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Na Embraer, começa a construção do primeiro C-390 Millennium da Real Força Aérea Holandesa

Homens em uniforme discutem planos diante de avião militar cinza em hangar iluminado.

A renovação de uma frota de transporte estratégico não acontece só no papel: ela começa quando metal vira peça, e peça vira avião. Nesse contexto, a Real Força Aérea Holandesa (RHEA) avançou mais uma etapa ao dar início à construção do seu primeiro C-390 Millennium, aeronave produzida pela brasileira Embraer.

O passo é particularmente relevante por integrar um programa de cooperação internacional que reúne Holanda, Áustria e Suécia na compra conjunta de 13 aeronaves (cinco para a Holanda e quatro para cada um dos outros três parceiros), com coordenação e liderança logística do Ministério da Defesa holandês.

A produção da primeira fuselagem, prevista para levar oito meses, dá a largada a um ciclo industrial estimado em cerca de dois anos. Depois que a estrutura principal estiver pronta, serão instalados os sistemas de gerenciamento de voo, autoproteção e uma aviônica avançada. Todos os C-390 do programa terão uma configuração padronizada, o que ajuda a cortar custos operacionais e facilita operações combinadas entre os três países, aproveitando economias de escala em manutenção, treinamento e suporte técnico.

O projeto também reforça a participação da indústria holandesa, já que parte da montagem final e da integração de sistemas acontecerá em Woensdrecht, em parceria com empresas aeroespaciais locais. O C-390 Millennium entrará para substituir o veterano C-130 Hercules, que serviu por mais de quatro décadas na Força Aérea Real Britânica (RAF). Pelo cronograma definido, a primeira aeronave deve ser entregue em 2027, e a última unidade deve ser incorporada por volta de 2029.

Antes do início da construção do primeiro C-390 holandês, houve uma fase intensa de treinamento em Portugal. Lá, as tripulações da RAF começaram a instrução operacional em agosto de 2025, com apoio do Esquadrão 506 “Rinoceronte” da Força Aérea Portuguesa. Ao longo das semanas de treinamento, o efetivo realizou sessões em simulador e 11 missões de voo de logística, somando quase 50 horas operacionais. A preparação ampliou a cooperação entre os dois países e ajudou a Holanda a ganhar familiaridade com a plataforma antes de receber sua própria aeronave.

Portugal, pioneiro europeu na operação do KC-390 Millennium, compartilhou sua experiência em transporte de carga, reabastecimento em voo, evacuações médicas, busca e salvamento e missões de ajuda humanitária. Essa troca técnica com os Países Baixos contribui para padronizar procedimentos no âmbito da NATO, elevando a interoperabilidade e a prontidão em operações multinacionais. Assim, o novo C-390 se conecta a uma rede de cooperação que já demonstrou resultados em cenários de crise e em missões internacionais.

Vale lembrar que, em junho de 2025, durante o Salão Aeronáutico de Paris, a Embraer e o Ministério da Defesa neerlandês firmaram um acordo para equipar a futura frota com módulos aeromédicos do tipo roll-on/roll-off, capazes de converter o C-390 em uma aeronave para evacuações médicas de alta complexidade. O sistema, projetado para instalação rápida pela rampa traseira, permitirá executar evacuações médicas e missões humanitárias em condições extremas. Com essa capacidade, o C-390 Millennium se afirma como uma aeronave multimissão de nova geração, fortalecendo o papel da indústria brasileira no setor de defesa e ampliando as capacidades estratégicas da Força Aérea Holandesa.

*Créditos da imagem: Ministério da Defesa dos Países Baixos

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