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Japão afirma ter recuperado sedimentos de terras raras a 6.000 metros no Pacífico

Pesquisador em traje laranja segura amostra de sedimento em sonda no convés de navio no mar aberto.

O Japão informou ter conseguido, pela primeira vez, trazer à superfície sedimentos com alta concentração de terras raras a 6.000 metros de profundidade, em águas próximas de uma de suas ilhas mais remotas. O feito é apresentado como um salto tecnológico num momento em que Tóquio tenta diminuir a dependência da China em insumos que se tornaram essenciais tanto para a economia quanto para a segurança.

Terras raras e a economia moderna

As terras raras formam um conjunto de 17 metais considerados indispensáveis no mundo atual. Eles entram na fabricação de smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos e, ao mesmo tempo, estão presentes em sistemas de radar, mísseis e aeronaves de combate. O ponto crítico não é exatamente a escassez desses elementos, e sim a complexidade de extraí-los e refiná-los - processos demorados, caros e poluentes. Por isso, a produção global acaba ficando fortemente concentrada.

China no centro do mercado e a dependência do Japão

Hoje, quem ocupa a posição dominante é a China. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o país responde por quase dois terços da produção mundial na mineração e por mais de 90% do refino. Trata-se de uma vantagem estratégica que Pequim não hesita em transformar em instrumento político: nos últimos meses, restringiu a exportação para o Japão de alguns produtos com uso militar, reacendendo preocupações sobre a segurança das cadeias de abastecimento.

Para Tóquio, a questão é, portanto, de primeira ordem. O país importa cerca de 70% de suas terras raras da China, mesmo tendo direcionado investimentos à Austrália e à Europa para diversificar fornecedores. Em um cenário de aumento das tensões geopolíticas em torno de Taiwan - que a potência chinesa considera uma província a ser retomada pela força, se julgar necessário -, o objetivo passa a ser garantir acesso a materiais críticos, ainda que isso implique custos elevados.

Uma primeira mundial nas profundezas do Pacífico

Nesse contexto, o governo japonês anunciou ter recuperado sedimentos ricos em terras raras a 6.000 metros de profundidade, algo inédito no mundo. A missão foi realizada pelo navio científico de perfuração em águas profundas Chikyu, ao largo da ilha de Minamitori, o ponto mais oriental do território japonês, no coração do Oceano Pacífico.

Vamos analisar os detalhes, inclusive a quantidade exata de terras raras contida na amostra”, declarou o porta-voz do governo, Kei Sato, ao mencionar um “avanço significativo para a segurança econômica e o desenvolvimento marítimo”. O Japão sustenta que a área pode concentrar mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, com volumes expressivos de disprósio e ítrio - dois metais decisivos para ímãs de alto desempenho e tecnologias avançadas.

Testes antes de qualquer exploração

Apesar do anúncio, o país ainda não fala em operação comercial. As próximas etapas incluem testar a capacidade de elevar até 350 toneladas de lama por dia a partir de uma profundidade entre 5 e 6 quilômetros e, depois, medir a viabilidade econômica e ambiental do método.

Antes de tudo, isso é segurança econômica”, resume Shoichi Ishii, diretor de programa, avaliando que a indústria japonesa precisa desses metais “seja qual for o preço”.

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