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Irã rejeita declaração da OTAN sobre programa nuclear

Homem sério em terno falando em coletiva com microfones e bandeiras da OTAN, Turquia e Irã ao fundo.

O Irã rejeitou, nesta sexta-feira, a declaração dos líderes da OTAN sobre o programa nuclear iraniano, classificando o conteúdo como acusações "politicamente motivadas".

Declaração da OTAN na cúpula de Ancara

No comunicado final de uma cúpula realizada em Ancara, na Turquia, chefes de Estado e de governo da OTAN trataram do conflito no Oriente Médio com uma referência breve, limitada a uma única frase.

"Os aliados reiteram que o Irão nunca deve ter uma arma nuclear e apelam ao Irão para respeitar plenamente a liberdade de navegação no estreito de Ormuz", afirmaram, na declaração, divulgada na quarta-feira.

Pouco depois, durante uma coletiva de imprensa, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, voltou a afirmar que os 32 aliados da OTAN concordam que "nunca deve alcançar uma capacidade nuclear".

"Obviamente, o Irão está fora do território da NATO, mas isso não significa que a NATO nunca possa intervir. Se for necessário, a NATO está sempre disposta a assumir qualquer papel", afirmou Rutte.

Resposta de Teerã e críticas à OTAN

Em reação, a Embaixada do Irã em Ancara rechaçou "categoricamente as acusações infundadas e politicamente motivadas", que disse constarem na declaração da OTAN.

Em uma publicação na rede social X, Teerã acrescentou que a OTAN "não tem autoridade para dar lições ao Irão ou prescrever soluções para a paz e a segurança regional", e afirmou que a aliança teria "apoiado e facilitado atos de agressão contra o povo iraniano".

Programa nuclear "pacífico"

O Estado persa ressaltou que seu programa nuclear "é inteiramente pacífico" e que, como parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, "sempre insistiu que as armas nucleares não têm lugar na sua doutrina de defesa".

Teerã também frisou que vem desempenhando de forma consistente "um papel responsável na manutenção da segurança marítima", tanto no Estreito de Ormuz quanto no Golfo Pérsico de maneira geral.

Segundo o Irã, "a principal fonte de insegurança na região" são "as intervenções militares ilegais, as ações provocatórias e as políticas desestabilizadoras de atores externos".

O comunicado sustenta ainda que os EUA e "o regime terrorista israelita" teriam sido os responsáveis por "bombardearam a mesa das negociações e deram prioridade à agressão em detrimento da diplomacia".

Guerra no Oriente Médio influencia a cúpula

Apesar de não figurar entre os temas centrais da agenda, a guerra no Oriente Médio acabou dominando discussões na cúpula depois que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou na quarta-feira o encerramento das negociações com Teerã.

As Forças Armadas norte-americanas realizaram uma sequência de ataques contra alvos iranianos, em retaliação a ataques contra três navios mercantes em águas próximas de Omã.

No dia seguinte, o Irã bombardeou alvos norte-americanos em diversos países árabes, como Jordânia e Kuwait, após os EUA anunciarem a conclusão de uma série de 90 ataques contra Teerã.

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