Exibição em Nova Délhi e configuração TEL 12×12
Durante o desfile militar em Nova Délhi que marcou o 77º Dia da República, as Forças Armadas da Índia exibiram seu novo míssil hipersônico antinavio de longo alcance, batizado de LR-AShM. O sistema foi desenvolvido pela Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO) com a proposta de fortalecer a dissuasão do país frente aos avanços obtidos por China e Paquistão nesse campo.
Nas imagens divulgadas em canais oficiais, o míssil aparece instalado em um lançador do tipo TEL de formato cilíndrico, montado sobre um chassi 12×12. Essa configuração sugere foco em mobilidade para emprego em baterias de defesa costeira.
Capacidades do míssil hipersônico antinavio LR-AShM
Conforme descrito pela própria DRDO, trata-se de um armamento capaz de engajar e neutralizar alvos a até 1.500 quilômetros de distância - um salto expressivo em relação aos mísseis BrahMos atualmente em serviço. O LR-AShM também pode receber diferentes tipos de ogivas, escolhidas de acordo com as exigências de cada missão.
Em paralelo, relatos de fontes de inteligência aberta (OSINT) apontam que o míssil teria cerca de 14 metros de comprimento e 1,4 metro de diâmetro. Dentro dessas dimensões, cada unidade teria massa aproximada de 20 toneladas.
Também se sabe que o LR-AShM utiliza um sistema de propulsão baseado em motor-foguete de combustível sólido com dois estágios. Quanto ao perfil de voo, a plataforma teria condições de executar a fase terminal em baixas altitudes, o que tende a complicar o trabalho das defesas aéreas do alvo. Embora sem divulgação de detalhes adicionais, a Índia sustenta ainda que cada míssil conta com um conjunto moderno de sensores nacionais de alta precisão, com efetividade tanto contra alvos fixos quanto móveis.
Perfil de voo, HGV e indícios de “skip-glide”
No campo das hipóteses, reportagens locais já haviam sugerido que o LR-AShM poderia empregar um veículo planador hipersônico (HGV). Isso implicaria a capacidade de realizar parte do trajeto na atmosfera, além de manobras irregulares e variações de altitude para dificultar a interceptação por mísseis inimigos.
Entretanto, o desenho mostrado ao longo do desfile não parece incluir um HGV. Em vez disso, observa-se um motor de grande porte, característica que o tornaria mais próximo de um míssil balístico. Também chamam atenção grandes asas ao longo do corpo, o que poderia ampliar o alcance em voo planado.
Reforçando essa leitura, a Índia informou que o míssil seria capaz de atingir velocidades de até Mach 10, embora esse valor caia para cerca da metade durante a maior parte do deslocamento até o alvo. Esse comportamento indicaria um trajeto do tipo “skip-glide“.
Por ora, independentemente das nuances técnicas, o surgimento do LR-AShM colocaria a Índia em um grupo restrito de países que já possuem - ou estão prestes a obter - armamentos hipersônicos de longo alcance, com China e Rússia liderando esse tipo de desenvolvimento. Além disso, Nova Délhi acompanha a possibilidade de uma variante do míssil adaptável a navios de superfície da Marinha Indiana, o que traria mais flexibilidade de emprego em comparação às baterias costeiras.
Imagem de capa: @DefProdnIndia no X
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