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Engenheiros dos EUA migram para ByteDance e Tencent

Jovem com mochila e mala de viagem na sala de embarque, com avião ao fundo e notebook aberto sobre cadeira.

Engenheiros dos EUA passam a ir para ByteDance e Tencent

O Financial Times relata uma virada no fluxo global de profissionais na indústria de TI: ao longo do último ano, uma nova leva de engenheiros e pesquisadores que trabalhavam nos EUA retornou à China. Trata-se de especialistas que vêm reforçando frentes de IA na ByteDance, Tencent, Alibaba e também em startups próprias em Shenzhen e noutros polos tecnológicos do país.

Entre os casos mais chamativos estão pesquisadores que antes ocupavam cargos no Google DeepMind e na OpenAI, além de engenheiros que, depois de passarem por laboratórios americanos, regressam para abrir as suas próprias empresas na China. Segundo profissionais de RH, nos últimos 12 meses eles ajudaram a transferir dos EUA para a China mais de 30 trabalhadores ligados à IA - quando, anteriormente, situações desse tipo eram raras.

Fatores por trás do retorno de talentos de IA à China

Especialistas atribuem essa tendência a vários motivos ao mesmo tempo. Primeiro, a China passou a colocar a IA em prática de forma bem mais intensa na economia real: de transporte autónomo a fintechs e robótica. Segundo, hubs tecnológicos como Shenzhen e Xangai viram fortalecer-se a base de hardware e de manufatura, ao mesmo tempo em que cresceu a procura por engenheiros que atuam na interseção entre software e hardware. Terceiro, a remuneração para profissionais de topo em IA na China, levando em conta impostos e custo de vida, tornou-se bastante comparável e, em alguns casos, até mais vantajosa do que no Vale do Silício.

Geopolítica, imigração e a previsibilidade de carreira nos EUA

Outro elemento relevante é que, com o aumento das tensões geopolíticas e o endurecimento da política migratória, o caminho que vai da formação académica ao emprego nos EUA ficou menos previsível para muitos profissionais chineses.

Por que isso não significa um êxodo total do Vale do Silício

Ainda assim, o FT ressalta que não se trata de uma saída completa de talentos dos EUA: o Vale do Silício continua a ser o ecossistema mais forte para startups e para a comercialização de tecnologia, e o fluxo de profissionais segue a acontecer nos dois sentidos. Mesmo assim, o crescimento no número de retornos indica que o equilíbrio tecnológico entre EUA e China está a mudar gradualmente, e que a China passa cada vez mais a ser não apenas consumidora, mas também criadora de soluções avançadas de IA.

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