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9 unicórnios franceses mudaram-se para os Estados Unidos - mas isso não garante sucesso

Homem em terno observa avião ao lado de laptop com gráfico financeiro em escritório próximo ao aeroporto.

Um total de 9 unicórnios franceses deixou a França para se instalar nos Estados Unidos, seduzido por volumes gigantescos de capital e por um mercado sem paralelo. Ainda assim, essa mudança de país está longe de ser sinónimo de sucesso.

De um universo de 37 unicórnios que nasceram em França - ou seja, empresas cuja avaliação ultrapassa 1 mil milhões de euros - 9 acabaram por transferir a sua base para os Estados Unidos. É o que aponta um estudo divulgado pela Mighty Nine, consultoria de estratégia especializada no ecossistema europeu de venture capital. Isso representa uma taxa de êxodo de 24%, a mais alta entre os grandes países europeus. Para comparação, a Alemanha regista 0%: nenhum dos seus 33 unicórnios abandonou o território europeu.

Entre as empresas francesas que se expatriaram, há perfis bastante diferentes: a Hugging Face, que se consolidou como referência global em modelos de IA open source; a Dataiku, voltada a plataformas de análise de dados para grandes organizações; e a Algolia, cujo motor de busca equipa milhares de sites no mundo. Também fizeram o movimento a Aircall, com soluções de telefonia em nuvem para equipas comerciais, e a Front, plataforma de gestão de comunicações com clientes.

A lista inclui ainda a 360Learning, focada em formação corporativa, e a Jellysmack, que pretende ajudar criadores de vídeo a monetizar a sua audiência. Por fim, a Figures, ferramenta de gestão de remuneração para RH, e a Pennylane, software de contabilidade e gestão financeira para PMEs, também cruzaram o Atlântico. Os motivos para essa decisão são vários.

Um mercado em ebulição

Capital de risco nos Estados Unidos: outro patamar de cheques

O primeiro fator é o mercado de capital de risco americano, incomparável ao europeu. Fundos dos EUA - como Sequoia, Andreessen Horowitz e Tiger Global - têm histórico de fechar rodadas enormes num único aporte. No contexto europeu, valores desse tamanho continuam a ser exceção.

Mercado B2B e proximidade com clientes estratégicos

Há também o elemento “mercado”. Os Estados Unidos seguem como o ambiente B2B mais maduro do mundo. Na prática, grandes empresas americanas dispõem de orçamentos tecnológicos muito superiores aos de França e, para unicórnios como a Dataiku ou a Algolia, isso também significa vantagens operacionais, como estar no mesmo fuso horário dos seus maiores clientes.

IPO: Nasdaq e NYSE como rota natural

Por fim, pesa a possibilidade de abrir capital (IPO). Uma estreia no Nasdaq ou na NYSE tende a oferecer níveis de avaliação e liquidez que a bolsa de Paris simplesmente não consegue igualar.

Não é um gage de réussite

Avaliação atual menor e quedas mais dolorosas

O estudo indica que as 40 unicórnios europeias que se mudaram para os EUA apresentam, em média, um valor atual equivalente a 71% da última avaliação conhecida. As que permaneceram na Europa chegam a 80%. Ou seja, atravessar o Atlântico não funcionou como proteção - e, em muitos casos, acabou por piorar o cenário.

Isso porque, nos Estados Unidos, startups frequentemente captam quantias muito elevadas, com avaliações que nem sempre correspondem ao seu desempenho comercial. Quando a expansão não acompanha as expectativas, o ajuste costuma ser bem mais severo. Entre os 9 unicórnios franceses que se expatriaram, 4 hoje já caíram abaixo do patamar de 1 mil milhões de euros: Jellysmack, 360Learning, Front e Aircall.

Para a Mighty Nine, a sobrevivência de um unicórnio depende, sobretudo, dos seus fundamentos: rentabilidade, crescimento efetivo e capacidade de cumprir o que promete.

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