A Hyundai “nova” de novo?
A marca coreana já faz um tempo que deixou para trás a imagem de carros básicos e sem graça - e, pelo menos na Europa, vem se posicionando como concorrente direta dos compactos mais respeitados. Este é o i20 de segunda geração, um supercompacto que quer ser levado a sério de um jeito que o anterior ainda não conseguia.
“Queríamos criar um carro pequeno que fosse de qualidade e escolhido por quem não quer um carro grande - e não por quem não pode comprar um maior”, diz Thomas Bürkle, chefe de design da Hyundai. O preço de tabela deixou de ser o único foco. A mira do i20 é clara: o Volkswagen Polo.
Ele tem chance de competir?
Tem, sim. Por dentro, o i20 passa uma impressão mais adulta: os bancos são confortáveis em viagens longas, os materiais agradam e a ergonomia é quase impecável - embora a ausência de uma tela sensível ao toque de série hoje o deixe atrás de alguns rivais. Não há nada particularmente empolgante na cabine, mas, convenhamos, nem no Polo.
Equipamento não falta. A versão intermediária SE traz sensores de estacionamento e alerta de saída de faixa, enquanto itens “de carro maior”, como volante aquecido e teto solar panorâmico, aparecem mais acima na gama. Um pacote bem maduro.
Isso quer dizer que ele não é divertido?
Um pouco, sim. Dinamicamente, ele foi pensado com conforto e facilidade de uso como prioridades. A suspensão é macia e o acerto tende ao seguro, mas vale reconhecer o bom controle de carroceria e uma direção com peso bem calibrado. Só não espere a mesma pegada do Fiesta - essa dose de “pimenta” não está aqui.
Quais motores posso escolher?
No lançamento, são três opções a gasolina de quatro cilindros (1.2 em versões de 74 e 83 hp, e um 1.4 de 99 hp) e dois дизel (1.1 de 74 hp e 1.4 de 89 hp). A Hyundai estima que 85% dos compradores vão preferir gasolina e, por enquanto, a opção mais forte é a que recomendamos. Ainda assim, mesmo com pouco menos de 99 hp e pouco mais de 1 tonelada para mover, ele sofre.
Para extrair o desempenho modesto, é preciso trabalhar o motor em giros mais altos - e numa época em que os pequenos turbos a gasolina estão virando padrão, ele acaba parecendo cansado e meio áspero. A boa notícia é que no ano que vem chega um 1.0 turbo de três cilindros, com versões de 100 e 120 hp. Ainda não testamos, mas tudo indica que vai virar a melhor escolha da linha.
Entre os dois дизel, o 1.1 é o mais interessante. Não pelo desempenho - o 0–100 km/h leva 16 s - e sim pelos números declarados: 88,3 mpg (algo como 31 km/l) e 84 g/km. E, quando finalmente embala, surpreende por ser bem refinado e civilizado. Na cidade, tem fôlego suficiente, embora fique mais “falante” no anda-e-para do trânsito pesado.
Mais algum destaque?
Desenhado inteiramente na Europa, o i20 tem um visual bem acertado e parece menos “alto” e desajeitado que o antecessor. Há influências evidentes de outros carros - a semelhança do ângulo traseiro com um Citroën C4, coincidência ou não, chama atenção - mas é difícil negar que ele evoluiu em relação aos modelos anteriores.
Vale o que custa?
O i20 está mais perto do Polo em preço do que nunca. Na especificação SE, ele custa cerca de £1.000 a menos que o VW e traz um tiquinho a mais de equipamentos, mas a diferença não é grande o suficiente para escolher o i20 só para economizar. Por outro lado, isso mostra o quanto a Hyundai avançou em qualidade.
Se existe um ponto negativo grande, é a falta de “fogo no ventre”. É um carro competente e cheio de qualidades, mas quem busca emoção precisa olhar para outro lado. O Fiesta, basicamente. Agora, se motores brilhantes e dinâmica afiada não forem essenciais, não vamos te desencorajar.
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