Um piloto da American Airlines fez um pedido fora do comum ao controle de tráfego aéreo: queria que o seu código de transponder fosse substituído.
Para que serve o código de transponder
O código de quatro dígitos do transponder é definido pouco antes da decolagem (em aeroportos com controle) e permite que o controlador associe, no radar, o alvo exibido à aeronave correta. Além disso, o sistema também é usado para sinalizar situações de emergência, que vão de falha de rádio a uma tentativa de sequestro a bordo.
Em condições normais, esse identificador é escolhido de forma aleatória e costuma diferir em pelo menos dois dígitos dos códigos atribuídos a aeronaves com partidas em horários próximos - por exemplo, 5450 para um voo e 5472 para outro.
O “1313” no voo AA 3192 da American Airlines
Às vezes, porém, a combinação acaba esbarrando em crenças populares. Foi o que aconteceu com o voo AA 3192, operado por um Boeing 737-800 da American Airlines, no trecho de Chicago, em Illinois, para San Juan, em Porto Rico.
No dia 25 de junho, o controle de voos em Chicago atribuiu ao voo o código de transponder 1313. O piloto, no entanto, não ficou à vontade com a escolha. O número 13 é frequentemente ligado à ideia de azar, especialmente em países ocidentais, como os Estados Unidos, a Inglaterra e o Brasil.
Superstição do número 13 no turismo e na aviação
Até hoje, não há uma explicação única e definitiva para essa associação. As hipóteses citadas incluem interpretações religiosas - como a quantidade de pessoas na Última Ceia de Jesus - e também referências à mitologia nórdica: Loki, deus da trapaça e da travessura, teria sido o 13º convidado de um banquete entre deuses, como aponta a BBC.
Esse tipo de crença também aparece no setor de viagens. Há hotéis que não têm o 13º andar. E, entre companhias aéreas, não faltam exemplos de empresas que evitam a fileira 13 em seus aviões, como Air France, KLM, Emirates, Lufthansa, Ryanair, United Airlines, Singapore Airlines e a brasileira GOL.
Por isso, o piloto da American preferiu não arriscar e solicitou ao controlador a alteração do código. O controlador questionou: “Você não gostou do número 1313?“, e o aviador respondeu: “Não sou supersticioso, mas não vou testar“, deixando claro que não queria correr nenhum risco - ou, na expressão popular, “pagar para ver”.
O controlador explicou que não tinha autoridade para efetuar a troca diretamente, mas que acionaria o Centro de Controle de Área de Chicago para pedir a mudança. Embora o áudio mencionado não registre esse trecho, o código acabou alterado para 4131, ainda com a sequência “13”, porém sem a repetição - e o voo ocorreu sem intercorrências.
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