a margem encolhendo para 5,1%. Essa queda foi influenciada especialmente pelas tarifas nos EUA e pelos custos ligados ao novo acordo estratégico da Audi para os próximos anos.

Já na divisão Esporte e Luxo - composta apenas pela Porsche - houve uma redução expressiva das receitas para 32,185 bilhões de euros (-11,7%). O resultado operacional praticamente desapareceu, ficando em apenas 100 milhões de euros, com margem de 0,3% - sem incluir os números da Porsche Financial Services. Quando considerados, os resultados ficam ligeiramente melhores.

A retração foi atribuída a um mercado em mudança, principalmente na China, aos efeitos das tarifas nos EUA e a um ritmo mais lento na expansão da mobilidade elétrica. Diante disso, a marca deu início a uma reorientação estratégica voltada a reforçar a rentabilidade e a resiliência no longo prazo.

Expectativas para 2026

Para 2026, o Grupo Volkswagen mantém uma postura prudente, embora confiante. A projeção é de crescimento de receitas entre 0% e 3% e margem operacional na faixa de 4% a 5,5%. A liquidez da divisão automotiva deve seguir robusta, entre 32 e 34 bilhões de euros, enquanto os investimentos em novas tecnologias permanecem entre 11% e 12%.

“A margem operacional de 4,6% ajustada à reestruturação não é suficiente a longo prazo. Neste contexto desafiante, queremos manter os nossos veículos com motor de combustão tecnologicamente competitivos, continuar a investir em veículos elétricos inovadores e nas mais recentes soluções de software para os nossos clientes, e expandir a nossa presença regional, particularmente nos EUA”, afirmou Arno Antlitz, diretor financeiro e diretor de operações do Grupo Volkswagen.

Menos postos de trabalho

Todas as marcas do grupo estão passando por processos de reestruturação, que incluem também uma redução relevante no número de vagas. Foram anunciados cortes de até 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. Ainda não foram divulgados os detalhes de como essa etapa será implementada.

Vale lembrar que, no fim de 2024, a administração e o sindicato dos trabalhadores firmaram um acordo que previa mudanças profundas nas operações do grupo na Alemanha, incluindo o corte de 35 mil postos de trabalho e reduções de capacidade produtiva.

Mesmo assim, a presidente do conselho de trabalhadores do Grupo Volkswagen, Daniela Cavallo, assegurou que o entendimento fechado naquela ocasião excluía o fechamento de fábricas e demissões por motivos operacionais.

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