Descartar a primeira água do feijão - a chamada água do remolho - é uma recomendação comum para deixar o preparo mais “leve” e diminuir parte dos componentes ligados a gases e desconforto intestinal. Em termos práticos, a técnica é simples: deixar os grãos de molho por algumas horas, jogar fora essa água, enxaguar e cozinhar em água limpa.
Por que o feijão deve ficar de molho?
O remolho serve para reidratar o grão antes do cozimento, encurtar o tempo na panela e ajudar o feijão a cozinhar de maneira mais uniforme, com textura mais regular. Pesquisas sobre o preparo do feijão indicam que o hábito de deixar os grãos de molho tende a reduzir o tempo de cocção e melhora o comportamento do grão durante o cozimento.
Além disso, o feijão tem oligossacarídeos - como rafinose, estaquiose e outros carboidratos de digestão difícil. Em algumas pessoas, esses compostos chegam ao intestino grosso e acabam fermentando, o que pode aumentar a formação de gases. A Embrapa aponta a presença desses oligossacarídeos no feijão, e a Harvard Health descreve que o molho, quando seguido do descarte da água, ajuda a remover uma parte desses carboidratos indigestos.
Para que serve jogar fora a primeira água?
Enquanto o feijão fica de molho, parte do que é solúvel migra para o líquido. Ao descartar essa água, você reduz uma fração dos oligossacarídeos associados aos gases e também diminui parte de substâncias conhecidas como antinutrientes, que podem atrapalhar a absorção de minerais.
Um material técnico sobre o pré-preparo do feijão reforça justamente a indicação de fazer o remolho e eliminar a água para reduzir oligossacarídeos relacionados à flatulência, com tempo de molho entre 8 a 12 horas.
Essa prática tira nutrientes do feijão?
Sim. Pode acontecer perda de nutrientes solúveis - sobretudo minerais - que passam para a água do remolho. A própria Embrapa observa que jogar fora esse líquido pode ajudar a evitar desconfortos, mas também pode levar à perda de minerais.
Ainda assim, muita gente mantém o descarte porque o procedimento também reduz substâncias que se ligam aos minerais e prejudicam sua absorção. Em outras palavras, existe um equilíbrio: perde-se um pouco do que foi para a água, porém o feijão tende a ficar mais digestível e pode permitir melhor aproveitamento de parte dos nutrientes que permanecem no grão.
Qual é o jeito certo de fazer?
O passo a passo mais fácil é selecionar os grãos, higienizar bem e deixar o feijão de molho em um recipiente grande com bastante água. Depois do tempo de remolho, é importante descartar o líquido e enxaguar os grãos antes de levá-los ao fogo.
- lave o feijão em água corrente;
- coloque os grãos em uma tigela grande;
- cubra com água em quantidade suficiente, pois o feijão incha;
- deixe de molho por 8 a 12 horas;
- descarte a água escura do remolho;
- enxágue os grãos e cozinhe com água limpa.
Precisa jogar fora também a primeira fervura?
Há quem faça um pré-cozimento rápido, descarte a água da primeira fervura e só então cozinhe de vez. Isso pode diminuir ainda mais compostos solúveis, mas não é uma exigência em todas as receitas.
O mais importante é evitar cozinhar o feijão na mesma água em que ele ficou de molho, principalmente quando a meta é melhorar a digestibilidade. Na rotina, o remolho de 8 a 12 horas, seguido do descarte da água e do cozimento com água nova, costuma cumprir a maior parte do objetivo.
Por que essa dica continua sendo recomendada?
Jogar fora a primeira água do feijão segue sendo indicado porque ajuda a deixar o prato mais leve, reduz parte dos compostos ligados a gases e ainda favorece um cozimento mais uniforme.
A prática não transforma o feijão em alimento “sem gases” para todo mundo, já que a digestão varia de pessoa para pessoa. Mesmo assim, é um recurso simples, barato e eficaz para melhorar o preparo sem mexer no sabor tradicional do feijão brasileiro.
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