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Bombeiros de Leiria ainda aguardam ressarcimento da tempestade Kristin, mas ANEPC promete pagar no fim do mês

Bombeiro revisa documentos ao lado de caminhão de combate a incêndio após intervenção em via pública.

Corporações de bombeiros da região de Leiria que tiveram gastos com alimentação, combustível e viaturas por causa da depressão Kristin ainda não receberam o ressarcimento. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) afirma que fará o pagamento no fim deste mês.

Despesas da tempestade Kristin seguem pendentes

A presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pombal (distrito de Leiria) informou que as "despesas comprovadas relativas à tempestade Kristin ascendem a cerca de 130 mil euros". Segundo Ana Maria Cabral, esses valores foram enviados em abril "dentro dos prazos estabelecidos e em conformidade com os critérios definidos pela ANEPC", porém "ainda não foram reembolsadas".

Apesar disso, a dirigente avalia que, "tendo em conta o ano particularmente atípico", com tempestades primeiro e incêndios depois, ainda não se trata "de um atraso fora do habitual".

"Existe sempre um intervalo entre a ocorrência do evento, a apresentação das despesas e o respetivo pagamento", declarou, reconhecendo que "no último ano, esse processo tem vindo a registar algumas melhorias".

Ainda assim, Ana Maria Cabral ressaltou que, "quando os reembolsos das despesas demoram a chegar, esse impacto faz-se sentir na situação financeira da associação, uma vez que todos os custos são inicialmente suportados" pela corporação, que fica "aguardando posteriormente o respetivo ressarcimento".

"Seria, por isso, importante que a capacidade de resposta e a proatividade do Governo se refletissem numa maior celeridade destes processos", defendeu.

Valores por corporação na região de Leiria

No município da Marinha Grande, também muito afetado pela depressão Kristin em 28 de janeiro, o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários local, Carlos Carvalho, explicou que os gastos com alimentação, reparos em viaturas e combustível totalizam quase 16 mil euros.

"Com uma situação daquelas, foi montada no quartel toda a parte de almoços, jantares, lanches, quer para os nossos, quer para outros elementos que iam passando", relatou, acrescentando que também houve danos em viaturas.

O dirigente afirmou que a corporação ainda não foi ressarcida por essas despesas e destacou que se trata de um valor que faz falta, sobretudo porque a corporação também precisa recuperar o quartel, que foi danificado.

Já a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ourém (distrito de Santarém) apresenta um volume de gastos bem mais elevado. O presidente, Rui Neves, contou que, somando a alimentação de pessoas envolvidas na recuperação do território - desde bombeiros de várias corporações até forças de segurança e Forças Armadas -, além de combustível e reparos em viaturas, o total apurado chegou a 350 mil euros.

"Só numa viatura autoescada os danos foram de 130 mil euros", detalhou, esclarecendo que os valores foram comunicados em maio.

Rui Neves alertou que o dispositivo de combate a incêndios rurais está no nível "Delta", o que exige reforço de meios até 30 de setembro, e que a associação "tem dívidas a diversos fornecedores, nomeadamente de combustíveis, e não tem condições para pedir mais crédito".

"Os bombeiros deveriam ter outro tipo de tratamento e reconhecimento. Estamos no início da linha para prestar socorro e no fim da linha para sermos ressarcidos", lamentou.

Em Pedrógão Grande (Leiria), o presidente da direção, Luís David, estimou em cerca de 7.600 euros as despesas extraordinárias no socorro devido ao mau tempo, sem incluir o combustível. Ele lembrou ainda que a corporação segue sem ressarcimento de despesas com combustível (entre 12 mil e 13 mil euros) relativas aos incêndios de 2025.

O que diz a ANEPC sobre o pagamento

À Lusa, a ANEPC garantiu que "as despesas validadas relativamente à tempestade Kristin serão pagas no final" deste mês.

Sobre a corporação de Ourém, a autoridade indicou que estão "carregadas e validadas as despesas referentes à alimentação e ao combustível", mas que "no que respeita às restantes despesas, designadamente as relativas a danos em viaturas, as mesmas encontram-se ainda em processo de validação".

"Importa, contudo, salientar que foi efetuado um adiantamento no montante de 50 mil euros" a essa associação "por conta destas despesas", acrescentou a ANEPC.

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