A joint venture Carizon finalmente vai entrar em operação. Ao lado da Horizon Robotics, a Volkswagen pretende desenvolver processadores voltados para a China, que é o seu mercado mais relevante. As primeiras chips só devem chegar dentro de um prazo estimado de 3 a 5 anos.
Em 2022, a Volkswagen colocou US$ 2,3 bilhões na criação de uma joint venture com a startup de Pequim Horizon Robotics e, desde então, quase não houve novidades públicas. Uma comunicação breve em abril indicava que a montadora alemã ainda contava com a parceira para avançar em recursos de condução inteligente, mas sem detalhar planos. Agora, nesta quarta-feira, 5 de novembro, a Carizon confirma a chegada de chips para a produção chinesa da Volkswagen.
Carizon e Horizon Robotics: chips para a Volkswagen na China
Segundo o anúncio, essa será a primeira chip da empresa desenvolvida internamente - embora seja razoável supor que a Volkswagen tenha participação limitada no trabalho e que a maior parte do desenvolvimento fique nas mãos das equipas da Horizon Robotics. No fim de setembro, a startup captou US$ 821 milhões na bolsa de Hong Kong. O dinheiro foi apresentado como combustível para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à condução autónoma.
No caso da Volkswagen, a função dessas chips será concentrar a recolha e o processamento de dados que chegam de câmeras e de outros sensores dos veículos.
Arquitetura, potência e cronograma (500 a 700 TOPS, 3 a 5 anos)
Com desempenho previsto entre 500 e 700 TOPS, as chips da Carizon devem integrar uma nova arquitetura de computador baseada numa única chip centralizada. A janela de chegada segue apontada para 3 a 5 anos, mas ainda não há indicação de onde esses componentes serão fabricados.
Por enquanto, a Volkswagen fala apenas em produção na China para equipar carros vendidos na China, e não destinados a mercados externos. Apesar de os volumes já terem sido maiores no passado, a China continua a ser a principal fonte de vendas da marca: 2,75 milhões de unidades em 2024, contra 4 milhões em 2018.
As mudanças da Volkswagen na China
Até 2023, a Volkswagen liderava o mercado chinês em volume de vendas entre as montadoras. Nesse ano, acabou sendo ultrapassada de forma simbólica pela BYD. No ano seguinte, a empresa optou por sair das negociações com a Renault para o co-desenvolvimento do ID.1 (com o Twingo) na China, numa tentativa de encurtar o roteiro do projeto e colocar o modelo mais depressa nas ruas europeias.
No começo de outubro de 2025, a Volkswagen reativou a sua divisão Cariad, voltada ao desenvolvimento de software próprio do grupo, mas com uma abordagem renovada baseada em parceiros externos (Xpeng na China, Rivian nos Estados Unidos).
A partir de agora, o papel das equipas da Cariad deixa de ser desenhar o “software 2.0” do futuro e passa a ser manter o software atual, além de garantir, mais adiante, a integração correta dos novos sistemas oferecidos por parceiros estrangeiros. Com a guerra comercial e os problemas de abastecimento envolvendo a Nexperia, a Volkswagen vai tentar assegurar o seu stock futuro de chips com a Carizon?
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